Em relação à hipertensão intracraniana idiopática (HII), assinale a alternativa correta.
AOcorre mais em homens idosos.
BPapiledema é raro.
CRessonância magnética de encéfalo mostra aumento dos ventrículos.
DPerda visual periférica pode ocorrer.
EPunção lombar com pressão normal é típica.
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GabaritoD — Perda visual periférica pode ocorrer.
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Hipertensão intracraniana idiopática (HII)
Gabarito: letra D. A perda visual periférica (restrição dos campos visuais periféricos) é uma manifestação clássica da HII, decorrente do papiledema crônico que comprime as fibras do nervo óptico. As demais alternativas invertem o perfil epidemiológico (mulheres jovens obesas, não homens idosos), a frequência do papiledema (presente na maioria), o achado de imagem (ventrículos pequenos, não aumentados) e a pressão liquórica (elevada, não normal).
A hipertensão intracraniana idiopática (HII), também chamada de pseudotumor cerebral ou hipertensão intracraniana benigna, é uma síndrome caracterizada por pressão intracraniana elevada sem evidência de lesão focal, hidrocefalia ou edema cerebral franco. O nome "idiopática" reflete justamente a ausência de uma causa estrutural identificável — por isso a neuroimagem é normal ou mostra apenas sinais indiretos, e não uma massa ou dilatação ventricular.
O perfil epidemiológico é um dos pontos mais cobrados: acomete mulheres jovens (15–45 anos) e obesas, com clara associação ao alto índice de massa corporal (IMC). A fisiopatologia envolve aumento da pressão liquórica, frequentemente relacionado a obesidade, uso de certos medicamentos (vitamina A, tetraciclina, isotretinoína, danazol), retirada de corticosteroides e condições como trombose de seio venoso cerebral, que pode mimetizar o quadro.
O quadro clínico típico inclui cefaleia (geralmente generalizada, pior pela manhã ou com manobra de Valsalva), zumbido pulsátil e distúrbios visuais — sendo a restrição dos campos visuais periféricos uma das manifestações mais importantes. O papiledema está presente na grande maioria dos pacientes e é frequentemente mais impressionante que o quadro clínico. A perda visual é a complicação mais temida, podendo evoluir para cegueira se não tratada — por isso a avaliação periódica dos campos visuais é essencial.
O diagnóstico é confirmado pela punção lombar com pressão de abertura elevada (geralmente 250–450 mm H₂O), após neuroimagem que exclua lesão expansiva. A TC/RM tipicamente mostra ventrículos pequenos ou normais, podendo revelar "sela vazia", achatamento da face posterior do globo ocular e tortuosidade do nervo óptico. O tratamento visa reduzir a PIC (acetazolamida, topiramato, perda de peso) e, nos casos com perda visual progressiva, procedimentos como fenestração da bainha do nervo óptico ou derivação liquórica.
A pegadinha central desta questão é a inversão de características: a banca troca o perfil epidemiológico (homens idosos × mulheres jovens), a frequência do papiledema (raro × presente na maioria), o achado de imagem (ventrículos aumentados × pequenos) e a pressão liquórica (normal × elevada). A alternativa D é a única que descreve corretamente uma manifestação real da doença. Guarde o tripé: mulher jovem obesa + papiledema + pressão liquórica elevada — é exatamente nesses três pilares que as alternativas incorretas erram.
Inverte o perfil epidemiológico. A HII ocorre predominantemente em mulheres jovens (15–45 anos) e obesas, não em homens idosos. A alternativa troca o sexo (mulheres × homens) e a faixa etária (jovens × idosos), dois erros clássicos de distrator.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o papiledema é raro, mas é o oposto: o papiledema está presente na grande maioria dos pacientes com HII e costuma ser mais impressionante que o quadro clínico. A fundoscopia é um exame fundamental na suspeita diagnóstica — sua ausência não exclui, mas sua presença é a regra.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Inverte o achado de imagem. Na HII, a neuroimagem (TC/RM) mostra ventrículos pequenos ou normais, não aumentados. O aumento ventricular (hidrocefalia) é justamente um dos critérios de exclusão do diagnóstico — a HII é definida pela ausência de hidrocefalia. A alternativa confunde HII com hidrocefalia.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A perda visual periférica (restrição dos campos visuais periféricos) é uma manifestação clássica e importante da HII, causada pela compressão das fibras do nervo óptico pelo papiledema crônico. Pode haver também pontos cegos aumentados, borramento visual e diplopia por paralisia do nervo abducente. A perda visual é a complicação mais grave, podendo levar à cegueira — por isso a monitorização periódica dos campos visuais é essencial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Inverte o achado liquórico. Na HII, a pressão de abertura do LCR está elevada (geralmente 250–450 mm H₂O), não normal. A punção lombar com pressão normal exclui o diagnóstico. A alternativa confunde HII com hipotensão intracraniana idiopática, na qual a pressão está baixa.
Gabarito: letra D — a única alternativa que descreve corretamente uma manifestação da HII: perda visual periférica.