Questão de Medicina — Hematologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693925
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Oncologia Pediátrica
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas II e III.
- DApenas III e IV.
- EApenas I, II e IV.
GabaritoE — Apenas I, II e IV.
Gabarito: letra E (corretas I, II e IV). A assertiva III está incorreta porque a infiltração de medula óssea ao diagnóstico no linfoma de Hodgkin clássico é observada em cerca de 5% dos casos na era do PET-CT, e não 20% — valor que se aproxima da frequência de envolvimento medular em linfomas não Hodgkin agressivos. As demais assertivas refletem condutas e aprovações atuais: o NLPHL em estádio IA com linfonodo único ressecado pode ser apenas observado em casos selecionados; o transplante autólogo é o padrão no recidivado/refratário quimiossensível; e o pembrolizumabe é aprovado para pacientes pediátricos com doença recidivada/refratária após múltiplas linhas.
A doença de Hodgkin (DH) é uma neoplasia linfoproliferativa caracterizada pela presença de células de Reed-Sternberg (no tipo clássico) ou de células L&H/popcorn (no NLPHL) em um microambiente inflamatório rico em linfócitos, eosinófilos e histiócitos. O tratamento é altamente curativo, mas as estratégias variam conforme o subtipo histológico, o estádio e os fatores prognósticos. O NLPHL é uma entidade distinta do linfoma de Hodgkin clássico (LHC): tem comportamento indolente, CD20 positivo, e o manejo em estádios iniciais pode ser menos agressivo — daí a possibilidade de conduta expectante em casos selecionados de estádio IA com linfonodo único completamente ressecado, conforme dados do German Hodgkin Study Group (GHSG). Já o LHC, quando recidiva ou é refratário, exige quimioterapia de resgate seguida de transplante autólogo de células progenitoras hematopoiéticas (TACPH) nos pacientes quimiossensíveis — esse é o padrão consolidado, com cura em parcela significativa dos casos. A avaliação de medula óssea mudou com o PET-CT: a biópsia de medula só é indicada quando há citopenias ou doença avançada, pois a captação medular no PET já identifica o envolvimento, e a frequência de infiltração ao diagnóstico caiu para cerca de 5% (antes do PET, era de 10–20%). Por fim, a imunoterapia com anti-PD-1 (pembrolizumabe e nivolumabe) revolucionou o tratamento do LHC recidivado/refratário, com aprovação também para a população pediátrica após múltiplas linhas.
A pegadinha central desta questão está na assertiva III: o candidato que memorizou o valor clássico de 10–20% de infiltração medular (da era pré-PET) marca como correta, mas a banca cobra o dado atualizado da era do PET-CT, em que a frequência é bem menor. Além disso, é preciso distinguir o NLPHL do LHC — são doenças diferentes, com imunofenótipo e prognóstico distintos, e o manejo do NLPHL em estádio IA é mais conservador. Guarde esses três pilares: (1) NLPHL IA ressecado pode ser observado; (2) TACPH é padrão no recidivado/refratário quimiossensível; (3) infiltração medular no LHC é rara na era do PET-CT (cerca de 5%); (4) pembrolizumabe é aprovado em pediatria. É exatamente nesses pontos que as assertivas se dividem.
Assertiva | Correto? | Justificativa |
|---|---|---|
I — NLPHL estádio IA com linfonodo único ressecado pode ser apenas acompanhado | ✅ | Conduta respaldada pelo GHSG em casos selecionados, evitando toxicidade de quimio/radioterapia. |
II — Transplante autólogo é padrão no LHC recidivado/refratário quimiossensível | ✅ | Tratamento de escolha consolidado, com cura em ~50% dos casos. |
III — Infiltração medular ao diagnóstico é ~20% na era do PET-CT | ❌ | Valor correto é ~5% na era do PET-CT; 20% era a frequência pré-PET. |
IV — Pembrolizumabe aprovado em pediatria para LHC recidivado/refratário | ✅ | Aprovado pela FDA/ANVISA para múltiplas linhas, incluindo pacientes pediátricos. |
O linfoma de Hodgkin nodular de predomínio linfocitário (NLPHL) em estádio IA, com linfonodo único completamente ressecado, pode, em situações selecionadas, ser apenas acompanhado, sem tratamento sistêmico complementar. Essa conduta é respaldada por estudos do GHSG que demonstraram excelente sobrevida em pacientes com NLPHL estádio IA tratados apenas com ressecção e vigilância, evitando toxicidade de quimio ou radioterapia. A assertiva está correta.
O transplante autólogo de células progenitoras hematopoiéticas é considerado padrão em pacientes com linfoma de Hodgkin clássico recidivado ou refratário quimiossensível após quimioterapia de resgate. Esse é o tratamento de escolha consolidado, com cura em cerca de 50% dos casos. A assertiva está correta.
A infiltração de medula óssea ao diagnóstico é observada em cerca de 20% dos casos de linfoma de Hodgkin clássico na era do PET-CT. O valor correto é de aproximadamente 5% na era do PET-CT, pois o estadiamento por imagem funcional reduziu a necessidade de biópsia de medula e identificou que o envolvimento medular é menos frequente do que se pensava na era pré-PET (quando era de 10–20%). A assertiva está incorreta.
O pembrolizumabe está aprovado para uso em pacientes pediátricos com linfoma de Hodgkin clássico recidivado ou refratário após múltiplas linhas de tratamento. O anti-PD-1 foi aprovado pela FDA e pela ANVISA para essa indicação, incluindo a população pediátrica, com base em estudos que demonstraram altas taxas de resposta. A assertiva está correta.
Conclusão: corretas as assertivas I, II e IV → gabarito: letra E.
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