Um menino de 10 anos é diagnosticado com um ependimoma supratentorial. A RM de crânio e coluna revelou doença localizada. A análise molecular revela fusão ZFTA‑RELA. Quais são a implicação prognóstica e a abordagem terapêutica indicada, respectivamente?
APrognóstico favorável – Cirurgia e quimioterapia de baixa intensidade.
BPrognóstico intermediário – Cirurgia, quimioterapia e radioterapia focal no leito tumoral.
CPrognóstico intermediário – Cirurgia, radioterapia focal no leito tumoral e terapia‑alvo com inibidores de BRAF.
DPrognóstico desfavorável – Cirurgia, quimioterapia e TMO autólogo em RC1 e radioterapia focal no leito tumoral pós‑TMO.
EPrognóstico desfavorável – Cirurgia máxima segura e radioterapia focal no leito tumoral.
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GabaritoE — Prognóstico desfavorável – Cirurgia máxima segura e radioterapia focal no leito tumoral.
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Ependimoma supratentorial com fusão ZFTA-RELA: prognóstico e tratamento
Gabarito: letra E. O ependimoma supratentorial com fusão ZFTA-RELA (antiga fusão C11orf95-RELA) é um subtipo molecular de prognóstico desfavorável, e o tratamento padrão para doença localizada é cirurgia máxima segura seguida de radioterapia focal no leito tumoral, sem quimioterapia adjuvante de rotina. A alternativa E é a única que combina corretamente essas duas informações.
O ependimoma é um tumor do sistema nervoso central que se origina das células ependimárias, que revestem os ventrículos cerebrais e o canal central da medula espinhal. A classificação da OMS (Organização Mundial da Saúde) para tumores do SNC, atualizada em 2021, incorporou alterações moleculares como critérios diagnósticos e prognósticos, dividindo os ependimomas em grupos moleculares distintos. No caso dos ependimomas supratentoriais, dois grupos principais foram identificados: um com fusão do gene ZFTA (anteriormente C11orf95) com o gene RELA, e outro com fusão envolvendo o gene YAP1. A fusão ZFTA-RELA é a alteração molecular mais comum nos ependimomas supratentoriais, ocorrendo em cerca de 70% dos casos, e está associada a um comportamento mais agressivo, com maior taxa de recorrência e pior sobrevida quando comparada ao grupo com fusão YAP1, que tem prognóstico mais favorável. Essa distinção molecular é crucial porque define não apenas o prognóstico, mas também orienta a intensidade do tratamento.
O tratamento padrão para ependimoma supratentorial localizado (doença sem metástases) é a ressecção cirúrgica máxima segura, seguida de radioterapia focal no leito tumoral. A cirurgia tem papel central, e o grau de ressecção (grosseiramente total versus subtotal) é um dos fatores prognósticos mais importantes. A radioterapia pós-operatória é indicada para a maioria dos pacientes, mesmo após ressecção completa, para reduzir o risco de recorrência local. A quimioterapia, por sua vez, tem papel limitado no tratamento inicial de ependimomas localizados em crianças, sendo reservada principalmente para casos de doença metastática, recidiva ou para pacientes muito jovens (geralmente menores de 1 ano) nos quais a radioterapia é adiada ou evitada. O transplante de medula óssea (TMO) autólogo não faz parte do tratamento padrão de primeira linha para ependimoma localizado. A terapia-alvo com inibidores de BRAF é utilizada em outros tumores do SNC, como os astrocitomas de baixo grau com mutação BRAF V600E, mas não é o tratamento padrão para ependimoma com fusão ZFTA-RELA.
A questão explora exatamente a fronteira entre o conhecimento da biologia molecular dos tumores do SNC e a aplicação prática do tratamento oncológico. O candidato precisa saber que a fusão ZFTA-RELA confere pior prognóstico e que, apesar disso, a abordagem terapêutica para doença localizada permanece cirurgia + radioterapia focal, sem quimioterapia adjuvante de rotina. As alternativas que mencionam quimioterapia de baixa intensidade, quimioterapia + radioterapia, terapia-alvo com BRAF ou TMO autólogo estão todas incorretas, pois não refletem o padrão de tratamento para este cenário clínico. A pegadinha está em associar o prognóstico desfavorável a um tratamento mais agressivo (como quimioterapia ou TMO), quando na verdade o tratamento padrão para doença localizada permanece cirúrgico + radioterápico, independentemente do subtipo molecular.
Guarde o par: fusão ZFTA-RELA = prognóstico desfavorável + tratamento padrão (cirurgia + RT focal). É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.
Ependimoma supratentorial
1Fusão ZFTA-RELA
Prognóstico desfavorável
Tratamento (doença localizada)
Cirurgia máxima segura
Radioterapia focal no leito
Sem QT adjuvante de rotina
2Fusão YAP1
Prognóstico favorável
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o prognóstico é favorável e indica cirurgia e quimioterapia de baixa intensidade. O erro é duplo: a fusão ZFTA-RELA confere prognóstico desfavorável, não favorável, e a quimioterapia de baixa intensidade não é o tratamento padrão para ependimoma localizado. O tratamento padrão é cirurgia + radioterapia focal, sem quimioterapia adjuvante de rotina.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma prognóstico intermediário e indica cirurgia, quimioterapia e radioterapia focal. O prognóstico da fusão ZFTA-RELA é desfavorável, não intermediário. Além disso, a quimioterapia não faz parte do tratamento padrão de primeira linha para ependimoma localizado; ela é reservada para casos específicos, como doença metastática ou recidiva.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma prognóstico intermediário e indica cirurgia, radioterapia focal e terapia-alvo com inibidores de BRAF. O prognóstico é desfavorável, e os inibidores de BRAF não são o tratamento padrão para ependimoma com fusão ZFTA-RELA. Essa terapia é utilizada em outros tumores do SNC, como astrocitomas de baixo grau com mutação BRAF V600E, mas não neste contexto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma prognóstico desfavorável, o que está correto, mas indica cirurgia, quimioterapia e TMO autólogo em RC1 e radioterapia focal pós-TMO. O TMO autólogo não faz parte do tratamento padrão de primeira linha para ependimoma localizado. Essa abordagem é utilizada em outros tumores pediátricos, como neuroblastoma de alto risco, mas não é indicada para ependimoma supratentorial localizado.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma prognóstico desfavorável e indica cirurgia máxima segura e radioterapia focal no leito tumoral. A fusão ZFTA-RELA é um subtipo molecular de prognóstico desfavorável, e o tratamento padrão para doença localizada é a ressecção cirúrgica máxima segura seguida de radioterapia focal no leito tumoral, sem quimioterapia adjuvante de rotina. Esta é a combinação correta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação intuitiva entre "prognóstico desfavorável" e "tratamento mais agressivo". O candidato pode ser levado a escolher uma alternativa que inclua quimioterapia ou TMO, mas o tratamento padrão para ependimoma localizado permanece cirúrgico + radioterápico, independentemente do subtipo molecular. Lembre-se: a fusão ZFTA-RELA é desfavorável, mas o tratamento de primeira linha para doença localizada não muda.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de tumores do SNC, decore os subtipos moleculares mais cobrados e suas implicações prognósticas. No ependimoma supratentorial, a fusão ZFTA-RELA é desfavorável e a fusão YAP1 é favorável. O tratamento padrão para doença localizada é sempre cirurgia + radioterapia focal, salvo em crianças muito jovens. Essa combinação de conhecimento molecular e terapêutico é o que a banca costuma cobrar.