Uma menina de 2 anos, previamente hígida, é diagnosticada com tumor adrenocortical (TAC) funcional em estágio localizado, sendo submetida à ressecção completa. A análise molecular identifica variante TP53 p.R337H e o estudo germinal confirma heterozigose constitucional. Sobre as implicações desse achado, assinale a alternativa correta.
ATrata‑se de um marcador prognóstico de alto risco, que indica necessidade de quimioterapia adicional.
BDeve‑se sugerir à família aconselhamento genético e rastreamento oncológico estendido para a criança e familiares.
CA presença de p.R337H limita‑se exclusivamente ao risco de TAC na infância.
DTrata‑se de um marcador prognóstico de baixo risco, que elimina necessidade de quimioterapia adicional.
EO p.R337H é uma variante genética comum nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, sendo mais grave em relação à síndrome de Li‑Fraumeni clássica.
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GabaritoB — Deve‑se sugerir à família aconselhamento genético e rastreamento oncológico estendido para a criança e familiares.
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Tumor adrenocortical na infância e a variante TP53 p.R337H
Gabarito: letra B. A presença da variante germinativa TP53 p.R337H em uma criança com tumor adrenocortical (TAC) indica fortemente a Síndrome de Li-Fraumeni (ou Li-Fraumeni-like), uma condição hereditária de predisposição a múltiplos tumores. Por isso, a conduta correta é oferecer aconselhamento genético à família e instituir rastreamento oncológico estendido para a criança e familiares de risco. As demais alternativas erram ao tratar a variante como marcador prognóstico do tumor já ressecado ou ao restringir seu risco apenas ao TAC.
A Síndrome de Li-Fraumeni é uma síndrome de predisposição hereditária ao câncer, causada na maioria dos casos por mutações no gene TP53, que codifica a proteína p53 — um dos principais supressores tumorais do organismo. A p53 atua como "guardiã do genoma": diante de dano ao DNA, ela interrompe o ciclo celular, ativa reparo ou induz apoptose. Quando há uma mutação germinativa (presente em todas as células do corpo), a vigilância anticâncer fica comprometida, aumentando o risco de diversos tumores ao longo da vida.
A variante TP53 p.R337H é uma mutação específica (substituição de arginina por histidina no códon 337) que apresenta alta prevalência no Brasil, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, devido a um efeito fundador. Diferentemente de outras mutações do TP53, a p.R337H confere um espectro de tumores um pouco mais restrito, com destaque para o tumor adrenocortical na infância, mas também aumenta o risco de outros tumores do espectro da Li-Fraumeni, como sarcomas, tumores do sistema nervoso central, carcinomas de mama e leucemias. Portanto, não se limita ao TAC.
Na prática clínica, quando uma criança é diagnosticada com TAC e a análise molecular revela a variante p.R337H em heterozigose constitucional, o diagnóstico de Síndrome de Li-Fraumeni deve ser considerado. A conduta recomendada inclui:
Aconselhamento genético para a família, explicando o padrão de herança autossômico dominante e os riscos para outros membros.
Rastreamento oncológico estendido para a criança, com vigilância para tumores do espectro (ex.: ressonância magnética de corpo inteiro periódica, ultrassonografia abdominal, exames clínicos regulares).
Teste genético preditivo em familiares de primeiro grau, para identificar portadores assintomáticos que também se beneficiariam de vigilância.
É importante distinguir o papel da variante TP53 como fator de risco hereditário (que aumenta a probabilidade de desenvolver tumores) do papel de marcador prognóstico do tumor já diagnosticado. No caso descrito, o TAC foi ressecado completamente e está em estágio localizado; a decisão sobre quimioterapia adjuvante baseia-se em fatores prognósticos do próprio tumor (estadiamento, histologia, margens, etc.), e não na presença da mutação germinativa. A mutação TP53 não é, por si só, indicação de quimioterapia adicional, nem a sua ausência eliminaria essa necessidade se outros fatores a indicassem.
A banca explora justamente essa confusão: o candidato pode pensar que a mutação "piora" o prognóstico e exigir quimioterapia, ou que ela "melhora" e dispensar tratamento. Nenhuma das duas leituras é correta. A mutação TP53 p.R337H é um marcador de suscetibilidade hereditária, não um marcador prognóstico do tumor atual. A conduta correta é a vigilância e o aconselhamento genético.
Aspecto
TP53 p.R337H (variante germinativa)
Marcador prognóstico do tumor (ex.: estadiamento, histologia)
Natureza
Fator de risco hereditário (suscetibilidade)
Fator relacionado ao tumor já diagnosticado
Função clínica
Indica Síndrome de Li-Fraumeni; orienta vigilância e aconselhamento genético
Orienta decisão terapêutica (ex.: quimioterapia adjuvante)
Rastreamento estendido + teste preditivo em familiares
Definição de tratamento adjuvante
TP53 p.R337H (Li-Fraumeni): Natureza (Suscetibilidade hereditária, Não é marcador prognóstico); Espectro tumoral (TAC na infância, Sarcomas, Tumores do SNC, Câncer de mama, Leucemias); Conduta (Aconselhamento genético, Rastreamento estendido, Teste preditivo em familiares)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a variante TP53 p.R337H é um marcador prognóstico de alto risco que indica quimioterapia adicional. Erro: a variante TP53 é um marcador de risco hereditário para desenvolvimento de tumores, não um marcador prognóstico do tumor já ressecado. A indicação de quimioterapia adjuvante no TAC baseia-se em fatores como estadiamento, idade, histologia e margens cirúrgicas, não na presença da mutação germinativa.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta porque a presença da variante TP53 p.R337H em heterozigose constitucional indica Síndrome de Li-Fraumeni, uma condição hereditária com risco aumentado para múltiplos tumores. A conduta adequada é oferecer aconselhamento genético à família e instituir rastreamento oncológico estendido para a criança e familiares de risco, visando detecção precoce de tumores do espectro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a p.R337H limita-se exclusivamente ao risco de TAC na infância. Erro: embora o TAC seja o tumor mais característico na infância com essa variante, a p.R337H também confere risco aumentado para outros tumores do espectro da Li-Fraumeni, como sarcomas, tumores do SNC, câncer de mama e leucemias. Portanto, o risco não se limita ao TAC.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a p.R337H é um marcador prognóstico de baixo risco que elimina a necessidade de quimioterapia adicional. Erro: a variante TP53 não é um marcador prognóstico do tumor; ela é um marcador de suscetibilidade hereditária. A decisão sobre quimioterapia adjuvante não é influenciada pela presença da mutação, mas sim por fatores prognósticos do próprio tumor. Além disso, a mutação não "elimina" a necessidade de quimioterapia se outros fatores a indicarem.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a p.R337H é uma variante comum nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, sendo mais grave em relação à síndrome de Li-Fraumeni clássica. Erro: a primeira parte está correta (é comum nessas regiões), mas a segunda parte é falsa: a p.R337H é considerada uma variante de penetrância reduzida e espectro tumoral mais restrito em comparação com a Li-Fraumeni clássica (que envolve outras mutações do TP53). Portanto, não é "mais grave"; na verdade, tende a ser menos penetrante.
Gabarito: letra B — a conduta correta é aconselhamento genético e rastreamento oncológico estendido para a criança e familiares.