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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg693945
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pediatria
Criança de 9 anos apresenta poliúria, polidipsia, perda de peso em curto intervalo de tempo e episódios frequentes de nictúria. Ao exame físico, observam-se infecções cutâneas de repetição e monilíase genital. A glicemia plasmática ao acaso foi de 235 mg/dL. Considerando o exposto, qual é o diagnóstico correto?
  1. AA dosagem de HbA1c é obrigatória para confirmar o diagnóstico em crianças.
  2. BO quadro clínico e o valor glicêmico são suficientes para confirmar o diagnóstico de diabetes melito.
  3. CO diagnóstico de diabetes não pode ser estabelecido sem a realização de teste oral de tolerância à glicose (TOTG).
  4. DA confirmação diagnóstica exige repetição da glicemia em outro dia, independentemente dos sintomas.
  5. ETrata-se de um quadro compatível apenas com pré-diabetes, sendo necessário acompanhamento clínico.
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GabaritoB — O quadro clínico e o valor glicêmico são suficientes para confirmar o diagnóstico de diabetes melito.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diabetes melito: diagnóstico em criança com sintomas clássicos

Gabarito: letra B. O quadro clínico (poliúria, polidipsia, perda de peso, nictúria, infecções de repetição) associado à glicemia plasmática ao acaso de 235 mg/dL é suficiente para confirmar o diagnóstico de diabetes melito, conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (R2) e da American Diabetes Association: na presença de sintomas típicos de hiperglicemia, glicemia aleatória ≥ 200 mg/dL estabelece o diagnóstico, sem necessidade de repetição ou de outros testes.

O diabetes melito (DM) é um grupo de doenças metabólicas caracterizado por hiperglicemia crônica, resultante de defeitos na secreção e/ou ação da insulina. O diagnóstico pode ser estabelecido por quatro critérios laboratoriais: glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5%, glicemia 2h pós-sobrecarga de 75g de glicose (TOTG) ≥ 200 mg/dL, ou glicemia plasmática ao acaso ≥ 200 mg/dL na presença de sintomas clássicos de hiperglicemia. A grande sacada desta questão é que, quando há sintomas inequívocos — como poliúria, polidipsia e perda de peso inexplicada —, um único valor de glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL já é suficiente para o diagnóstico, dispensando confirmação adicional. Isso é particularmente relevante em crianças, nas quais o DM tipo 1 costuma se apresentar de forma aguda e sintomática, muitas vezes com cetoacidose diabética. A banca explora exatamente essa exceção: a regra geral de repetir o exame alterado aplica-se a pacientes assintomáticos ou com elevações discretas; no paciente sintomático com glicemia francamente elevada, o diagnóstico é imediato.

Na prática, imagine uma criança de 9 anos que chega ao pronto-socorro com poliúria, polidipsia, perda de peso e candidíase genital, e a glicemia ao acaso é 235 mg/dL. Segundo as diretrizes, o diagnóstico de DM é confirmado na hora — não há necessidade de aguardar jejum, TOTG ou HbA1c. Isso evita atraso no início da insulinoterapia, que é crucial no DM tipo 1. A confusão que a banca tenta gerar é fazer o candidato acreditar que sempre é preciso repetir o exame ou fazer TOTG, mas isso só vale para situações assintomáticas ou com valores limítrofes.

A distinção que importa aqui é entre o paciente sintomático e o assintomático. No sintomático, um único valor de glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL fecha o diagnóstico. No assintomático, é necessária a confirmação com repetição do exame em outro dia, ou a presença de dois exames alterados (por exemplo, glicemia de jejum ≥ 126 e HbA1c ≥ 6,5%). Essa é a fronteira que separa as alternativas corretas das incorretas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você acreditar que o diagnóstico de diabetes sempre exige confirmação com repetição do exame ou TOTG. Mas isso só vale para pacientes assintomáticos. No caso da questão, a criança tem sintomas clássicos (poliúria, polidipsia, perda de peso) e glicemia ao acaso de 235 mg/dL — muito acima do corte de 200 mg/dL. Com sintomas, um único valor já é suficiente. Não caia na armadilha de exigir exames adicionais quando o quadro clínico é típico e o valor é francamente elevado.

1Com sintomas clássicos
Glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL
Confirma na hora, sem repetir
2Sem sintomas
Repetir exame em outro dia
Ou 2 exames alterados
3Critérios laboratoriais
Jejum ≥ 126 mg/dL
HbA1c ≥ 6,5%
TOTG 2h ≥ 200 mg/dL
Acaso ≥ 200 mg/dL (com sintomas)
Diagnóstico de DM
LEVELsoulevel.com.br
Diagnóstico de DM: Com sintomas clássicos (Glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL, Confirma na hora, sem repetir); Sem sintomas (Repetir exame em outro dia, Ou 2 exames alterados); Critérios laboratoriais (Jejum ≥ 126 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5%, TOTG 2h ≥ 200 mg/dL, Acaso ≥ 200 mg/dL (com sintomas))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a dosagem de HbA1c é obrigatória para confirmar o diagnóstico em crianças. Isso é falso: na presença de sintomas clássicos e glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL, o diagnóstico é estabelecido sem necessidade de HbA1c. A HbA1c é um dos critérios diagnósticos, mas não é obrigatória quando há sintomas e glicemia elevada. Além disso, em crianças, a HbA1c pode não ser o primeiro exame solicitado, especialmente em quadros agudos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O quadro clínico (poliúria, polidipsia, perda de peso, nictúria, infecções de repetição) e o valor glicêmico de 235 mg/dL são suficientes para confirmar o diagnóstico de diabetes melito. Isso está de acordo com a recomendação R2 da Sociedade Brasileira de Diabetes: na presença de sintomas típicos de hiperglicemia, glicemia plasmática ao acaso ≥ 200 mg/dL estabelece o diagnóstico. A criança apresenta sintomas clássicos e o valor está bem acima do corte, portanto o diagnóstico é imediato.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o diagnóstico não pode ser estabelecido sem TOTG. Isso é incorreto: o TOTG é apenas um dos critérios diagnósticos, e não é necessário quando há sintomas clássicos e glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL. O TOTG seria indicado em situações de dúvida diagnóstica, como em pacientes assintomáticos com glicemia de jejum alterada ou HbA1c limítrofe.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a confirmação diagnóstica exige repetição da glicemia em outro dia, independentemente dos sintomas. Isso é falso: a repetição é necessária apenas em pacientes assintomáticos ou com elevações discretas. No caso de sintomas típicos e glicemia ≥ 200 mg/dL, o diagnóstico é confirmado com um único exame, sem necessidade de repetição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que se trata de um quadro compatível apenas com pré-diabetes. Isso é incorreto: o pré-diabetes é caracterizado por glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL, glicemia 2h pós-sobrecarga entre 140 e 199 mg/dL, ou HbA1c entre 5,7% e 6,4%. A glicemia ao acaso de 235 mg/dL, associada a sintomas clássicos, é diagnóstica de diabetes melito, não de pré-diabetes.

Gabarito: letra B

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