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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg693948
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pediatria
A Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) é a principal causa de morbidade e mortalidade em RNPT, estando relacionada à imaturidade pulmonar e à deficiência de surfactante. Com base nos conhecimentos sobre fisiopatologia, fatores de risco, diagnóstico clínico e radiológico, assinale a alternativa correta.
  1. AA gasometria arterial geralmente demonstra hipoxemia isolada, sem alterações de CO₂ ou acidose.
  2. BO sexo feminino é mais frequentemente acometido pela SDR, devido à menor produção de surfactante.
  3. CA incidência de SDR é maior em recém-nascidos a termo (>37 semanas), devido à produção tardia de surfactante.
  4. DO principal componente tensoativo do surfactante é a fosfatidilcolina saturada (dipalmitoilfosfatidilcolina), responsável por reduzir a tensão superficial alveolar durante a expiração.
  5. ERadiografias torácicas em RN com SDR apresentam broncogramas aéreos em todos os casos, independentemente do uso de suporte ventilatório ou surfactante.
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GabaritoD — O principal componente tensoativo do surfactante é a fosfatidilcolina saturada (dipalmitoilfosfatidilcolina), responsável por reduzir a tensão superficial alveolar durante a expiração.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome do Desconforto Respiratório do Recém-Nascido (SDR neonatal)

Gabarito: letra D. A alternativa correta é a que identifica a dipalmitoilfosfatidilcolina (DPPC) como o principal componente tensoativo do surfactante, responsável por reduzir a tensão superficial alveolar durante a expiração — exatamente o papel fisiológico central do surfactante na prevenção do colapso alveolar. As demais alternativas contêm erros conceituais: a gasometria na SDR mostra hipoxemia com hipercapnia e acidose; o sexo masculino é mais acometido; a incidência é inversamente proporcional à idade gestacional (maior em prematuros); e o padrão radiológico clássico (broncogramas aéreos) pode ser atenuado ou ausente com o uso de surfactante e suporte ventilatório.

A Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) do recém-nascido, também chamada de doença da membrana hialina, é a principal causa de morbimortalidade respiratória em recém-nascidos pré-termo (RNPT). Ela decorre da imaturidade pulmonar, com deficiência quantitativa e qualitativa de surfactante — o complexo lipoproteico produzido pelos pneumócitos tipo II que reveste os alvéolos e reduz a tensão superficial, impedindo o colapso alveolar ao final da expiração. Sem surfactante suficiente, os alvéolos colapsam (atelectasia progressiva), gerando shunt intrapulmonar, hipoxemia e desconforto respiratório progressivo.

O surfactante é composto majoritariamente por fosfolipídios, sendo a fosfatidilcolina saturada (dipalmitoilfosfatidilcolina — DPPC) o componente mais abundante e o principal responsável pela atividade tensoativa. A DPPC se organiza em uma monocamada na interface ar-líquido alveolar e, durante a expiração, comprime-se reduzindo a tensão superficial a valores próximos de zero, evitando o colapso alveolar. Outros componentes incluem fosfatidilglicerol, proteínas surfactantes (SP-A, SP-B, SP-C, SP-D) e colesterol, mas é a DPPC que exerce o papel tensoativo essencial.

A produção de surfactante começa por volta da 24ª–28ª semana de gestação, mas atinge níveis adequados apenas próximo ao termo (≥ 35–36 semanas). Por isso, a incidência de SDR é inversamente proporcional à idade gestacional: quanto mais prematuro, maior o risco. Fatores de risco adicionais incluem sexo masculino (por atraso na maturação pulmonar em relação ao feminino), asfixia perinatal, diabetes materno (a hiperinsulinemia fetal inibe a síntese de surfactante), cesariana sem trabalho de parto e gemelaridade. O sexo feminino, ao contrário do que afirma a alternativa B, tem maturação pulmonar mais precoce e menor incidência de SDR.

O diagnóstico é clínico e radiológico. O RNPT apresenta, nas primeiras horas de vida, taquipneia, gemência expiratória, retrações intercostais, batimento de asa nasal e cianose, evoluindo com piora progressiva. A gasometria arterial revela hipoxemia, hipercapnia e acidose mista (respiratória e metabólica) — não hipoxemia isolada, como afirma a alternativa A. A radiografia de tórax clássica mostra infiltrado reticulogranular difuso bilateral (“vidro moído”) com broncogramas aéreos, decorrentes da atelectasia difusa contrastando com os brônquios preenchidos por ar. Contudo, esse padrão pode ser atenuado ou até ausente em casos leves, após administração de surfactante exógeno ou com o uso de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), que recruta alvéolos e reduz o contraste entre alvéolos colapsados e vias aéreas — contrariando a alternativa E, que afirma que os broncogramas aparecem em todos os casos, independentemente do tratamento.

A distinção crucial que separa as alternativas é o conhecimento da fisiologia do surfactante e dos fatores de risco da SDR: a alternativa D acerta ao descrever o papel da DPPC; as demais erram ao inverter sexo, idade gestacional, padrão gasométrico ou radiológico. Guarde esses quatro pilares — componente tensoativo, fatores de risco, gasometria e radiografia — pois são exatamente eles que a banca explora.

SDR neonatal
  • 1Fisiopatologia
    • Deficiência de surfactante
    • Atelectasia progressiva
    • Shunt intrapulmonar
  • 2Surfactante
    • DPPC (principal tensoativo)
    • Reduz tensão superficial na expiração
  • 3Fatores de risco
    • Prematuridade
    • Sexo masculino
    • Diabetes materno
  • 4Diagnóstico
    • Gasometria: hipoxemia + hipercapnia + acidose
    • RX: vidro moído + broncogramas
      • Atenuado com surfactante/CPAP
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a gasometria na SDR mostra hipoxemia isolada, sem alterações de CO₂ ou acidose. Erro: a SDR cursa com hipoxemia associada a hipercapnia e acidose mista (respiratória pela retenção de CO₂ e metabólica pelo acúmulo de lactato decorrente da hipóxia tecidual). A hipoxemia isolada sem hipercapnia seria mais compatível com outras causas de desconforto respiratório leve ou com shunt intracardíaco, não com a SDR clássica do prematuro.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o sexo feminino é mais acometido pela SDR devido à menor produção de surfactante. Erro: ocorre exatamente o oposto — o sexo masculino é mais acometido, pois a maturação pulmonar fetal é mais tardia em meninos. O estrogênio materno e outros fatores aceleram a síntese de surfactante no feto feminino, conferindo proteção relativa. A alternativa inverte o sexo de maior risco e a causa (menor produção de surfactante é a base da doença, mas não explica a diferença entre sexos).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a incidência de SDR é maior em recém-nascidos a termo (>37 semanas) devido à produção tardia de surfactante. Erro: a incidência é inversamente proporcional à idade gestacional — quanto mais prematuro, maior o risco. A produção de surfactante aumenta progressivamente com a maturação pulmonar, atingindo níveis adequados próximo ao termo. Portanto, RN a termo têm menor incidência, não maior. A alternativa inverte a relação entre idade gestacional e risco.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente o principal componente tensoativo do surfactante: a fosfatidilcolina saturada (dipalmitoilfosfatidilcolina — DPPC). Ela é o fosfolipídio mais abundante do surfactante e a principal responsável por reduzir a tensão superficial alveolar durante a expiração, evitando o colapso alveolar. A DPPC forma uma monocamada na interface ar-líquido que se comprime na expiração, reduzindo a tensão superficial a valores mínimos. Essa é a base fisiológica da função do surfactante e o conhecimento central da fisiopatologia da SDR.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que radiografias torácicas em RN com SDR apresentam broncogramas aéreos em todos os casos, independentemente do uso de suporte ventilatório ou surfactante. Erro: o padrão radiológico clássico da SDR (infiltrado reticulogranular difuso com broncogramas aéreos) é atenuado ou ausente em várias situações: em casos leves, após a administração de surfactante exógeno (que recruta alvéolos e reduz o contraste) e com o uso de CPAP ou ventilação com PEEP (que mantém os alvéolos abertos). Portanto, a presença de broncogramas aéreos não é universal e depende do tratamento instituído.

Gabarito: letra D — a única alternativa que descreve corretamente o componente tensoativo do surfactante e seu papel fisiológico.

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