Questão de Medicina — Urologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693960
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Pediatria
- AProteus.
- BAcinetobacter.
- CStreptococcus.
- DEscherichia coli.
- EEntamoeba histolytica.
GabaritoA — Proteus.
Gabarito: letra A. Os cálculos de estruvita (fosfato amônio-magnesiano) são consequência de infecções urinárias crônicas por microrganismos produtores de urease, e o Proteus é o exemplo clássico e mais comum desse grupo — a literatura médica o cita como o principal agente associado a esses cálculos. As demais alternativas não correspondem a esse mecanismo específico.
Os cálculos urinários são formações sólidas que se desenvolvem no trato urinário quando a urina fica supersaturada de determinados solutos. Eles são classificados conforme sua composição química, e cada tipo tem uma fisiopatologia própria. Os cálculos de estruvita — também chamados de cálculos de fosfato triplo, fosfato amônio-magnesiano ou cálculos infecciosos — são compostos por fosfato de amônio e magnésio, frequentemente associados a carbonato de cálcio-apatita. O que os torna únicos é a origem: eles não se formam por distúrbios metabólicos como os cálculos de cálcio ou ácido úrico, mas sim como consequência direta de uma infecção urinária.
O mecanismo é o seguinte: certas bactérias produzem a enzima urease, que hidrolisa a ureia presente na urina em amônia e dióxido de carbono. A amônia eleva o pH urinário (tornando a urina alcalina), e nesse ambiente alcalino o fosfato de amônio e magnésio precipita, formando os cristais e, posteriormente, os cálculos. Esses cálculos podem crescer rapidamente e, se não tratados, ocupar toda a pelve renal, formando os chamados cálculos coraliformes, que podem levar à doença renal crônica.
O Proteus mirabilis é o microrganismo mais frequentemente implicado nesse processo, sendo considerado o protótipo das bactérias produtoras de urease. Outros agentes que também produzem essa enzima incluem espécies de Klebsiella, Pseudomonas, Serratia, Staphylococcus e Providencia. A tabela abaixo resume os principais agentes:
Bactérias produtoras de urease | Exemplos |
|---|---|
Proteus (mais comum) | Proteus mirabilis |
Klebsiella | Klebsiella pneumoniae |
Pseudomonas | Pseudomonas aeruginosa |
Serratia | Serratia marcescens |
Staphylococcus | Staphylococcus aureus |
Providencia | Providencia stuartii |
A distinção crucial que a questão explora é entre o agente mais comum de ITU em geral e o agente associado a cálculos de estruvita. Enquanto a Escherichia coli é responsável por 75-95% das infecções urinárias não complicadas, ela não é produtora de urease e, portanto, não está associada à formação de cálculos infecciosos. Já o Proteus, embora seja um agente menos comum de ITU, é o principal responsável pelos cálculos de estruvita. Essa inversão — o agente mais comum de ITU não ser o agente dos cálculos infecciosos — é a pegadinha clássica da banca.
Guarde essa fronteira: ITU comum → E. coli; cálculo de estruvita → Proteus (produtor de urease). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
O Proteus é o agente clássico associado aos cálculos de estruvita. Ele produz a enzima urease, que hidrolisa a ureia em amônia, alcalinizando a urina e favorecendo a precipitação de fosfato de amônio e magnésio. A literatura médica o cita como o principal microrganismo envolvido nesse tipo de cálculo, sendo o exemplo mais cobrado em provas.
O Acinetobacter é um bacilo Gram-negativo que pode causar ITU, especialmente em ambiente hospitalar, mas não é produtor de urease e não está associado à formação de cálculos de estruvita. A banca o inclui como distrator por ser um agente de infecção urinária, mas sem a relação fisiopatológica específica com cálculos infecciosos.
O Streptococcus é um coco Gram-positivo que pode causar ITU, mas não produz urease e não está relacionado à formação de cálculos de estruvita. A confusão aqui seria pensar que qualquer bactéria causadora de ITU poderia gerar cálculos infecciosos, o que não é verdade — apenas as produtoras de urease têm esse potencial.
A Escherichia coli é o agente mais comum de ITU (75-95% dos casos), mas não produz urease. Por isso, não está associada à formação de cálculos de estruvita. Esta é a pegadinha central da questão: o candidato que sabe que E. coli é o principal uropatógeno pode marcá-la por associação automática, sem considerar o mecanismo específico dos cálculos infecciosos.
A Entamoeba histolytica é um protozoário causador de amebíase intestinal, não um agente de infecção urinária. Sua inclusão é um distrator absurdo, que testa se o candidato reconhece que cálculos urinários infecciosos são causados por bactérias, não por parasitas intestinais.
A banca explora a associação automática com a E. coli, o agente mais comum de ITU. Mas a questão não pergunta sobre ITU comum — pergunta sobre cálculos de estruvita, que têm fisiopatologia específica: exigem bactéria produtora de urease. O Proteus é o exemplo clássico. Lembre-se: ITU comum → E. coli; cálculo infeccioso → Proteus. Com esse raciocínio, você elimina a pegadinha de imediato 💪
Gabarito: letra A
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