Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg693972
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pediatria
Em recém-nascidos (RN) com estenose pulmonar crítica, a rigidez do ventrículo direito reduz a complacência e eleva significativamente a pressão intracavitária, causando desvio anômalo do sangue, podendo resultar em hipóxia e cianose. Esse quadro decorre principalmente de qual fator?
AComunicação interventricular ampla com fluxo bidirecional.
BComunicação interatrial com fluxo da esquerda para a direita.
CPresença de um canal arterial com fluxo da esquerda para a direita.
DPresença de um forame oval patente com fluxo da direita para a esquerda.
ERedução do fluxo sistêmico devido à obstrução do trato de saída do ventrículo esquerdo.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Presença de um forame oval patente com fluxo da direita para a esquerda.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Estenose pulmonar crítica no recém-nascido: fisiopatologia da cianose
Gabarito: letra D. Na estenose pulmonar crítica, a rigidez do ventrículo direito eleva a pressão intracavitária, fazendo com que o sangue venoso (pobre em oxigênio) seja desviado da direita para a esquerda através do forame oval patente, causando hipóxia e cianose. Esse é o mecanismo central que a alternativa D descreve corretamente.
A estenose pulmonar crítica é uma cardiopatia congênita cianótica em que há obstrução grave ao fluxo sanguíneo do ventrículo direito para a artéria pulmonar. No feto, o fluxo pulmonar é mantido pelo canal arterial, mas após o nascimento, com o fechamento fisiológico do canal, o fluxo pulmonar torna-se dependente da via obstruída. A consequência é um aumento acentuado da pressão no ventrículo direito, que se torna rígido e pouco complacente. Essa hipertensão no lado direito do coração faz com que, no nível atrial, a pressão do átrio direito ultrapasse a do átrio esquerdo, invertendo o gradiente de pressão através do forame oval. O sangue venoso, então, atravessa o forame oval da direita para a esquerda, misturando-se ao sangue oxigenado do átrio esquerdo e resultando em cianose central.
Para entender por que as outras alternativas estão incorretas, é preciso distinguir os shunts que produzem cianose daqueles que não produzem. Um shunt da esquerda para a direita (como na comunicação interatrial ou no canal arterial) não causa cianose, pois o sangue oxigenado é desviado para o lado direito, aumentando o fluxo pulmonar, mas mantendo a saturação sistêmica normal. Já um shunt da direita para a esquerda, como o que ocorre no forame oval patente sob hipertensão direita, é o que causa cianose, pois sangue não oxigenado é desviado para a circulação sistêmica. A comunicação interventricular ampla com fluxo bidirecional pode ocorrer em algumas cardiopatias, mas na estenose pulmonar crítica o defeito que permite o desvio é o forame oval, não a comunicação interventricular. A redução do fluxo sistêmico por obstrução do trato de saída do ventrículo esquerdo não é o mecanismo da cianose nesse contexto.
A banca explora exatamente a confusão entre os tipos de shunt e a direção do fluxo. O candidato que sabe que a cianose depende de um shunt direito-esquerdo acerta a questão; o que confunde a direção do fluxo ou o local do defeito erra. A chave é lembrar que, na estenose pulmonar crítica, o forame oval patente funciona como via de escape para o sangue venoso, que não consegue chegar aos pulmões pela via normal.
1Obstrução grave do fluxo VD→artéria pulmonar
2Hipertensão no VD e átrio direito
3Inversão do gradiente atrial
4Shunt direita→esquerda no forame oval
5Mistura de sangue venoso → cianose
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A comunicação interventricular ampla com fluxo bidirecional não é o mecanismo principal da cianose na estenose pulmonar crítica. Nessa cardiopatia, o defeito que permite o desvio direito-esquerdo é o forame oval patente, não a comunicação interventricular. Além disso, um fluxo bidirecional na comunicação interventricular não é o que causa a hipóxia descrita no enunciado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A comunicação interatrial com fluxo da esquerda para a direita não causa cianose, pois desvia sangue oxigenado para o lado direito, aumentando o fluxo pulmonar. Na estenose pulmonar crítica, o fluxo através do forame oval é da direita para a esquerda, não o contrário. A alternativa inverte a direção do shunt.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O canal arterial com fluxo da esquerda para a direita também não causa cianose, pois desvia sangue oxigenado da aorta para a artéria pulmonar. Na estenose pulmonar crítica, o canal arterial pode ser importante para manter o fluxo pulmonar, mas o fluxo é da aorta para a artéria pulmonar (esquerda-direita), não o contrário. A cianose decorre do shunt direito-esquerdo no forame oval, não do canal arterial.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A presença de um forame oval patente com fluxo da direita para a esquerda é exatamente o mecanismo que explica a cianose na estenose pulmonar crítica. A hipertensão no ventrículo direito eleva a pressão no átrio direito, invertendo o gradiente atrial e fazendo o sangue venoso atravessar o forame oval da direita para a esquerda, misturando-se ao sangue oxigenado e causando hipóxia e cianose. Essa é a via de escape que permite a sobrevivência do RN, mas ao custo de dessaturação sistêmica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A redução do fluxo sistêmico devido à obstrução do trato de saída do ventrículo esquerdo não é o mecanismo da cianose na estenose pulmonar crítica. A obstrução nessa cardiopatia é no trato de saída do ventrículo direito (estenose pulmonar), não do ventrículo esquerdo. A cianose decorre do shunt direito-esquerdo no forame oval, não de uma obstrução à esquerda.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a direção do shunt e o local do defeito. O candidato que confunde forame oval com comunicação interventricular, ou inverte o sentido do fluxo (esquerda-direita em vez de direita-esquerda), cai nas alternativas A, B ou C. Lembre-se: cianose = shunt direito-esquerdo; na estenose pulmonar crítica, o forame oval é a via.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de cardiopatia congênita cianótica, monte um fluxo mental: obstrução à direita → hipertensão direita → shunt direito-esquerdo (forame oval ou comunicação interventricular) → cianose. Se a alternativa falar em shunt esquerda-direita, descarte-a como causa de cianose.