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Questão de Medicina — Pneumologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPneumologia
Código
qg693974
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia Pediátrica
Uma lactente de 6 meses de idade com histórico de prematuridade (nascida com 32 semanas) e uma hospitalização prévia por bronquiolite viral aos 3 meses está em acompanhamento. Ela recebeu apenas a primeira dose da vacina contra influenza há 3 semanas. Recentemente, sua mãe foi diagnosticada com influenza A, confirmada por teste rápido, e iniciou tratamento antiviral. A lactente está afebril e assintomática, mas a família está muito apreensiva com o risco de a bebê desenvolver influenza devido ao seu histórico de vulnerabilidade. Considerando a alta probabilidade de exposição à influenza e a maior vulnerabilidade dessa lactente a complicações graves, qual é a conduta mais apropriada para prevenir a infecção nesse momento, de acordo com as diretrizes pediátricas?
  1. AAdministrar a segunda dose da vacina influenza imediatamente, independentemente do intervalo entre as doses, para acelerar a imunização.
  2. BIniciar quimioprofilaxia com oseltamivir oral, ajustado ao peso, por 10 dias.
  3. CManter apenas observação vigilante da lactente, com tratamento sintomático caso surjam sinais ou sintomas de influenza.
  4. DPrescrever um antibiótico de largo espectro para prevenir possíveis infecções bacterianas secundárias que possam ocorrer com a influenza.
  5. ERealizar teste rápido para influenza na lactente e, se positivo, iniciar o tratamento antiviral.
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GabaritoB — Iniciar quimioprofilaxia com oseltamivir oral, ajustado ao peso, por 10 dias.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Quimioprofilaxia da influenza em lactente de alto risco

Gabarito: letra B. Diante de exposição domiciliar confirmada à influenza A em lactente de 6 meses, prematura (32 semanas) e com antecedente de bronquiolite viral — portanto de alto risco para complicações —, a conduta mais apropriada é iniciar quimioprofilaxia com oseltamivir oral, ajustado ao peso, por 10 dias, conforme as diretrizes pediátricas (AAP/CDC). A vacina, embora essencial, não protege imediatamente (leva cerca de 2 semanas para gerar resposta imune plena), e a lactente recebeu a primeira dose há apenas 3 semanas, estando ainda desprotegida no momento da exposição.

A quimioprofilaxia antiviral é a medida central para prevenir a infecção após exposição ao vírus influenza em indivíduos de alto risco, especialmente quando a vacinação não foi completa ou não houve tempo suficiente para o desenvolvimento de imunidade. O oseltamivir é um inibidor da neuraminidase, enzima essencial para a liberação de novas partículas virais das células infectadas; ao bloqueá-la, o fármaco impede a disseminação do vírus no trato respiratório, atuando tanto no tratamento quanto na prevenção. A profilaxia deve ser iniciada o mais precocemente possível após a exposição (idealmente dentro de 48 horas) e mantida por 10 dias, período que cobre a janela de incubação do vírus (1 a 4 dias, em média 2).

A indicação de quimioprofilaxia baseia-se no risco de complicações graves. Nesta lactente, os fatores de risco são múltiplos e cumulativos: prematuridade (idade gestacional de 32 semanas), idade inferior a 2 anos (especialmente < 6 meses, faixa com maior taxa de hospitalização) e antecedente de bronquiolite viral, que sugere hiper-reatividade brônquica e maior vulnerabilidade respiratória. A exposição domiciliar a um caso confirmado de influenza A configura contato próximo e prolongado, com alta probabilidade de transmissão. Nesse cenário, a conduta expectante (observação vigilante) é insuficiente, pois a lactente está no grupo em que a infecção pode evoluir rapidamente para síndrome respiratória aguda grave, pneumonia viral primária ou infecção bacteriana secundária.

A vacina influenza, por sua vez, é a principal ferramenta de prevenção primária, mas sua eficácia não é imediata: a resposta imune protetora (produção de anticorpos neutralizantes) leva cerca de 2 semanas após a dose. Como a lactente recebeu a primeira dose há apenas 3 semanas, ela pode até ter iniciado a soroconversão, mas não se pode garantir proteção plena — e, em crianças menores de 9 anos que recebem a vacina pela primeira vez, são recomendadas duas doses com intervalo de 4 semanas, justamente para assegurar resposta imune adequada. Administrar a segunda dose imediatamente, sem respeitar o intervalo mínimo, não acelera a imunização de forma segura e não confere proteção imediata contra a exposição atual; a segunda dose deve ser dada no intervalo recomendado (4 semanas), e a quimioprofilaxia cobre o período de vulnerabilidade.

A distinção crucial que decide esta questão é entre prevenção pós-exposição (quimioprofilaxia antiviral) e prevenção pré-exposição (vacinação). A vacina protege a longo prazo, mas não na janela imediata pós-exposição; o antiviral protege imediatamente, mas apenas durante o período de uso. Em situações de exposição recente a caso confirmado, em paciente de alto risco, a quimioprofilaxia é a conduta que preenche a lacuna deixada pela vacinação incompleta. Antibióticos não têm nenhum papel na prevenção de infecções virais — seu uso profilático não previne pneumonia bacteriana secundária e contribui para resistência antimicrobiana. O teste rápido na lactente assintomática não está indicado como rotina: a quimioprofilaxia é iniciada com base na exposição e no risco, independentemente do resultado do teste, e um teste negativo não exclui infecção incipiente (sensibilidade limitada).

Guarde a fronteira entre profilaxia (paciente exposto, assintomático) e tratamento (paciente sintomático): é exatamente nela que as alternativas se dividem — a lactente está assintomática, logo a conduta é profilática, não terapêutica.

  1. 1Exposição a caso confirmado?
  2. 2Paciente de alto risco?
  3. 3Assintomático?
  4. 4Quimioprofilaxia (oseltamivir 10 dias)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Administrar a segunda dose da vacina influenza imediatamente, independentemente do intervalo, é um erro duplo. Primeiro, o intervalo mínimo entre as duas doses da vacina influenza em crianças menores de 9 anos que recebem a vacina pela primeira vez é de 4 semanas; antecipá-lo não acelera a soroconversão e pode comprometer a resposta imune. Segundo, e mais importante, a vacina não confere proteção imediata: mesmo que a segunda dose fosse aplicada agora, a lactente continuaria vulnerável durante as próximas 2 semanas, exatamente o período de maior risco após a exposição. A vacinação é prevenção primária de longo prazo; a quimioprofilaxia é a medida que protege na janela imediata.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Iniciar quimioprofilaxia com oseltamivir oral, ajustado ao peso, por 10 dias é a conduta correta. A lactente tem exposição domiciliar confirmada a caso de influenza A e apresenta múltiplos fatores de risco para complicações graves (prematuridade, idade < 6 meses, bronquiolite prévia). A quimioprofilaxia com inibidor de neuraminidase está indicada para prevenção pós-exposição em indivíduos de alto risco, devendo ser iniciada o mais precocemente possível (idealmente < 48h da exposição) e mantida por 10 dias. A dose é ajustada ao peso (em lactentes, tipicamente 3 mg/kg/dose, uma vez ao dia, por 10 dias — o ajuste individual deve seguir a bula e as diretrizes vigentes). A vacinação incompleta (apenas 1 dose há 3 semanas) não contraindica a profilaxia; ao contrário, reforça sua indicação, pois a lactente ainda não desenvolveu imunidade plena.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Manter apenas observação vigilante é conduta inadequada para um paciente de alto risco com exposição confirmada. Embora a lactente esteja assintomática, o risco de desenvolver influenza grave e complicações (pneumonia, bronquiolite, insuficiência respiratória) é significativamente elevado. A conduta expectante poderia ser considerada em paciente de baixo risco, mas não neste caso. A quimioprofilaxia é a medida que reduz a incidência de influenza e suas complicações nessa população vulnerável; aguardar o surgimento de sintomas para então tratar é perder a janela de prevenção.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Prescrever antibiótico de largo espectro para prevenir infecções bacterianas secundárias é um erro conceitual grave. Antibióticos não têm ação antiviral e não previnem pneumonia bacteriana secundária; seu uso profilático em pacientes assintomáticos sem indicação específica é desaconselhado, pois não traz benefício, expõe a paciente a efeitos adversos e contribui para a resistência antimicrobiana. A prevenção de complicações bacterianas da influenza se faz com a prevenção da própria infecção viral (vacina + quimioprofilaxia) e com vigilância ativa para tratamento precoce se surgirem sinais de superinfecção.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Realizar teste rápido para influenza na lactente e, se positivo, iniciar tratamento antiviral confunde profilaxia com tratamento. A lactente está assintomática; a conduta indicada é quimioprofilaxia, não tratamento. Além disso, o teste rápido tem sensibilidade limitada (especialmente em crianças pequenas) e um resultado negativo não exclui infecção incipiente — a decisão de iniciar profilaxia baseia-se na exposição e no risco, não no resultado do teste. Realizar o teste e aguardar o resultado atrasaria o início da profilaxia, reduzindo sua eficácia. Se a lactente desenvolvesse sintomas, aí sim o teste e o tratamento seriam apropriados.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre profilaxia (paciente exposto, assintomático → oseltamivir por 10 dias) e tratamento (paciente sintomático → oseltamivir por 5 dias). A alternativa E parece razoável, mas inverte o raciocínio: não se espera o teste positivo para agir na profilaxia — age-se pela exposição e pelo risco. Da mesma forma, a alternativa A tenta seduzir com a ideia de "acelerar a imunização", mas a vacina não protege imediatamente. Reconhecer o status clínico (assintomático × sintomático) é a chave para não cair.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, monte o fluxo mental: (1) houve exposição a caso confirmado? (2) o paciente é de alto risco? (3) está sintomático ou assintomático? Se exposição + alto risco + assintomático → quimioprofilaxia com oseltamivir por 10 dias. Se sintomático → tratamento por 5 dias. A vacina é sempre indicada, mas nunca substitui a profilaxia na janela imediata pós-exposição.

Gabarito: letra B — quimioprofilaxia com oseltamivir oral por 10 dias é a conduta apropriada para prevenir influenza em lactente de alto risco após exposição domiciliar confirmada.

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