Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg693975
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia Pediátrica
Um recém-nascido a termo, de 20 dias de vida, está em acompanhamento domiciliar. A mãe está preocupada com a alta incidência de casos de coqueluche (pertússis) na comunidade. A mãe recebeu vacina para pertússis na gestação. O recém-nascido ainda não recebeu a primeira dose da vacina DTPa, prevista para os 2 meses de idade. Considerando a alta vulnerabilidade do recém-nascido à coqueluche e a potencial exposição familiar, qual é a estratégia de prevenção mais eficaz e recomendada para proteger o bebê nessa situação?
AIniciar o esquema vacinal do recém-nascido com a primeira dose da DTPa imediatamente, independentemente da idade.
BPrescrever antibioticoprofilaxia (ex: azitromicina) para o recém-nascido e todos os contatos domiciliares.
CManter o recém-nascido em isolamento social rigoroso até que ele complete o esquema vacinal primário aos 6 meses de idade.
DRecomendar que a mãe amamente o bebê exclusivamente, pois a imunidade passiva pelo leite materno é suficiente para proteção contra coqueluche.
EOrientar a vacinação de todos os contatos próximos do recém-nascido (pais, avós, cuidadores, etc.) com a vacina dTpa (estratégia cocooning).
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GabaritoE — Orientar a vacinação de todos os contatos próximos do recém-nascido (pais, avós, cuidadores, etc.) com a vacina dTpa (estratégia cocooning).
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Coqueluche no recém-nascido: estratégia de prevenção (cocooning)
Gabarito: letra E. A estratégia mais eficaz e recomendada para proteger o recém-nascido de 20 dias, ainda não vacinado contra a coqueluche, é a vacinação de todos os contatos próximos com a vacina dTpa (estratégia cocooning), pois adolescentes e adultos são a principal fonte de transmissão da doença em surtos intradomiciliares. Essa conduta cria um "casulo" de proteção ao redor do bebê, reduzindo o risco de exposição à Bordetella pertussis até que ele possa receber as próprias vacinas.
A coqueluche é uma doença infecciosa aguda, altamente transmissível, causada pela bactéria Bordetella pertussis, que acomete o epitélio ciliado do trato respiratório. A transmissão ocorre por gotículas de secreção respiratória de pessoas infectadas, e a doença é especialmente grave em lactentes menores de 1 ano, que apresentam maior risco de complicações e óbito. No Brasil, cerca de 50% dos casos notificados ocorrem nessa faixa etária, e a doença é uma das principais causas de morte evitável por vacina nesse grupo.
A principal fonte de infecção para o recém-nascido são os contatos domiciliares — pais, avós, irmãos e cuidadores —, que podem estar com coqueluche de forma atípica ou mesmo assintomática, especialmente adolescentes e adultos, cuja imunidade vacinal ou natural pode ter diminuído com o tempo. Por isso, a estratégia de "cocooning" (casulo) é fundamental: vacinar todos os contatos próximos com a vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto) para criar uma barreira de proteção ao redor do bebê, impedindo que ele seja exposto ao patógeno.
A vacinação da gestante com dTpa, que a mãe do bebê já recebeu, é uma medida importante, pois permite a transferência de anticorpos maternos ao feto, protegendo-o nos primeiros meses de vida. No entanto, essa proteção passiva não é completa e diminui rapidamente, não sendo suficiente para proteger o recém-nascido de uma exposição intensa e prolongada, como a que ocorre no ambiente domiciliar. O leite materno, embora contenha anticorpos, também não oferece proteção suficiente contra a coqueluche, pois a doença se instala nas vias aéreas superiores e a imunidade transmitida pelo leite é principalmente do tipo IgA secretora, que não impede a colonização e a infecção pelo Bordetella pertussis.
A primeira dose da vacina DTPa (tríplice bacteriana acelular infantil) está prevista para os 2 meses de idade, e não se deve antecipá-la, pois o sistema imunológico do recém-nascido ainda não está maduro para responder adequadamente à vacina, e a vacinação antes dessa idade não é recomendada pelas diretrizes do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O isolamento social rigoroso até os 6 meses é uma medida extrema, de difícil adesão e que não é recomendada como estratégia de rotina, pois o risco de transmissão pode ser minimizado com medidas mais efetivas e menos restritivas, como a vacinação dos contatos.
A antibioticoprofilaxia (quimioprofilaxia) é indicada para comunicantes vulneráveis, como recém-nascidos que tiveram contato com caso suspeito ou confirmado de coqueluche, mas não é recomendada de forma rotineira para todos os contatos domiciliares sem a confirmação de exposição. A profilaxia com azitromicina é uma medida de controle em situações específicas de surto, mas não substitui a vacinação como estratégia de prevenção primária.
Portanto, a estratégia mais eficaz e recomendada para proteger o recém-nascido nessa situação é a vacinação de todos os contatos próximos com a vacina dTpa (estratégia cocooning), que reduz a circulação da bactéria no ambiente familiar e, consequentemente, o risco de transmissão para o bebê.
Prevenção de coqueluche no RN: Vacinação da gestante (dTpa) (Transfere anticorpos ao feto, Proteção parcial e passageira); Cocooning (contatos com dTpa) (Barreira ao redor do bebê, Fonte: adultos/adolescentes); Vacina DTPa no RN (A partir dos 2 meses, Antecipar não é recomendado); Antibioticoprofilaxia (Só em exposição confirmada, Uso rotineiro: não indicado); Leite materno (Não protege contra coqueluche)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Iniciar o esquema vacinal do recém-nascido com a primeira dose da DTPa imediatamente, independentemente da idade, é incorreto. A vacina DTPa é recomendada a partir dos 2 meses de idade, pois antes disso o sistema imunológico do bebê não responde adequadamente à vacina, e a antecipação não é respaldada pelas diretrizes do PNI e da SBP. A vacinação precoce não confere proteção eficaz e pode até mesmo interferir na resposta imunológica às doses subsequentes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Prescrever antibioticoprofilaxia (ex: azitromicina) para o recém-nascido e todos os contatos domiciliares é incorreto como estratégia de prevenção primária. A quimioprofilaxia é indicada apenas para comunicantes vulneráveis que tiveram contato com caso suspeito ou confirmado de coqueluche, como recém-nascidos, crianças não vacinadas ou com esquema incompleto, e pessoas com condições de risco. Não é recomendada de forma rotineira para todos os contatos sem a confirmação de exposição, e o uso indiscriminado de antibióticos pode levar ao desenvolvimento de resistência bacteriana.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Manter o recém-nascido em isolamento social rigoroso até que ele complete o esquema vacinal primário aos 6 meses de idade é incorreto. O isolamento social é uma medida extrema, de difícil adesão e que não é recomendada como estratégia de rotina para prevenção da coqueluche. A vacinação dos contatos (cocooning) é uma medida mais efetiva e menos restritiva, pois reduz a circulação da bactéria no ambiente familiar sem privar o bebê do convívio social e do aleitamento materno.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Recomendar que a mãe amamente o bebê exclusivamente, pois a imunidade passiva pelo leite materno é suficiente para proteção contra coqueluche, é incorreto. Embora o leite materno contenha anticorpos, especialmente IgA secretora, essa imunidade não é suficiente para proteger o recém-nascido contra a coqueluche, pois a doença se instala nas vias aéreas superiores e a IgA secretora não impede a colonização e a infecção pela Bordetella pertussis. A amamentação é fundamental para a saúde do bebê, mas não substitui a vacinação como estratégia de prevenção.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Orientar a vacinação de todos os contatos próximos do recém-nascido (pais, avós, cuidadores, etc.) com a vacina dTpa (estratégia cocooning) é a estratégia mais eficaz e recomendada. Essa conduta cria uma barreira de proteção ao redor do bebê, reduzindo o risco de exposição à Bordetella pertussis, pois adolescentes e adultos são a principal fonte de transmissão da doença em surtos intradomiciliares. A vacinação dos contatos é uma medida de prevenção primária que complementa a vacinação da gestante e a vacinação do próprio bebê a partir dos 2 meses de idade.