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Questão de Medicina — Pneumologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPneumologia
Código
qg693980
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia Pediátrica
Uma criança de 6 anos é encaminhada ao pneumologista pediátrico por tosse crônica, dispneia aos esforços e episódios de sibilância que não respondem a broncodilatadores. No histórico, consta uma internação prolongada em UTI aos 6 meses de vida por uma bronquiolite grave, com necessidade de ventilação mecânica por 15 dias. A espirometria mostra obstrução brônquica grave e fixa (sem resposta ao broncodilatador). A tomografia computadorizada de tórax de alta resolução revela um padrão de perfusão em mosaico com áreas de aprisionamento aéreo. Diante desse quadro clínico, do histórico infeccioso e dos achados de imagem, qual é o impacto ou sequela de longo prazo mais provável da bronquiolite inicial?
  1. AAsma de difícil controle refratária a tratamento.
  2. BSibilância recorrente induzida por vírus, de curso benigno.
  3. CFibrose cística não diagnosticada, manifestada após a infecção.
  4. DBronquiolite obliterante pós-infecciosa.
  5. EBronquiectasias secundárias a infecções bacterianas de repetição.
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GabaritoD — Bronquiolite obliterante pós-infecciosa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Bronquiolite obliterante pós-infecciosa: diagnóstico e sequela

Gabarito: letra D. O quadro clínico — criança com história de bronquiolite grave aos 6 meses, com necessidade de ventilação mecânica, que evolui com tosse crônica, sibilância e obstrução brônquica fixa (sem resposta ao broncodilatador) — associado ao padrão de perfusão em mosaico na tomografia é altamente sugestivo de bronquiolite obliterante pós-infecciosa, uma sequela fibrótica das pequenas vias aéreas. A obstrução fixa e a ausência de resposta ao broncodilatador são os achados-chave que a diferenciam da asma.

A bronquiolite obliterante (BO) é uma doença pulmonar obstrutiva crônica, caracterizada por inflamação e fibrose das pequenas vias aéreas (bronquíolos), que leva à obliteração parcial ou total da luz. Na criança, a causa mais comum é a pós-infecciosa, geralmente após uma bronquiolite ou pneumonia viral grave, frequentemente por adenovírus. A infecção viral intensa desencadeia uma resposta inflamatória exuberante que destrói o epitélio bronquiolar e promove a deposição de tecido fibroso, obstruindo o fluxo aéreo de forma irreversível.

O diagnóstico é essencialmente clínico-radiológico. A história de infecção respiratória grave (com internação em UTI e ventilação mecânica) em um lactente, seguida de sintomas obstrutivos persistentes (tosse, sibilância, dispneia) que não respondem a broncodilatadores, é o cenário clássico. A espirometria mostra obstrução fixa (VEF1 reduzido, sem resposta significativa ao broncodilatador). A tomografia de alta resolução (TCAR) revela o padrão de perfusão em mosaico, com áreas de aprisionamento aéreo (hipoatenuação) intercaladas com áreas de hiperatenuação (vasos mais calibrosos), refletindo a hipoventilação e o dano vascular regional.

A principal distinção é com a asma, que também cursa com sibilância e obstrução, mas tem caráter variável e reversível (resposta ao broncodilatador e aos corticoides). Na BO, a obstrução é fixa e a resposta ao broncodilatador é ausente ou mínima. Outros diagnósticos diferenciais incluem fibrose cística, displasia broncopulmonar, imunodeficiências e aspiração recorrente, mas a combinação de história, exame e imagem aponta fortemente para a BO pós-infecciosa.

A banca explora a confusão entre a BO e a asma, especialmente em crianças com história de sibilância. A palavra-chave é "fixa": na asma, a obstrução é variável e reversível; na BO, é fixa e irreversível. Além disso, a história de bronquiolite grave com ventilação mecânica é um forte preditor de BO, não de asma.

Bronquiolite obliterante pós-infecciosa
  • 1Causa
    • Bronquiolite viral grave (ex.: adenovírus)
    • Resposta inflamatória → fibrose bronquiolar
  • 2Quadro clínico
    • Tosse crônica, sibilância, dispneia
    • Obstrução fixa (sem resposta ao broncodilatador)
  • 3Diagnóstico
    • TCAR: perfusão em mosaico + aprisionamento aéreo
    • Espirometria: VEF1 reduzido, irreversível
  • 4Diferenciais
    • Asma (obstrução variável e reversível)
    • Bronquiectasias (dilatação brônquica, tosse produtiva)
    • Fibrose cística (doença congênita, teste do suor)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A asma de difícil controle é uma possibilidade, mas o quadro descrito é de obstrução fixa, sem resposta ao broncodilatador, o que não é característico da asma. Na asma, a obstrução é variável e reversível, com resposta aos broncodilatadores e corticoides. A história de bronquiolite grave com ventilação mecânica e o padrão em mosaico na TC são mais sugestivos de sequela estrutural (BO) do que de asma.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sibilância recorrente induzida por vírus (lactente sibilante) é um quadro comum e geralmente benigno, com resolução espontânea na maioria dos casos. No entanto, a gravidade do quadro inicial (bronquiolite grave com ventilação mecânica), a persistência dos sintomas e a obstrução fixa na espirometria indicam uma sequela mais grave, não um curso benigno.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A fibrose cística (FC) é uma doença genética que pode se manifestar com sintomas respiratórios, mas o quadro descrito não é típico. A FC geralmente cursa com tosse produtiva, infecções de repetição, má ganho ponderal e esteatorreia, além de alterações no teste do suor. A história de bronquiolite grave seguida de obstrução fixa e padrão em mosaico é mais compatível com BO pós-infecciosa. A FC não é "manifestada após a infecção" — é uma doença congênita.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A bronquiolite obliterante pós-infecciosa é a sequela mais provável. A história de bronquiolite grave (com internação em UTI e ventilação mecânica) em um lactente, seguida de sintomas obstrutivos persistentes (tosse, sibilância, dispneia) que não respondem a broncodilatadores, com obstrução fixa na espirometria e padrão de perfusão em mosaico na TCAR, é o cenário clássico da doença. A BO é uma doença fibrótica das pequenas vias aéreas, geralmente desencadeada por infecção viral grave (frequentemente adenovírus), que leva à obstrução irreversível do fluxo aéreo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

As bronquiectasias são dilatações anormais e permanentes dos brônquios, geralmente secundárias a infecções bacterianas de repetição. O quadro descrito não é típico: a obstrução fixa e o padrão em mosaico são mais sugestivos de doença de pequenas vias aéreas (BO) do que de bronquiectasias, que cursam com tosse produtiva, infecções recorrentes e, na TC, dilatação brônquica com espessamento de parede.

Gabarito: letra D

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