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Questão de Medicina — Pneumologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPneumologia
Código
qg693981
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia Pediátrica
Um lactente de 8 meses com diagnóstico prévio de Atrofia Muscular Espinhal (AME) Tipo 1 é internado com bronquiolite viral. Ele apresenta tosse fraca e ineficaz, e a aspiração de vias aéreas superiores revela secreções espessas e abundantes. O paciente está com desconforto respiratório moderado, sem instabilidade hemodinâmica. Um médico residente sugere iniciar VNI para reduzir o trabalho respiratório. Qual fator representa a principal contraindicação relativa-para-absoluta para o uso de VNI nesse paciente específico, tornando a terapia potencialmente perigosa?
  1. AA idade do paciente, pois a VNI é menos eficaz em lactentes com menos de 1 ano.
  2. BA presença de doença neuromuscular de base, que sempre contraindica o uso de VNI.
  3. CA incapacidade de manejar secreções abundantes devido à tosse ineficaz, com alto risco de obstrução distal das vias aéreas e atelectasia.
  4. DO risco de vômito e aspiração, que pode ser mitigado com o uso de sonda nasogástrica.
  5. EA necessidade de altas pressões para ventilar, que podem não ser alcançadas com a VNI.
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GabaritoC — A incapacidade de manejar secreções abundantes devido à tosse ineficaz, com alto risco de obstrução distal das vias aéreas e atelectasia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ventilação não invasiva (VNI) em lactente com AME tipo 1 e bronquiolite

Gabarito: letra C. A principal contraindicação relativa-para-absoluta para o uso de VNI neste paciente é a incapacidade de manejar secreções abundantes devido à tosse ineficaz, com alto risco de obstrução distal das vias aéreas e atelectasia. A presença de secreção abundante com risco de aspiração é uma contraindicação clássica ao uso de VNI, pois a pressão positiva pode empurrar as secreções para as vias aéreas distais, agravando a obstrução e a atelectasia.

A ventilação não invasiva (VNI) é uma modalidade de suporte ventilatório que aplica pressão positiva nas vias aéreas por meio de uma interface (máscara nasal, facial ou pronga nasal), sem a necessidade de via aérea artificial (tubo orotraqueal ou traqueostomia). Seu objetivo é reduzir o trabalho respiratório, melhorar a oxigenação e a ventilação alveolar, e evitar a intubação orotraqueal. No entanto, a VNI tem contraindicações absolutas e relativas que devem ser rigorosamente avaliadas, especialmente em pacientes com doença neuromuscular, como a Atrofia Muscular Espinhal (AME) tipo 1.

Na AME tipo 1, há fraqueza muscular grave, incluindo a musculatura respiratória (intercostais e diafragma), o que resulta em tosse fraca e ineficaz, dificuldade de eliminar secreções e predisposição a atelectasias e infecções respiratórias. A bronquiolite viral aguda, por sua vez, causa inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas, com produção aumentada de secreções. A combinação desses dois fatores — tosse ineficaz e secreções abundantes — torna o manejo das secreções um desafio crítico. A VNI, ao gerar pressão positiva, pode deslocar as secreções para as vias aéreas mais distais, piorando a obstrução e a atelectasia, e aumentando o risco de aspiração. Por isso, a incapacidade de proteger as vias aéreas e manejar secreções é uma contraindicação relativa-para-absoluta ao uso de VNI.

As contraindicações ao uso de VNI são bem estabelecidas na literatura e incluem: parada cardiorrespiratória, impossibilidade de proteção das vias aéreas, secreção abundante com risco de aspiração, agitação importante ou recusa do paciente, rebaixamento do nível de consciência (exceto em DPOC com hipercapnia), instabilidade hemodinâmica, trauma ou deformidade facial, obstrução de via aérea, entre outras. No paciente com AME tipo 1, a fraqueza da musculatura respiratória e a tosse ineficaz são fatores que agravam o risco de acúmulo de secreções, tornando a VNI potencialmente perigosa se não houver um plano robusto de desobstrução das vias aéreas.

A doença neuromuscular de base, por si só, não contraindica o uso de VNI. Na verdade, a VNI é frequentemente recomendada para pacientes com AME, tanto na insuficiência respiratória crônica quanto na agudização, desde que haja manejo adequado das secreções. A idade do paciente também não é uma contraindicação, pois a VNI pode ser usada em lactentes, desde que haja uma interface adequada e monitorização rigorosa. O risco de vômito e aspiração é uma preocupação, mas pode ser mitigado com medidas como posicionamento adequado e uso de sonda nasogástrica, não sendo a principal contraindicação neste caso. A necessidade de altas pressões para ventilar também não é uma contraindicação absoluta, pois a VNI pode fornecer pressões adequadas, embora haja limitações em alguns casos.

A questão explora a fronteira entre as contraindicações absolutas e relativas da VNI, e a alternativa correta identifica o fator que, neste paciente específico, torna a terapia potencialmente perigosa: a incapacidade de manejar secreções abundantes. É essencial que o médico avalie a capacidade do paciente de proteger as vias aéreas e eliminar secreções antes de iniciar a VNI, e que haja um plano de fisioterapia respiratória e aspiração frequente para minimizar os riscos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A idade do paciente não é uma contraindicação para o uso de VNI. A VNI pode ser utilizada em lactentes, inclusive menores de 1 ano, desde que haja uma interface adequada e monitorização rigorosa. A eficácia da VNI em lactentes é bem documentada, especialmente em condições como bronquiolite e síndrome do desconforto respiratório. O erro está em afirmar que a VNI é menos eficaz em lactentes com menos de 1 ano, o que não é verdade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A presença de doença neuromuscular de base não contraindica o uso de VNI. Na verdade, a VNI é frequentemente recomendada para pacientes com AME, tanto na insuficiência respiratória crônica quanto na agudização, desde que haja manejo adequado das secreções. A doença neuromuscular é uma indicação para VNI, não uma contraindicação. O erro está em afirmar que a doença neuromuscular sempre contraindica o uso de VNI.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A incapacidade de manejar secreções abundantes devido à tosse ineficaz, com alto risco de obstrução distal das vias aéreas e atelectasia, é a principal contraindicação relativa-para-absoluta para o uso de VNI neste paciente. A VNI pode deslocar as secreções para as vias aéreas distais, piorando a obstrução e a atelectasia, e aumentando o risco de aspiração. A tosse ineficaz, característica da AME tipo 1, impede a eliminação adequada das secreções, tornando o manejo das secreções um desafio crítico. Por isso, a VNI é potencialmente perigosa neste cenário.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O risco de vômito e aspiração é uma preocupação, mas pode ser mitigado com medidas como posicionamento adequado e uso de sonda nasogástrica. A alternativa afirma que o risco pode ser mitigado com o uso de sonda nasogástrica, o que é verdade, mas não é a principal contraindicação neste paciente. A principal contraindicação é a incapacidade de manejar secreções abundantes, que não é resolvida com sonda nasogástrica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A necessidade de altas pressões para ventilar não é uma contraindicação absoluta para o uso de VNI. A VNI pode fornecer pressões adequadas, embora haja limitações em alguns casos. A alternativa afirma que as altas pressões podem não ser alcançadas com a VNI, o que não é uma contraindicação específica para este paciente. A principal contraindicação é a incapacidade de manejar secreções abundantes.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato ao apresentar a doença neuromuscular de base (alternativa B) como contraindicação absoluta, quando na verdade a VNI é frequentemente indicada nesses pacientes. O erro está em não considerar que a contraindicação real é a incapacidade de manejar secreções, que é agravada pela tosse ineficaz da AME tipo 1. Fique atento: a VNI é indicada na AME, mas a presença de secreções abundantes e tosse ineficaz pode tornar a terapia perigosa.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre contraindicações da VNI, memorize a lista de contraindicações absolutas e relativas. As absolutas incluem parada cardiorrespiratória, impossibilidade de proteger as vias aéreas, secreção abundante com risco de aspiração, agitação importante, rebaixamento do nível de consciência (exceto DPOC com hipercapnia), instabilidade hemodinâmica, trauma ou deformidade facial, obstrução de via aérea. As relativas incluem vômito, hemorragia digestiva alta, encefalopatia, incapacidade de remover a máscara, deficiência de deglutição. Na AME, a tosse ineficaz e a dificuldade de eliminar secreções são fatores críticos que podem tornar a VNI perigosa.

Gabarito: letra C

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