Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg693987
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia Pediátrica
Uma adolescente de 16 anos com diagnóstico de tuberculose extrapulmonar (linfonodal cervical) completa o esquema básico de tratamento de 6 meses (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol nos 2 primeiros meses, e rifampicina e isoniazida nos 4 meses seguintes). Após 2 meses do término do tratamento, apresenta-se sem sintomas e com linfonodomegalia cervical residual indolor. Qual é a conduta mais adequada para essa paciente após a conclusão do tratamento e ausência de sintomas de atividade da doença?
ARealizar novo esquema de tratamento completo para tuberculose.
BAcompanhamento clínico e observação, pois a linfonodomegalia residual pode ser uma sequela.
CBiópsia do linfonodo residual para descartar recidiva.
DIniciar quimioprofilaxia com isoniazida por mais 6 meses.
ESolicitar cultura de escarro induzido.
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GabaritoB — Acompanhamento clínico e observação, pois a linfonodomegalia residual pode ser uma sequela.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gabarito: letra B. Após a conclusão do esquema básico de tratamento da tuberculose (2RHZE/4RH) e na ausência de sintomas de atividade, a linfonodomegalia cervical residual indolor é uma sequela comum e esperada, não indicando falência terapêutica ou recidiva. A conduta mais adequada é o acompanhamento clínico e a observação, conforme preconizado pelas diretrizes do Ministério da Saúde para o controle da tuberculose no Brasil.
A tuberculose é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium tuberculosis, que pode acometer diversos órgãos, sendo a forma pulmonar a mais comum. Na forma extrapulmonar, o comprometimento linfonodal (linfonodomegalia cervical) é uma apresentação frequente, especialmente em crianças e adolescentes. O tratamento da tuberculose visa não apenas eliminar a população bacteriana ativa, mas também os bacilos "persistentes", que podem causar recidiva da doença. Para isso, utiliza-se um esquema com múltiplos fármacos por tempo suficiente para a completa esterilização das lesões.
O esquema básico para adolescentes (idade ≥ 10 anos) e adultos é o 2RHZE/4RH: fase intensiva de 2 meses com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, seguida de fase de manutenção de 4 meses com rifampicina e isoniazida. Esse esquema é eficaz para todas as formas de tuberculose, exceto a meningoencefálica e a osteoarticular, que requerem tratamento mais prolongado. A resposta clínica ao tratamento é avaliada pela melhora dos sintomas e, nas formas pulmonares, pela negativação da baciloscopia. No entanto, a resolução completa das alterações radiológicas ou das linfonodomegalias pode levar meses ou até anos após o término do tratamento.
A linfonodomegalia residual, indolor e sem sinais flogísticos, em um paciente assintomático e que completou o tratamento adequado, é uma sequela comum, resultado do processo inflamatório e de fibrose cicatricial. A conduta correta é a observação clínica, com acompanhamento periódico, pois a maioria dessas lesões regride espontaneamente. A realização de biópsia, novo esquema de tratamento ou quimioprofilaxia não é indicada nesse cenário, pois não há evidência de atividade da doença. A cultura de escarro induzido é útil para o diagnóstico de tuberculose pulmonar, mas não se aplica à avaliação de linfonodomegalia residual em paciente assintomático.
A distinção crucial é entre sequela (cicatriz) e recidiva (reativação da doença). A recidiva geralmente se manifesta com sintomas sistêmicos (febre, sudorese noturna, perda de peso) e crescimento ou surgimento de novas lesões. A ausência desses sintomas, associada ao tratamento completo e adequado, aponta fortemente para sequela. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode ser tentado a investigar ou tratar uma lesão que é apenas uma cicatriz, submetendo o paciente a procedimentos desnecessários e potencialmente prejudiciais.
Linfonodomegalia residual pós-tratamento
1Sequela (cicatriz)
Assintomático
Tratamento completo
Conduta: observação clínica
2Recidiva (reativação)
Sintomas sistêmicos (febre, perda de peso)
Crescimento ou novas lesões
Conduta: investigar (biópsia, retratamento)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Realizar novo esquema de tratamento completo para tuberculose é um erro grave. A paciente completou o esquema básico adequado (2RHZE/4RH) e está assintomática. A linfonodomegalia residual, sem outros sinais de atividade, é uma sequela, não uma indicação de retratamento. Repetir o tratamento sem evidência de recidiva expõe a paciente a riscos de toxicidade medicamentosa e contribui para o desenvolvimento de resistência bacteriana.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Acompanhamento clínico e observação é a conduta correta. A linfonodomegalia cervical residual indolor, após tratamento completo e na ausência de sintomas, é uma sequela comum da tuberculose linfonodal. O acompanhamento clínico periódico permite avaliar a evolução da lesão e identificar precocemente qualquer sinal de recidiva, que seria indicado por crescimento da lesão, surgimento de novos linfonodos ou sintomas sistêmicos. A maioria das sequelas regride espontaneamente em meses.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A biópsia do linfonodo residual não é indicada de rotina. Em um paciente assintomático, com tratamento completo e sem sinais de atividade, a probabilidade de recidiva é baixa. A biópsia é um procedimento invasivo, com riscos de complicações, e só deve ser considerada se houver suspeita clínica de recidiva, como crescimento progressivo do linfonodo, fistulização ou aparecimento de sintomas sistêmicos. A conduta inicial deve ser a observação clínica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Iniciar quimioprofilaxia com isoniazida por mais 6 meses é um erro conceitual. A quimioprofilaxia (ou tratamento da infecção latente) é indicada para pessoas com infecção latente pelo M. tuberculosis (ILTB), sem doença ativa, que apresentam risco de desenvolver a doença. A paciente já teve tuberculose ativa e foi tratada com esquema completo. A linfonodomegalia residual não representa ILTB, e a isoniazida não é indicada para tratar sequela. Além disso, a paciente já recebeu isoniazida durante o tratamento, e a repetição desnecessária aumenta o risco de hepatotoxicidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Solicitar cultura de escarro induzido não é apropriado neste caso. A cultura de escarro é um exame para diagnóstico de tuberculose pulmonar, que pesquisa o bacilo em secreção respiratória. A paciente tem tuberculose extrapulmonar (linfonodal), sem sintomas respiratórios, e a linfonodomegalia residual não é avaliada por esse exame. A cultura de escarro seria útil se houvesse suspeita de tuberculose pulmonar ativa, o que não é o caso. A conduta correta é a observação clínica.