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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg693990
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia Pediátrica
Uma adolescente de 13 anos, previamente hígida, é admitida com dor pleurítica súbita, dispneia e tosse seca. A radiografia de tórax revela um pneumotórax espontâneo de tamanho moderado (>2 cm do ápice à parede torácica). Ela não possui história de trauma ou doença pulmonar conhecida. Qual é a conduta inicial mais adequada para o tratamento desse pneumotórax espontâneo em uma adolescente, considerando que ela está hemodinamicamente estável?
  1. AObservação e oxigenoterapia apenas, com reavaliação em 24 horas.
  2. BPunção aspirativa com agulha.
  3. CToracotomia com pleurodese.
  4. DDrenagem torácica com dreno de pequeno calibre.
  5. EExcisão da bolha pulmonar por videotoracoscopia.
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GabaritoD — Drenagem torácica com dreno de pequeno calibre.

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Pneumotórax espontâneo: conduta inicial em adolescente estável

Gabarito: letra D. Em paciente jovem, previamente hígida, com pneumotórax espontâneo de tamanho moderado (>2 cm) e estabilidade hemodinâmica, a conduta inicial mais adequada é a drenagem torácica com dreno de pequeno calibre. A observação isolada é reservada para pneumotórax pequenos e minimamente sintomáticos, e a punção aspirativa, embora seja uma opção, tem menor taxa de sucesso e maior recorrência que a drenagem com dreno fino — sendo a drenagem a abordagem preferencial nesse cenário.

O pneumotórax espontâneo é o acúmulo de ar no espaço pleural sem trauma ou doença pulmonar conhecida, classicamente associado à ruptura de bolhas apicais em homens jovens, altos e magros — embora também ocorra em adolescentes e mulheres. O ar no espaço pleural rompe o equilíbrio de pressões, levando ao colapso parcial ou total do pulmão, com dor pleurítica súbita, dispneia e tosse seca, como no caso da paciente. O diagnóstico é confirmado pela radiografia de tórax, que mostra a linha pleural visceral separada da parede torácica, com área radiolucente sem trama vascular.

A conduta depende de dois fatores centrais: o tamanho do pneumotórax e a estabilidade clínica do paciente. O guideline da British Thoracic Society (BTS) de 2023 trouxe uma mudança importante: o tratamento conservador (observação) pode ser considerado em todo pneumotórax minimamente sintomático, independentemente do tamanho, desde que o paciente esteja sem dor significativa, sem desconforto respiratório, sem hipoxemia e sem instabilidade hemodinâmica. No entanto, para pneumotórax grandes (>2 cm), mesmo em pacientes estáveis, a recomendação prática é a drenagem torácica, pois a reabsorção espontânea do ar é lenta e o risco de expansão ou recorrência é maior. A observação com oxigenoterapia é mais apropriada para pneumotórax pequenos (<2 cm) ou para pacientes assintomáticos, com período mínimo de observação de 6 horas (pequeno) ou 12 horas (grande) antes da alta, com radiografia de controle.

A drenagem torácica com dreno de pequeno calibre (pig-tail ou dreno de 8–14 Fr) é o procedimento de escolha para pneumotórax espontâneo sintomático ou de tamanho moderado a grande, mesmo em pacientes estáveis. O dreno é inserido no 4º ou 5º espaço intercostal, na linha axilar anterior, e conectado a um sistema de selo d'água, permitindo a saída do ar e a reexpansão pulmonar. A punção aspirativa com agulha (ou cateter fino) é uma alternativa menos invasiva, mas tem menor taxa de sucesso inicial e maior taxa de recorrência, sendo mais indicada para pneumotórax pequenos ou como medida temporária. A toracotomia com pleurodese e a excisão de bolha por videotoracoscopia são reservadas para casos de recorrência, falha do tratamento inicial ou complicações — não para a conduta inicial de um primeiro episódio.

A pegadinha desta questão está em dois pontos: primeiro, a atualização do guideline de 2023, que flexibilizou o tratamento conservador, pode levar o candidato a escolher a observação (alternativa A) mesmo para um pneumotórax >2 cm; segundo, a distinção entre punção aspirativa (alternativa B) e drenagem torácica (alternativa D) — ambas são opções de tratamento ativo, mas a drenagem com dreno de pequeno calibre é a conduta preferencial para pneumotórax moderado a grande, por ser mais eficaz e definitiva. A paciente do caso tem pneumotórax >2 cm e sintomas (dor, dispneia, tosse), o que afasta a conduta conservadora pura e direciona para a drenagem.

Guarde a hierarquia: pneumotórax pequeno e assintomático → observação; pneumotórax pequeno sintomático ou moderado/grande → drenagem torácica com dreno fino; recorrência ou falha → cirurgia (pleurodese, ressecção de bolha). É exatamente essa gradação que separa as alternativas.

  1. 1Pequeno e assintomático
  2. 2Observação + O2
  3. 3Moderado/grande (>2 cm)
  4. 4Drenagem com dreno fino
  5. 5Recorrência ou falha
  6. 6Cirurgia (pleurodese/VATS)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A observação com oxigenoterapia é indicada para pneumotórax pequenos (<2 cm) e minimamente sintomáticos, ou para pacientes assintomáticos, independentemente do tamanho, conforme o guideline de 2023. No caso, o pneumotórax é >2 cm e a paciente apresenta sintomas (dor pleurítica, dispneia, tosse), o que contraindica a conduta conservadora pura. A oxigenoterapia acelera a reabsorção do ar pleural, mas não é suficiente para um pneumotórax dessa magnitude em paciente sintomática.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A punção aspirativa com agulha é uma opção de tratamento, mas é mais indicada para pneumotórax pequenos ou como medida temporária em situações de emergência. Para pneumotórax moderado a grande (>2 cm), a drenagem torácica com dreno de pequeno calibre é superior, com maior taxa de sucesso e menor recorrência. A punção aspirativa tem risco de falha e necessidade de repetição, sendo menos adequada como conduta inicial definitiva nesse cenário.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A toracotomia com pleurodese é um procedimento cirúrgico invasivo, reservado para casos de pneumotórax recorrente, falha do tratamento conservador ou drenagem, ou complicações como fístula broncopleural persistente. Não é a conduta inicial para um primeiro episódio de pneumotórax espontâneo em paciente estável. A pleurodese visa obliterar o espaço pleural para prevenir recorrências, mas é desproporcional como primeira abordagem.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A drenagem torácica com dreno de pequeno calibre é a conduta inicial mais adequada para pneumotórax espontâneo de tamanho moderado (>2 cm) em paciente estável, como a adolescente do caso. O dreno fino (8–14 Fr) é inserido no espaço pleural, conectado a um sistema de selo d'água, permitindo a saída do ar e a reexpansão pulmonar. É um procedimento eficaz, menos invasivo que a cirurgia, e é a recomendação preferencial para pneumotórax sintomáticos ou de tamanho moderado a grande, mesmo em pacientes hemodinamicamente estáveis.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A excisão da bolha pulmonar por videotoracoscopia (VATS) é um procedimento cirúrgico indicado para casos de pneumotórax recorrente, falha do tratamento inicial, ou quando há fuga aérea persistente após drenagem. Não é a conduta inicial para um primeiro episódio de pneumotórax espontâneo. A cirurgia é reservada para situações específicas, como recorrência ipsilateral, pneumotórax bilateral, ou em profissionais de risco (pilotos, mergulhadores).

Gabarito: letra D — drenagem torácica com dreno de pequeno calibre é a conduta inicial mais adequada para pneumotórax espontâneo moderado (>2 cm) em paciente estável.

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