Cessação do tabagismo em adolescentes
Gabarito: letra A. Para adolescentes, as diretrizes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam como abordagem inicial o aconselhamento estruturado/abordagem intensiva, com suporte comportamental, e a farmacoterapia não é preconizada nessa faixa etária (bupropiona não é recomendada para menores de 18 anos). A alternativa A é a única que reflete essa conduta.
O tabagismo é uma doença crônica caracterizada pela dependência de nicotina, que envolve componentes físicos, comportamentais e psicológicos. No adolescente, a abordagem deve ser especialmente cuidadosa, pois o cérebro em desenvolvimento é mais vulnerável aos efeitos da nicotina e a dependência pode se instalar rapidamente. As diretrizes brasileiras, baseadas em evidências limitadas para essa faixa etária, priorizam intervenções comportamentais, como o aconselhamento estruturado, que pode ser realizado individualmente ou em grupo, sendo o formato em grupo considerado mais promissor.
A farmacoterapia, como a Terapia de Reposição de Nicotina (TRN), bupropiona ou vareniclina, não é recomendada como primeira linha para adolescentes. O uso de bupropiona é explicitamente contraindicado em menores de 18 anos, e a TRN não tem evidências robustas de eficácia e segurança nessa população. A avaliação individualizada é fundamental para definir a estratégia, considerando o grau de dependência, a motivação e o contexto psicossocial do paciente.
A paciente do caso fuma de 5 a 10 cigarros por dia, o que indica uma dependência leve a moderada, e apresenta sintomas de abstinência (ansiedade e irritabilidade) quando tenta parar. Isso reforça a necessidade de um suporte comportamental estruturado para ajudá-la a lidar com esses sintomas e desenvolver estratégias para evitar recaídas. A abordagem deve ser acolhedora, empática e motivacional, reforçando os benefícios de parar de fumar e oferecendo acompanhamento contínuo.
A alternativa A é a mais adequada porque prioriza o aconselhamento intensivo e o suporte comportamental, com avaliação individualizada para farmacoterapia, o que está alinhado com as diretrizes. As demais alternativas apresentam condutas inadequadas para adolescentes, como iniciar TRN com adesivos de 21 mg, prescrever vareniclina ou bupropiona, encaminhar para internação ou minimizar a preocupação.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa está correta porque reflete a recomendação das diretrizes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria para cessação do tabagismo em adolescentes. O aconselhamento estruturado/abordagem intensiva é a base do tratamento, e a farmacoterapia deve ser avaliada individualmente, mas não é a primeira escolha nessa faixa etária. A abordagem comportamental ajuda o adolescente a lidar com os sintomas de abstinência, como ansiedade e irritabilidade, e a desenvolver estratégias para evitar recaídas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Iniciar TRN com adesivos de 21 mg é inadequado para uma adolescente que fuma de 5 a 10 cigarros por dia. A dose de 21 mg é indicada para fumantes pesados (20 ou mais cigarros por dia), e a TRN não é recomendada como primeira linha para adolescentes devido à falta de evidências de eficácia e segurança nessa faixa etária. Além disso, a TRN deve ser iniciada apenas na data em que o paciente deixar de fumar, e não de forma imediata.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Prescrever vareniclina ou bupropiona é contraindicado em adolescentes. A bupropiona não é preconizada para menores de 18 anos, e a vareniclina não tem estudos suficientes que justifiquem seu uso nessa faixa etária. A farmacoterapia deve ser evitada como primeira linha em adolescentes, priorizando-se a abordagem comportamental.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Encaminhar imediatamente para internação em clínica de reabilitação é uma conduta desproporcional e inadequada para uma adolescente com tabagismo leve a moderado, sem comorbidades ou uso de outras substâncias. A internação é reservada para casos graves, com dependência severa ou complicações, e não é a abordagem inicial recomendada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Minimizar a preocupação, afirmando que o tabagismo em adolescentes é um comportamento transitório, é uma postura negligente. O tabagismo é uma doença crônica que requer intervenção, e a maioria dos fumantes adultos inicia o hábito na adolescência. A abordagem deve ser ativa, motivacional e estruturada, não minimizada.
Gabarito: letra A