Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — FUNDATEC 2026
Medicina›Envenenamentos e Acidentes
Código
qg694029
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Psiquiatria
Para investigação diagnóstica de um quadro demencial que pode estar relacionado à exposição crônica ao chumbo, qual das seguintes opções de exames laboratoriais é a mais recomendada para confirmação etiológica?
ADosagem sérica de chumbo (plumbemia), preferencialmente associada à avaliação de exposição ocupacional ou ambiental.
BDosagem de ceruloplasmina e cobre urinário de 24 horas, para descartar doença de Wilson.
CPesquisa de anticorpos antirreceptores NMDA no soro, visando excluir encefalite autoimune.
DDosagem sérica de vitamina B12 e ácido fólico, especificamente para análise de intoxicação por chumbo.
EDosagem de cortisol sérico basal e teste de supressão com dexametasona, para investigação etiológica principal.
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GabaritoA — Dosagem sérica de chumbo (plumbemia), preferencialmente associada à avaliação de exposição ocupacional ou ambiental.
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Intoxicação crônica por chumbo: confirmação diagnóstica
Gabarito: letra A. Para confirmar etiologicamente um quadro demencial associado à exposição crônica ao chumbo, o exame mais recomendado é a dosagem sérica de chumbo (plumbemia), preferencialmente associada à avaliação de exposição ocupacional ou ambiental — é o biomarcador direto de exposição e o que estabelece o nexo causal. As demais alternativas investigam outras causas de demência (doença de Wilson, encefalite autoimune, deficiência de B12, distúrbio adrenal), que são diagnósticos diferenciais, não a confirmação da intoxicação plúmbica.
A intoxicação crônica por chumbo é a causa mais comum de envenenamento crônico por metais e um importante problema de saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento. A exposição ocorre principalmente por inalação e ingestão, com absorção cutânea insignificante para o chumbo inorgânico. Uma vez absorvido, o chumbo se liga aos eritrócitos e se distribui para os tecidos, sendo que mais de 90% do total corporal fica armazenado no osso, onde permanece por décadas (meia-vida biológica estimada em 30 anos). Essa característica explica por que a exposição crônica pode levar a um acúmulo progressivo e a manifestações neurológicas insidiosas, como o quadro demencial.
A toxicidade do chumbo afeta principalmente os sistemas nervoso, cardiovascular, hematopoiético e renal. No sistema nervoso central, os efeitos incluem lesões nos astrócitos com dano à barreira hematoencefálica, edema cerebral, redução da fosforilação de proteínas (contribuindo para déficits de memória e aprendizado) e alteração da homeostase do cálcio, que leva à liberação descontrolada de neurotransmissores. No sistema nervoso periférico, causa desmielinização segmentar primária com degeneração axonal secundária, principalmente dos nervos motores. No sistema hematopoiético, interfere no metabolismo da porfirina, podendo causar anemia, e inibe a pirimidina 5'-nucleotidase, levando a anemia hemolítica. No rim, afeta o túbulo proximal, produzindo a síndrome de Fanconi.
O diagnóstico da intoxicação por chumbo depende da história de exposição e do quadro clínico sugestivo, sendo confirmado por testes específicos. O biomarcador de exposição mais utilizado e recomendado é a dosagem de chumbo no sangue total (plumbemia), que reflete a exposição recente e o equilíbrio com os estoques teciduais. Em casos de exposição crônica, a plumbemia elevada, associada à história ocupacional ou ambiental, confirma o diagnóstico etiológico. Outros exames podem auxiliar, como a dosagem de ácido delta-aminolevulínico (ALA) urinário ou a protoporfirina eritrocitária, mas a plumbemia é o padrão para confirmação.
A questão explora a distinção entre o exame que confirma a etiologia (dosagem do agente tóxico) e os exames que investigam diagnósticos diferenciais de demência. A banca apresenta, nas alternativas incorretas, exames válidos para outras causas de demência — doença de Wilson (ceruloplasmina e cobre urinário), encefalite autoimune (anticorpos anti-NMDA), deficiência de vitamina B12 e distúrbios adrenais — mas que não têm relação com a confirmação da intoxicação por chumbo. O critério decisivo é: para confirmar intoxicação por chumbo, é preciso dosar o chumbo. Guarde essa lógica: o exame etiológico específico é sempre a dosagem do agente suspeito.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dosagem sérica de chumbo (plumbemia) é o exame laboratorial de escolha para confirmar a intoxicação crônica por chumbo. O chumbo é o agente etiológico suspeito, e sua dosagem no sangue reflete diretamente a exposição. A associação com a avaliação de exposição ocupacional ou ambiental é fundamental para estabelecer a fonte e o nexo causal, tornando a alternativa completa e correta. É o biomarcador direto que confirma a etiologia do quadro demencial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A dosagem de ceruloplasmina e cobre urinário de 24 horas é o exame indicado para investigar doença de Wilson, uma causa de demência por acúmulo de cobre, mas não tem relação com a intoxicação por chumbo. A banca troca o agente tóxico: em vez de dosar o chumbo, propõe a investigação de outro metal (cobre). É um diagnóstico diferencial válido, mas não confirma a exposição ao chumbo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A pesquisa de anticorpos antirreceptores NMDA no soro é utilizada para diagnosticar encefalite autoimune anti-receptor NMDA, uma causa de quadro neuropsiquiátrico agudo ou subagudo, mas não tem relação com intoxicação por chumbo. A banca apresenta um exame de outra etiologia de demência/encefalopatia, que não confirma a exposição ao chumbo. É um diagnóstico diferencial, não o exame etiológico específico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dosagem sérica de vitamina B12 e ácido fólico é indicada para investigar deficiência vitamínica, uma causa reversível de demência, mas não tem relação com intoxicação por chumbo. A alternativa afirma, de forma incorreta, que seria "especificamente para análise de intoxicação por chumbo", o que é um erro conceitual: a deficiência de B12/folato é outra etiologia de demência, não um marcador de exposição ao chumbo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A dosagem de cortisol sérico basal e o teste de supressão com dexametasona são utilizados para investigar distúrbios adrenais, como a síndrome de Cushing, que pode cursar com alterações cognitivas, mas não têm relação com intoxicação por chumbo. A banca apresenta um exame de outra etiologia endócrina de demência, que não confirma a exposição ao chumbo. É um diagnóstico diferencial, não o exame etiológico específico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o exame que confirma a etiologia (dosagem do agente tóxico — chumbo) e os exames que investigam diagnósticos diferenciais de demência (doença de Wilson, encefalite autoimune, deficiência de B12, distúrbios adrenais). O candidato que não domina o tema pode ser atraído por alternativas que parecem plausíveis para investigação de demência, mas a chave é: para confirmar intoxicação por chumbo, é preciso dosar o chumbo. Com treino, você identifica essa troca de agente etiológico de longe 💪.