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Questão de Medicina — Urologia — FUNDATEC 2026

MedicinaUrologia
Código
qg694035
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Urologia
Em relação ao câncer de próstata localmente avançado, é INCORRETO afirmar que:
  1. AA presença de extensão extracapsular aumenta a chance de progressão clínica da doença.
  2. BInvasão das vesículas seminais e linfonodos positivos são fortemente associados à progressão clínica.
  3. CO uso de tratamento com sustação dos andrógenos de forma neoadjuvante melhora os resultados do controle tumoral pela cirurgia.
  4. DPacientes com recidiva bioquímica serão candidatos à radioterapia ou à hormonioterapia adjuvante após prostatectomia radical.
  5. EO manejo atual preconiza uso de hormonioterapia associado à radioterapia para pacientes que não aceitam a cirurgia, em pacientes de alto risco de recidiva.
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GabaritoC — O uso de tratamento com sustação dos andrógenos de forma neoadjuvante melhora os resultados do controle tumoral pela cirurgia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de próstata localmente avançado: tratamento e controvérsias

Gabarito: letra C. A afirmativa incorreta é a que defende o uso de terapia de privação androgênica (sustação dos andrógenos) de forma neoadjuvante para melhorar os resultados do controle tumoral pela cirurgia — na prática, a hormonioterapia neoadjuvante antes da prostatectomia radical não demonstrou benefício em sobrevida ou controle local, sendo a alternativa que contraria a conduta baseada em evidências. As demais alternativas (A, B, D e E) estão corretas e refletem o manejo atual do câncer de próstata localmente avançado.

O câncer de próstata é a neoplasia maligna mais comum em homens no Brasil (excluindo tumores de pele não melanoma) e o segundo em mortalidade. Quando falamos em doença localmente avançada, referimo-nos a tumores que ultrapassaram a cápsula prostática (extensão extracapsular), invadiram as vesículas seminais ou atingiram linfonodos regionais, mas ainda sem metástases à distância. Esses achados patológicos são marcadores prognósticos importantes: a presença de extensão extracapsular, invasão de vesículas seminais e linfonodos positivos está fortemente associada a maior risco de progressão clínica e recidiva bioquímica após o tratamento.

O tratamento do câncer de próstata localizado ou localmente avançado envolve basicamente três modalidades: prostatectomia radical, radioterapia (externa ou braquiterapia) e vigilância ativa. A escolha entre cirurgia e radioterapia baseia-se na estratificação de risco e nas preferências do paciente. Para pacientes de risco intermediário e alto, a radioterapia primária é frequentemente combinada com privação androgênica (hormonioterapia), o que melhora os resultados de controle tumoral. Já a hormonioterapia neoadjuvante (administrada antes da cirurgia) não demonstrou benefício em termos de sobrevida global ou controle local quando comparada à prostatectomia radical isolada, e por isso não é recomendada na prática clínica atual.

A recidiva bioquímica, definida pela elevação do PSA após o tratamento curativo, é um cenário comum no seguimento. Nesses casos, as opções incluem radioterapia de resgate (após prostatectomia radical) ou hormonioterapia adjuvante, dependendo do contexto clínico e da avaliação individual. Para pacientes com doença localmente avançada que não são candidatos ou não aceitam a cirurgia, o manejo atual preconiza a associação de hormonioterapia com radioterapia, especialmente em pacientes de alto risco de recidiva — essa combinação demonstrou benefício em sobrevida.

A pegadinha desta questão está justamente na inversão do papel da hormonioterapia: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a privação androgênica neoadjuvante melhora os resultados da cirurgia, quando na verdade essa estratégia não traz benefício comprovado e não faz parte do manejo padrão. O que é bem estabelecido é o uso da hormonioterapia adjuvante (após o tratamento) ou combinada à radioterapia, e não antes da prostatectomia.

Tratamento

Momento de uso

Benefício comprovado

Indicação atual

Hormonioterapia neoadjuvante

Antes da prostatectomia radical

Não demonstrou benefício em sobrevida ou controle local

Não recomendada

Hormonioterapia adjuvante

Após prostatectomia radical (recidiva bioquímica)

Controle da progressão

Recomendada em casos selecionados

Hormonioterapia + radioterapia

Tratamento primário (pacientes que não aceitam cirurgia)

Melhora sobrevida global e controle local

Padrão para alto risco de recidiva

1Neoadjuvante (antes da cirurgia)
Sem benefício em sobrevida
Não recomendada
2Adjuvante (após o tratamento)
Radioterapia de resgate
Controle da recidiva bioquímica
3Combinada à radioterapia
Alto risco de recidiva
Sem cirurgia
Hormonioterapia no câncer de próstata
LEVELsoulevel.com.br
Hormonioterapia no câncer de próstata: Neoadjuvante (antes da cirurgia) (Sem benefício em sobrevida, Não recomendada); Adjuvante (após o tratamento) (Radioterapia de resgate, Controle da recidiva bioquímica); Combinada à radioterapia (Alto risco de recidiva, Sem cirurgia)

Alternativa A — ✅ Correta

A presença de extensão extracapsular (tumor que ultrapassa a cápsula prostática) é um fator prognóstico adverso, associado a maior chance de progressão clínica da doença. Tumores com extensão extracapsular têm maior risco de recidiva bioquímica e progressão metastática, o que justifica a afirmação como correta.

Alternativa B — ✅ Correta

A invasão das vesículas seminais (pT3b) e a presença de linfonodos positivos (pN1) são fatores de risco bem estabelecidos para progressão clínica e recidiva. Esses achados patológicos indicam doença mais agressiva e estão fortemente associados a pior prognóstico, tornando a afirmação correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A afirmativa defende o uso de terapia de privação androgênica neoadjuvante para melhorar os resultados do controle tumoral pela cirurgia. Isso é incorreto: a hormonioterapia neoadjuvante antes da prostatectomia radical não demonstrou benefício em sobrevida global, sobrevida livre de recidiva ou controle local. Embora possa reduzir o volume tumoral e o PSA, essa redução não se traduz em melhora dos desfechos oncológicos de longo prazo. Por isso, a hormonioterapia neoadjuvante não é recomendada na prática clínica atual para o câncer de próstata localizado ou localmente avançado.

Alternativa D — ✅ Correta

Pacientes com recidiva bioquímica (elevação do PSA após prostatectomia radical) são candidatos a radioterapia de resgate ou hormonioterapia adjuvante. A radioterapia de resgate é indicada quando há suspeita de recidiva local, enquanto a hormonioterapia pode ser usada em casos de progressão ou como terapia adjuvante em situações específicas. A afirmação está correta.

Alternativa E — ✅ Correta

Para pacientes com doença localmente avançada que não aceitam ou não são candidatos à cirurgia, o manejo atual preconiza a associação de hormonioterapia com radioterapia, especialmente em pacientes de alto risco de recidiva. Essa combinação demonstrou benefício em sobrevida global e controle local, sendo o padrão de tratamento para esses casos. A afirmação está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o papel da hormonioterapia: tenta fazer você acreditar que a privação androgênica neoadjuvante (antes da cirurgia) melhora os resultados da prostatectomia. Na verdade, o benefício comprovado está na hormonioterapia adjuvante (após o tratamento) ou combinada à radioterapia — nunca antes da cirurgia. Guarde essa distinção: neoadjuvante = antes, adjuvante = depois. A neoadjuvante não traz benefício em sobrevida no câncer de próstata operável.

Gabarito: letra C — a única afirmativa incorreta, pois a hormonioterapia neoadjuvante não melhora os resultados do controle tumoral pela cirurgia.

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