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Questão de Medicina — Urologia — FUNDATEC 2026

MedicinaUrologia
Código
qg694038
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Urologia
A utilização da vigilância ativa no manejo do câncer de próstata sustenta-se pelos seguintes motivos:I. Excesso do diagnóstico em pacientes com câncer de próstata, sendo alguns clinicamente insignificantes.II. Excesso de tratamento em pacientes com câncer de próstata, sendo alguns clinicamente insignificantes.III. Para evitar os efeitos colaterais dos tratamentos do câncer de próstata.Quais estão corretos?
  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas I e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — I, II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vigilância ativa no câncer de próstata

Gabarito: letra E — os itens I, II e III estão corretos. A vigilância ativa é uma estratégia de manejo do câncer de próstata localizado que se sustenta exatamente na tríade: evitar o sobrediagnóstico de tumores clinicamente insignificantes, evitar o sobretratamento desses mesmos tumores e, consequentemente, evitar os efeitos colaterais dos tratamentos agressivos (cirurgia e radioterapia). A recomendação de consenso defende a vigilância ativa sobre o tratamento primário para o câncer de próstata de risco muito baixo e de baixo risco.

A vigilância ativa é uma conduta que nasce da constatação de que o câncer de próstata tem um espectro biológico muito amplo. Enquanto alguns tumores são agressivos e ameaçam a vida, outros são indolentes, de crescimento lento, e jamais causariam sintomas ou morte se não fossem detectados. O problema é que o rastreamento com PSA e a biópsia não conseguem distinguir perfeitamente esses dois grupos no momento do diagnóstico. Assim, muitos homens são diagnosticados com tumores que, se deixados em paz, nunca os afetariam — é o chamado sobrediagnóstico (item I).

O sobrediagnóstico, por sua vez, leva ao sobretratamento (item II): homens com tumores clinicamente insignificantes acabam submetidos a prostatectomia radical ou radioterapia, tratamentos que não trazem benefício real de sobrevida para eles, mas que carregam riscos importantes. A cirurgia está associada ao risco de incontinência urinária e disfunção erétil; a radioterapia, embora com taxas mais baixas de incontinência, também provoca disfunção erétil, além de complicações tardias como cistite por radiação e proctite. É justamente para evitar esses efeitos colaterais (item III) que a vigilância ativa se propõe: em vez de tratar imediatamente, o paciente é acompanhado de perto com PSA, toque retal e biópsias periódicas, e o tratamento definitivo é adiado até que haja sinais de progressão da doença.

É importante distinguir a vigilância ativa do watchful waiting (observação vigilante). Na vigilância ativa, o objetivo é curativo: o paciente é monitorado intensivamente e, se houver progressão, recebe tratamento com intenção curativa. No watchful waiting, o objetivo é paliativo: o paciente, geralmente com expectativa de vida limitada, é observado e só é tratado se desenvolver sintomas. A vigilância ativa é indicada para tumores de baixo risco ou médio risco favorável (escore de Gleason 3+3 ou 3+4, grupos ISUP 1 ou 2), em pacientes com expectativa de vida > 10 anos.

A banca explora aqui um conceito central da urologia oncológica moderna: a vigilância ativa não é uma "omissão" de tratamento, mas uma estratégia ativa e baseada em evidências para evitar os danos do sobretratamento. Os três itens são faces da mesma moeda — o sobrediagnóstico gera o sobretratamento, e ambos justificam a vigilância ativa, que por sua vez evita os efeitos colaterais. Guarde essa cadeia lógica: é exatamente ela que separa as alternativas.

Item I — ✅ Correto

O excesso de diagnóstico (sobrediagnóstico) é um dos pilares que sustentam a vigilância ativa. O rastreamento do câncer de próstata detecta muitos tumores que jamais causariam sintomas ou morte — são os tumores clinicamente insignificantes. O material de apoio confirma que a recomendação de consenso defende a vigilância ativa sobre o tratamento primário para o câncer de próstata de risco muito baixo e de baixo risco, justamente porque muitos desses tumores não precisam de tratamento imediato. O item está correto.

Item II — ✅ Correto

O excesso de tratamento (sobretratamento) é a consequência direta do sobrediagnóstico. Homens com tumores clinicamente insignificantes são submetidos a prostatectomia radical ou radioterapia sem benefício real, mas com riscos significativos. O material de apoio menciona que a cirurgia está associada ao risco de incontinência urinária e disfunção erétil, e a radioterapia também provoca disfunção erétil, além de complicações tardias. A vigilância ativa existe justamente para evitar esse sobretratamento. O item está correto.

Item III — ✅ Correto

Evitar os efeitos colaterais dos tratamentos é o objetivo prático da vigilância ativa. Ao adiar o tratamento definitivo para pacientes com tumores de baixo risco, evita-se a exposição desnecessária aos efeitos adversos da cirurgia e da radioterapia. O material de apoio lista esses efeitos: incontinência urinária, disfunção erétil, cistite por radiação, proctite, entre outros. O item está correto.

Conclusão: os itens I, II e III estão corretos, portanto a alternativa correta é a letra E.

Gabarito: letra E

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