Questão de Medicina — Urologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg694046
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Urologia
- AApenas I e II.
- BApenas I e IV.
- CApenas II e III.
- DApenas I, II e III.
- EI, II, III e IV.
GabaritoD — Apenas I, II e III.
Gabarito: letra D. A meta-análise de Cumberbatch et al. (JAMA Oncology, 2015) identificou aumento do risco relativo de câncer de bexiga em trabalhadores da indústria do tabaco, da limpeza de chaminés e da indústria de corantes — itens I, II e III —, mas não na educação (item IV). A associação ocupacional decorre da exposição a aminas aromáticas e hidrocarbonetos policíclicos, agentes reconhecidamente carcinogênicos para o urotélio.
O câncer de bexiga é uma neoplasia urotelial cuja carcinogênese está fortemente ligada à exposição a agentes químicos excretados na urina. O tabagismo é o fator de risco mais importante, mas as exposições ocupacionais respondem por até 20% dos casos. Os agentes implicados — aminas aromáticas (como benzidina e beta-naftilamina), hidrocarbonetos clorados e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs) — são encontrados em setores como a indústria de corantes, a produção de tabaco e a limpeza de chaminés, onde há contato prolongado com fuligem e resíduos de combustão.
A indústria de corantes é o exemplo clássico: trabalhadores expostos a aminas aromáticas têm risco historicamente documentado de carcinoma urotelial. A limpeza de chaminés, por sua vez, expõe o trabalhador a HAPs e fuligem, também associados ao câncer de bexiga. A indústria do tabaco, além do consumo do produto, envolve manipulação de folhas e processamento que podem expor a substâncias carcinogênicas. Já o setor de educação não apresenta exposição ocupacional a esses agentes, não havendo associação com o aumento do risco.
A distinção essencial é entre os agentes químicos com potencial carcinogênico urotelial e aqueles sem essa relação. A banca explora exatamente o conhecimento dos setores ocupacionais associados ao câncer de bexiga, exigindo que o candidato identifique quais exposições são relevantes. O item IV (educação) funciona como distrator: é um setor sem exposição a carcinógenos uroteliais, servindo para testar se o candidato sabe diferenciar os riscos ocupacionais específicos.
Guarde o critério: a associação ocupacional com câncer de bexiga depende da exposição a aminas aromáticas e HAPs. É esse filtro que separa os itens corretos (I, II e III) do incorreto (IV).
A indústria do tabaco está corretamente associada ao aumento do risco relativo de câncer de bexiga. A exposição ocupacional a substâncias carcinogênicas presentes no processamento do tabaco, além do tabagismo em si, justifica a inclusão desse segmento na meta-análise.
A limpeza de chaminés expõe os trabalhadores a hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e fuligem, agentes reconhecidamente associados ao câncer de bexiga. A inclusão desse segmento está correta.
A indústria de corantes é o exemplo clássico de exposição ocupacional a aminas aromáticas (benzidina, beta-naftilamina), carcinógenos uroteliais bem documentados. O item está correto.
O setor de educação não apresenta exposição ocupacional a agentes carcinogênicos uroteliais. Não há associação entre trabalho em educação e aumento do risco de câncer de bexiga, tornando o item incorreto.
A banca insere um setor sem exposição a carcinógenos (educação) para testar se o candidato sabe diferenciar os riscos ocupacionais específicos do câncer de bexiga. A armadilha é aceitar o item IV por parecer um setor comum, sem verificar a exposição química.
Para questões de risco ocupacional, foque nos agentes carcinogênicos (aminas aromáticas, HAPs) e nos setores onde ocorrem: indústria química, corantes, borracha, couro, tabaco, limpeza de chaminés. Setores sem exposição química relevante (educação, serviços administrativos) são distratores.
Gabarito: letra D — corretos os itens I, II e III.
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