Fratura peniana: conceitos e armadilhas
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que a aplicação de tratamentos para doença de Peyronie, como colagenase, é um fator de reforço da albugínea, diminuindo a fratura na placa — na verdade, a colagenase é uma enzima que degrada o colágeno, enfraquecendo a placa, e não a reforçando. As demais alternativas estão corretas quanto à fisiopatologia e ao diagnóstico da fratura peniana.
A fratura peniana é uma emergência urológica que ocorre quando há ruptura da túnica albugínea, a camada fibrosa que envolve os corpos cavernosos. Essa ruptura geralmente acontece durante o ato sexual com penetração, quando o pênis ereto sofre um trauma direto, como a colisão contra o períneo da parceira. O mecanismo clássico é o "estalo" seguido de detumescência imediata, dor intensa, hematoma e deformidade do pênis, o chamado sinal do "beringela" ou "ponta de berinjela".
A túnica albugínea não é uniforme em espessura: ela é mais fina nas regiões lateral e ventral, o que explica por que as fraturas ocorrem mais frequentemente nesses locais. Essa característica anatômica é fundamental para entender a fisiopatologia e a apresentação clínica. A uretra pode estar traumatizada nos casos mais graves, especialmente quando a fratura é extensa ou quando há hematoma significativo, podendo haver uretrorragia ou hematúria.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e na dinâmica do ocorrido. O paciente geralmente relata o momento exato do trauma, o estalo, a dor e a perda da ereção. Exames de imagem, como a cavernosografia ou a ultrassonografia, podem ser úteis em casos duvidosos, mas a anamnese é o pilar do diagnóstico.
A doença de Peyronie é uma condição caracterizada pela formação de placas fibróticas na túnica albugínea, causando curvatura peniana. O tratamento com colagenase (colagenase de Clostridium histolyticum) é uma opção para reduzir a curvatura, mas seu mecanismo de ação é justamente degradar o colágeno da placa, enfraquecendo-a. Portanto, a afirmação de que ela "reforça" a albugínea é um erro conceitual grave. Na verdade, o tratamento pode até aumentar o risco de fratura na placa, pois a enzima fragiliza a área tratada.
A pegadinha da banca está em inverter o efeito da colagenase: o candidato que sabe que ela é usada para tratar Peyronie pode associá-la a um "reforço", mas o mecanismo é oposto. É uma armadilha clássica de troca de sentido.
Alternativa A — ✅ Correta
A afirmação está correta. A túnica albugínea é mais fina nas regiões lateral e ventral, o que as torna mais suscetíveis à ruptura. Essa é uma característica anatômica bem estabelecida e frequentemente cobrada em provas de urologia.
Alternativa B — ✅ Correta
A afirmação está correta. A uretra pode estar traumatizada nas fraturas penianas mais graves, especialmente quando há laceração extensa ou quando o trauma é de alta energia. A presença de uretrorragia ou hematúria sugere lesão uretral associada.
Alternativa C — ✅ Correta
A afirmação está correta. O ato sexual com penetração é responsável pela maioria dos casos de fratura peniana, sendo o mecanismo mais comum. Outras causas incluem masturbação vigorosa, trauma direto e manobras de "fratura" (como dobrar o pênis ereto), mas a penetração é a principal.
Alternativa D — ✅ Correta
A afirmação está correta. A história e a dinâmica do ocorrido são fundamentais para o diagnóstico, pois o paciente geralmente relata o estalo, a dor e a perda da ereção. A anamnese detalhada é o primeiro passo e muitas vezes suficiente para confirmar a suspeita.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A afirmação está incorreta. A colagenase é uma enzima que degrada o colágeno, portanto, em vez de reforçar a albugínea, ela a enfraquece. O tratamento com colagenase para doença de Peyronie visa reduzir a placa fibrótica, mas isso não diminui o risco de fratura; pelo contrário, pode aumentá-lo na área tratada. A banca inverteu o efeito da enzima, transformando um tratamento que fragiliza em um que "reforça".
Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta.