Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg694422
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- AImpacto ou de Neer.
- BGancho ou hook.
- CJobe.
- DPatte.
- ERoos.
GabaritoB — Gancho ou hook.
Gabarito: letra B. O teste descrito — inserir o dedo indicador sob o tendão do bíceps distal, em trajeto lateral para medial, junto ao cotovelo — é o teste de Gancho (hook test), manobra semiológica clássica para avaliar a integridade do tendão distal do bíceps, especialmente na suspeita de ruptura. As demais alternativas referem-se a testes de outras regiões ou estruturas: Neer (impacto subacromial), Jobe (supraespinal), Patte (infraespinal) e Roos (síndrome do desfiladeiro torácico).
O teste de Gancho (hook test) é uma manobra semiológica utilizada na avaliação do tendão distal do bíceps braquial, que se insere na tuberosidade radial. A técnica consiste em o examinador tentar "enganchar" seu dedo indicador sob o tendão, deslizando-o de lateral para medial na fossa cubital, enquanto o paciente mantém o cotovelo fletido a 90° e o antebraço em supinação. Em condições normais, o tendão é palpável como uma estrutura firme e tensa, permitindo que o dedo do examinador "ganche" sob ele. Na presença de ruptura completa, o tendão não é palpável, e o dedo não encontra resistência — o teste é considerado positivo.
A importância clínica desse teste reside na sua alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de ruptura do tendão distal do bíceps, uma lesão que ocorre tipicamente em homens jovens durante esforço excêntrico com o cotovelo em flexão, como levantar um peso pesado. A dor na fossa cubital, exacerbada pela supinação contra resistência, é um achado comum tanto na tendinopatia quanto na ruptura parcial ou completa. O teste de Gancho auxilia a diferenciar essas condições, pois na tendinopatia sem ruptura o tendão permanece íntegro e palpável, enquanto na ruptura completa há uma falha palpável.
É fundamental distinguir o teste de Gancho de outras manobras semiológicas do membro superior. O teste de Speed, por exemplo, avalia a tendinite bicipital proximal (sulco bicipital) e é realizado com o paciente flexionando o braço contra resistência, com cotovelo estendido e antebraço supinado. Já o teste de O'Brien avalia lesões labrais (SLAP) no ombro. A confusão entre esses testes é comum, mas a localização anatômica é o critério decisivo: o teste de Gancho é específico para o tendão distal do bíceps, na região do cotovelo, enquanto os demais avaliam estruturas do ombro ou do braço proximal.
A banca explora exatamente essa distinção topográfica: o enunciado descreve dor na fossa cubital (cotovelo), e o examinador insere o dedo sob o tendão nessa região. O candidato que confunde os testes do ombro (Neer, Jobe, Patte) com os do cotovelo erra a questão. O teste de Roos, por sua vez, é uma manobra para avaliar a síndrome do desfiladeiro torácico, com o paciente abduzindo os ombros a 90° e realizando abertura e fechamento das mãos — completamente diferente do contexto apresentado.
Guarde a fronteira entre os testes do ombro e os do cotovelo: é exatamente nela que as alternativas se dividem. O teste de Gancho é a resposta correta por ser a única manobra descrita que avalia especificamente o tendão distal do bíceps na fossa cubital.
O teste de Impacto ou de Neer avalia a síndrome do impacto subacromial no ombro, não o tendão distal do bíceps. A manobra consiste na elevação passiva do membro superior pelo examinador, reproduzindo dor entre 60° e 120° de elevação. Não há relação com a fossa cubital nem com a supinação contra resistência.
O teste de Gancho (hook test) é exatamente a manobra descrita: o examinador tenta inserir o dedo indicador sob o tendão distal do bíceps, em trajeto lateral para medial, na fossa cubital. É um teste de alta sensibilidade e especificidade para ruptura do tendão distal do bíceps, sendo positivo quando o dedo não encontra o tendão (falha palpável).
O teste de Jobe (ou teste do supraespinal) avalia o músculo supraespinal do manguito rotador no ombro. A manobra consiste na elevação do braço a 90° no plano da escápula, com rotação interna, contra resistência. Não se aplica ao tendão distal do bíceps.
O teste de Patte avalia o músculo infraespinal do manguito rotador. O paciente posiciona o ombro em 90° de abdução e o cotovelo fletido a 90°, e o examinador aplica resistência à rotação externa. É um teste do ombro, não do cotovelo.
O teste de Roos é utilizado para avaliar a síndrome do desfiladeiro torácico. O paciente abduz os ombros a 90° com cotovelo fletido, e realiza abertura e fechamento das mãos por 3 minutos, reproduzindo sintomas neurovasculares. Não tem relação com o tendão distal do bíceps.
A banca troca os testes do ombro pelos do cotovelo. O enunciado descreve dor na fossa cubital e manobra no cotovelo — mas as alternativas A, C e D são testes clássicos do ombro (impacto, supraespinal e infraespinal). O candidato que não associa a topografia ao teste erra. Lembre-se: Neer, Jobe e Patte são do ombro; Gancho é do cotovelo (bíceps distal).
Para memorizar, associe o nome à ação: "Gancho" = o dedo "gancha" sob o tendão. Se a manobra envolve o cotovelo e o bíceps distal, é o hook test. Os testes do ombro (Neer, Jobe, Patte) envolvem elevação ou rotação do braço, nunca a fossa cubital.
Gabarito: letra B
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