Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg694424
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Sobre a síndrome metabólica em crianças e adolescentes, assinale a alternativa INCORRETA.
AAlgumas de suas definições, com variados pontos de corte dos critérios utilizados, podem subestimar sua prevalência.
BCrianças e adolescentes com Índice de Massa Corporal normal e aumento da adiposidade abdominal também representam risco para síndrome metabólica.
CA doença hepática gordurosa não alcoólica é doença hepática rara em crianças e adolescentes, e costuma ser assintomática na fase de esteatose inicial.
DA hiperuricemia é um achado frequente em pacientes com síndrome metabólica. O consumo elevado de frutose está associado ao aumento da produção de ácido úrico.
EHá várias definições de síndrome metabólica e a maioria ainda considera a presença de obesidade, hipertensão arterial, dislipidemia e alteração do metabolismo de carboidratos, embora outros fatores de risco têm sido associados a essa síndrome.
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GabaritoC — A doença hepática gordurosa não alcoólica é doença hepática rara em crianças e adolescentes, e costuma ser assintomática na fase de esteatose inicial.
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Síndrome metabólica em crianças e adolescentes
Gabarito: letra C. A alternativa incorreta é a que afirma que a doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) é "doença hepática rara" em crianças e adolescentes — na verdade, ela é a doença hepática crônica mais comum nessa faixa etária, diretamente associada à obesidade e à síndrome metabólica. As demais alternativas (A, B, D e E) estão corretas e refletem o conhecimento atual sobre o tema.
A síndrome metabólica (SM) é uma condição clínica complexa e frequente, caracterizada pela associação de fatores de risco cardiovascular e metabólico, como obesidade central, hipertensão arterial, dislipidemia e alteração do metabolismo de carboidratos. Na população pediátrica, sua prevalência vem aumentando em paralelo à epidemia de obesidade infantil, e o diagnóstico precoce é fundamental para prevenir complicações cardiovasculares e metabólicas na vida adulta.
Um ponto central para entender a questão é que a SM não é uma doença única, mas um conjunto de critérios que variam conforme a definição utilizada. Existem várias propostas — da Organização Mundial da Saúde (OMS), do European Group for the Study of Insulin Resistance (EGIR), do NCEP-ATP III e da Federação Internacional de Diabetes (IDF) — cada uma com pontos de corte diferentes para os mesmos componentes. Essa heterogeneidade faz com que a prevalência estimada da SM em crianças e adolescentes varie muito entre os estudos, podendo ser subestimada ou superestimada dependendo dos critérios adotados. É exatamente isso que a alternativa A afirma, e por isso ela está correta.
Outro aspecto importante é que a obesidade abdominal (adiposidade central) é o parâmetro de gordura corporal que mais se associa à SM, sendo considerada o componente-chave do diagnóstico. A circunferência abdominal é o índice antropométrico mais representativo da gordura intra-abdominal, e esse acúmulo de tecido adiposo visceral é metabolicamente mais ativo e está mais associado à ocorrência de doenças cardiovasculares. Por isso, crianças e adolescentes com IMC normal, mas com aumento da adiposidade abdominal, também apresentam risco para SM — como afirma a alternativa B. A avaliação isolada do IMC pode não capturar esse risco, sendo essencial a medida da circunferência abdominal.
A hiperuricemia, mencionada na alternativa D, é um achado frequente em pacientes com SM. O consumo elevado de frutose, presente em refrigerantes e alimentos ultraprocessados, está associado ao aumento da produção de ácido úrico, pois a frutose é metabolizada no fígado e estimula a via que gera urato como subproduto. Essa associação entre frutose, hiperuricemia e SM é bem estabelecida na literatura, tornando a alternativa D correta.
A alternativa E também está correta, pois descreve que a maioria das definições de SM considera a presença de obesidade, hipertensão arterial, dislipidemia e alteração do metabolismo de carboidratos, embora outros fatores de risco (como hiperuricemia, esteatose hepática, inflamação crônica e fatores genéticos) tenham sido associados à síndrome.
A alternativa C, por sua vez, contém um erro conceitual importante. A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) é a doença hepática crônica mais comum em crianças e adolescentes, especialmente naqueles com obesidade ou sobrepeso. Sua prevalência na população pediátrica é alta e crescente, e não pode ser considerada "rara". Embora seja verdade que a DHGNA costuma ser assintomática na fase de esteatose inicial, a afirmação de que é uma doença rara está incorreta. A DHGNA está presente em 50 a 90% dos indivíduos com obesidade, e sua ocorrência é 2 vezes maior em indivíduos com sobrepeso e 3 a 4 vezes maior em indivíduos com obesidade do que naqueles com IMC normal.
Guarde a fronteira entre o que é "raro" e o que é "comum" na população pediátrica: a DHGNA é a doença hepática crônica mais frequente em crianças e adolescentes, diretamente ligada à epidemia de obesidade infantil. É exatamente nesse ponto que a alternativa C se separa das demais.
Síndrome metabólica (SM)
1Componentes centrais
Obesidade central
Hipertensão arterial
Dislipidemia
Alteração do metabolismo de carboidratos
2Definições variadas
OMS, EGIR, NCEP-ATP III, IDF
Pontos de corte distintos
Podem subestimar prevalência
3Fatores associados
Hiperuricemia (frutose)
DHGNA
Doença hepática crônica mais comum
Assintomática na esteatose inicial
Inflamação crônica
4Risco independente do IMC
Adiposidade abdominal com IMC normal
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Alternativa A — ✅ Correta
A afirmação está correta. As diferentes definições de SM em crianças e adolescentes utilizam pontos de corte variados para os critérios (circunferência abdominal, pressão arterial, triglicerídeos, HDL-c e glicemia), o que pode levar à subestimação ou superestimação da prevalência. Por exemplo, a definição da IDF exige obesidade central como critério obrigatório, enquanto o NCEP-ATP III não exige, o que gera prevalências diferentes. Essa heterogeneidade metodológica é um problema reconhecido na literatura.
Alternativa B — ✅ Correta
A afirmação está correta. A adiposidade abdominal (obesidade central) é o parâmetro de gordura corporal que mais se associa à SM, independentemente do IMC. Crianças e adolescentes com IMC normal, mas com aumento da circunferência abdominal, apresentam maior risco cardiometabólico e podem preencher critérios para SM. A avaliação isolada do IMC pode subestimar o risco nesses casos.
Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A afirmação está incorreta. A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) é a doença hepática crônica mais comum em crianças e adolescentes, especialmente naqueles com obesidade ou sobrepeso. Sua prevalência é alta e crescente, acompanhando a epidemia de obesidade infantil. Embora seja verdade que a DHGNA costuma ser assintomática na fase de esteatose inicial, classificá-la como "rara" é um erro conceitual grave. A DHGNA está presente em 50 a 90% dos indivíduos com obesidade, e sua ocorrência é 2 vezes maior em indivíduos com sobrepeso e 3 a 4 vezes maior em indivíduos com obesidade do que naqueles com IMC normal.
Alternativa D — ✅ Correta
A afirmação está correta. A hiperuricemia é um achado frequente em pacientes com SM, e o consumo elevado de frutose está associado ao aumento da produção de ácido úrico. A frutose é metabolizada no fígado e estimula a via que gera urato como subproduto, contribuindo para a hiperuricemia. Essa associação é bem estabelecida na literatura e faz parte do espectro de alterações metabólicas da SM.
Alternativa E — ✅ Correta
A afirmação está correta. A maioria das definições de SM considera a presença de obesidade, hipertensão arterial, dislipidemia e alteração do metabolismo de carboidratos como componentes centrais. Além desses, outros fatores de risco têm sido associados à síndrome, como hiperuricemia, esteatose hepática, inflamação crônica e fatores genéticos, ampliando o entendimento da condição.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão de um conceito epidemiológico: afirma que a DHGNA é "rara" em crianças e adolescentes, quando na verdade é a doença hepática crônica mais comum nessa faixa etária. O candidato que sabe que a DHGNA é assintomática na fase inicial pode ser levado a concordar com a alternativa, sem perceber o erro na palavra "rara". Fique atento a termos absolutos como "raro", "sempre", "nunca" — eles frequentemente sinalizam a alternativa incorreta.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre síndrome metabólica, memorize os componentes centrais (obesidade central, hipertensão, dislipidemia, alteração do metabolismo de carboidratos) e as principais definições (OMS, EGIR, NCEP-ATP III, IDF). Lembre-se de que a DHGNA é a manifestação hepática mais comum da SM, presente em 50 a 90% dos obesos, e que a hiperuricemia está associada ao consumo de frutose. Esses pontos são recorrentes em provas de endocrinologia e pediatria.
Gabarito: letra C — a única alternativa incorreta, pois a DHGNA é a doença hepática crônica mais comum em crianças e adolescentes, não uma doença rara.