O desejo de imanência no rio da aldeia
Gabarito: letra B. O eu lírico busca a imanência, pois valoriza o rio da aldeia exatamente por ele não remeter a nada além de si mesmo — a realidade se explica por si mesma, sem necessidade de transcendência ou abstração.
A chave está nos versos finais: "O rio da minha aldeia não faz pensar em nada. / Quem está ao pé dele está só ao pé dele." O eu lírico contrasta o Tejo, que evoca grandezas históricas e geográficas ("grandes navios", "América", "fortuna"), com o rio da aldeia, que é pleno em si mesmo. Enquanto o Tejo "faz pensar" no mundo além, o rio da aldeia não suscita reflexão — ele é e basta. Essa é a essência da imanência: o princípio e o fim estão no próprio ser.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A abstração implica remeter a algo externo ou superior, mas o texto afirma exatamente o oposto: o rio "não faz pensar em nada". A alternativa contradiz o verso.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como demonstrado, o rio da aldeia é louvado por sua autossuficiência. A imanência está em "quem está ao pé dele está só ao pé dele" — sem meta além.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O poema não valoriza o passado glorioso das navegações; ao contrário, o Tejo (símbolo desse passado) é considerado "mais belo", mas o rio da aldeia é preferido justamente por sua simplicidade, sem vínculo com conquistas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Não há superação de limites ou expansão de horizontes. O rio da aldeia é caracterizado por sua limitação geográfica e por não levar a lugar algum: "Ninguém nunca pensou no que há para além / Do rio da minha aldeia." A alternativa extrapola.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A transcendência (ir além da matéria) é o contrário do que o poema defende. O rio da aldeia é material, concreto, e não remete a nada metafísico. A ideia de "não faz pensar em nada" afasta qualquer transcendência.
Gabarito: letra B.