Análise do poema e relação com textos anteriores
Gabarito: letra B. A questão pede que se estabeleça relação entre o Texto III (poema de Alberto Caeiro) e dois textos anteriores (não reproduzidos aqui). No poema, há um claro sentimento de pequenez do eu lírico em relação ao mundo representado pelo Tejo, enquanto o rio da aldeia – pequeno e anônimo – é valorizado por sua liberdade e intimidade. Nas alternativas, apenas a B capta essa oposição e a estende coerentemente aos demais textos.
O que o poema prova
"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,\nMas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia\nPorque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia."
O eu lírico contrapõe o Tejo (grande, mundial, cheio de navios e história) ao rio da sua aldeia (pequeno, desconhecido, mas próprio). E conclui:
"É mais livre e maior o rio da minha aldeia."
Há uma inversão de valores: o que é pequeno e local ganha em liberdade e pertencimento. O eu lírico reconhece a grandiosidade do Tejo ("vai-se para o mundo", "há a América"), mas isso traz um sentimento de não pertencimento – o rio da aldeia não leva a nada, "não faz pensar em nada", e quem está ao pé dele "está só ao pé dele". Essa é a expressão de uma pequenez positiva: o sujeito se sente pequeno diante do mundo, mas encontra plenitude no que é singelo.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma semelhança entre os dois primeiros textos (que descreveriam o ambiente) e classifica o terceiro como hibridismo textual. O poema de Caeiro é um texto lírico puro, sem hibridismo (mistura de tipos). Além disso, não temos os textos anteriores para confirmar a descrição ambiental. A alternativa extrapola.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"há, no texto poético, um sentimento de pequenez em relação ao mundo, enquanto, nos demais textos, o rio é decisório no destino dos personagens."
O poema comprova a primeira parte: o eu lírico se coloca como alguém que valoriza o rio pequeno e local, em contraste com o Tejo que "vai para o mundo". A segunda parte — sobre os demais textos — não pode ser verificada aqui, mas o gabarito oficial a considera adequada. A alternativa é a única que encontra eco no tom e nas ideias do poema.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma unidade de tema e tipologia entre os três textos. O tema (rio) até se mantém, mas a tipologia? O poema é lírico; os outros provavelmente são narrativos ou descritivos. A unidade tipológica é improvável. A alternativa generaliza.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"As ações se passam no mesmo cenário urbano..." O poema fala de "minha aldeia" (rural) e do Tejo (rio, não necessariamente urbano). Não há cenário urbano claro. O foco narrativo é diverso? Talvez, mas a premissa do cenário é falsa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Os três textos são exemplos de hibridismo e multifuncionalidade textual." Mais uma vez, atribui-se ao poema uma característica que ele não tem: é um texto poético clássico, sem hibridismo. A banca tenta enganar com o termo da moda, mas o texto não o sustenta.
Conclusão
A única alternativa que não contradiz o poema e que dialoga com a ideia central (pequenez do eu lírico diante do mundo) é a B. Mesmo sem os textos anteriores, a análise do poema permite afirmar que o sentimento de pequenez está presente, e a relação com os outros textos, conforme a banca, é legítima.
Gabarito: letra B.