Representação do barco no texto: metáfora da vida
Gabarito: letra D. O barco não é simples meio de transporte, mas uma metáfora da vida. A narrativa mostra a busca inicial por placidez ("Ah! a placidez das águas turvas que nada revelam e nada exigem. Para isso havia alugado o barco, para ser plácido como a água") e a súbita transformação em perigo ("Nada do que viu era o que esperava ver... uma cachoeira o aguardava"). Essa trajetória – do desejo de paz ao confronto com a violência da correnteza – espelha a imprevisibilidade da existência, confirmando o sentido metafórico.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: generalização indevida. Reduz o barco a "modal de transporte marítimo", ignorando a carga simbólica e a experiência subjetiva do personagem. O texto não trata de deslocamento prático, mas de uma vivência interior.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: generalização indevida. Idem à A, agora como "modal de transporte fluvial". O lago inicial e o rio posterior não são explorados como vias de transporte, e sim como espaços de reflexão e, depois, de ameaça.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: afirmação incompleta. O aluguel do barco é, de fato, um "momento de lazer" no início ("para ser plácido"), mas a narrativa avança para o medo e o perigo, tornando essa leitura parcial. O texto não se limita ao lazer.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A passagem "Um barco, pensou, embora desejasse tanto não pensar em nada, um barco, pensou, não fica parado, mesmo que não haja vento" já sugere a inércia e o movimento inevitáveis da vida. O clímax – a cachoeira iminente – consolida a metáfora: a vida como um barco à deriva, entre a calma aparente e a turbulência inesperada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: fora do escopo. O texto não apresenta o barco como lembrança dolorosa; a experiência é vivida no presente, com leves referências a sensações passadas ("a antiga segurança do berço"), mas não como memória afetiva central.