Questão de Psicologia — Psicologia Social — IF-ES 2026
PsicologiaPsicologia Social
- Código
- qg708925
- Banca
- IF-ES
- Órgão
- IF-ES
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Psicólogo
Corpos dissidentes estão cada vez mais ocupando os campi do Ifes, tais como estudantes trans no campus Vitória, estudantes indígenas no campus Aracruz ou estudantes quilombolas no campus Venda Nova do Imigrante. Esse cenário exige a decolonização da noção de sujeito presente na Psicologia ocidental, na qual o homem branco cisgênero heterossexual não seja a referência. Nesse sentido, no capítulo 3, do livro “Psicologia e Decolonidade”, Ramos aponta alguns equívocos que podem surgir quanto à aproximação dos estudos decoloniais com a Psicologia. Assinale a opção que representa um equívoco nessa aproximação:
- AA matriz colonial de poder impõe uma verdadeira homogeneização diante das populações mundiais, na qual as suas diferenças são encaradas segundo a racionalidade eurocêntrica, que coloca a Europa como centro de todas as discussões que atravessam, também, a Psicologia.
- BMesmo com o “fim” do colonialismo, enquanto momento histórico, as hierarquias globais e estruturais que ele instituiu mantêm-se nas relações, nas subjetividades, na cultura, no gênero, na religião, na política de cada país e em cada dimensão da nossa vida, a partir do que se denomina de colonialidade do poder.
- CTrabalhar com perspectivas teóricas do Brasil e da América Latina implica a rejeição dos teóricos europeus e norte-americanos. Dessa forma, a Psicologia decolonial seria compreendida como uma proposta voltada à hegemonização de autores historicamente marginalizados, ao mesmo tempo em que rejeitaria interpretações de matriz eurocêntrica, como as de Michel Foucault, no campo da saúde mental, consideradas por essa perspectiva como insuficientes para compreender as especificidades das realidades locais ao redor do mundo.
- DNem todos os conflitos das populações latino-americanas advêm do colonialismo. O entendimento dialético das relações humanas nos mostra que todo grupo social, independente de raça, etnia e gênero possui suas tensões e contradições. Reconhecer isso não é se posicionar contra eles, mas ter um entendimento mais abrangente e crítico da realidade que os cerca.
- EPara Ramos, a proposta decolonial, enquanto projeto político-epistêmico, é algo para ser transitório até que indígenas e negros sejam tão ouvidos e valorizados quanto os grupos dominantes. Do contrário, os estudos decoloniais serão, apenas, discursos dóceis do colonizador para se manter nos mesmos espaços de poder que criticam.