Pular para o conteúdo principal

Questão de Sociologia — Meio ambiente e sociedade — IF-MT 2026

SociologiaMeio ambiente e sociedade
Código
qg709222
Banca
IF-MT
Órgão
IF-MT
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Professor EBTT - Área: Sociologia
"Com o intuito de abarcar o neoextrativismo contemporâneo, proponho uma leitura em dois níveis: uma mais geral, que o define como 'janela privilegiada´ para dar conta das dimensões da crise atual; e outra mais específica, que entende o neoextrativismo como um modelo sociopolítico e territorial, passível de ser analisado em escala nacional, regional ou local. O neoextrativismo como o compreendo, nas versões forjadas nos últimos quinze anos da América Latina, longe de ser uma categoria plana, constitui um conceito complexo, uma janela privilegiada para ler em suas complexidades e em seus diferentes níveis as múltiplas crises que atingem as sociedades contemporâneas. [...] o neoextrativismo se encontra no centro da acumulação contemporânea. De fato, como vários autores apontaram, o aumento do metabolismo social do capital no marco do capitalismo avançado exige, para sua manutenção, quantidades cada vez maiores de matérias-primas e energias, o que se traduz em uma pressão ainda maior sobre os bens naturais e os territórios" (Svampa, 2019, p. 28).SVAMPA, Maristella. As fronteiras do neoextrativismo na América Latina: conflitos socioambientais, giro ecoterritorial e novas dependências. São Paulo: Elefante, 2019.A socióloga argentina Maristella Svampa (2019) propõe que os conceitos de "consenso das commodities" e "neoextrativismo contemporâneo" servem como articuladores para interpretação dos modelos socioeconômicos e geopolíticos das sociedades contemporâneas. Qual das alternativas apresentadas abaixo melhor reflete a análise da autora sobre a situação da América Latina frente às novas configurações socioeconômicas, socioambientais e geopolíticas?
  1. AO tensionamento produzido pelo extrativismo, sobretudo na América Latina e África, organiza-se a partir da baixa latência e organização do conflito político nesses territórios. Essa debilidade configura-se como uma fratura sociopolítica que permite o avanço das lógicas de exploração contemporânea marcadas por uma nova fase da globalização.
  2. BPara as periferias globalizadas, onde se encontra a América Latina, o neoextrativismo opera enquanto processo de reprimarização econômica, dada a sua centralidade enquanto novo modus de acumulação contemporânea, guardando forte relação com um novo processo de transição hegemônica, caracterizada pelo relativo declínio dos EUA e ascensão da China enquanto potência global importadora.
  3. COs conflitos cidade-campo são reificados pela relação centro-periferia na nova organização produtiva global. Esses conflitos, além de ambientais e frequentemente produtores de violência, acontecem também, e não menos determinante, no campo simbólico e cultural.
  4. DA emancipação social do campesinato passa por uma reorganização dos fluxos produtivos globais. A globalização, calcada no comércio internacional de commodities, produz um novo tipo de mais valia que privilegia os centros industrialmente avançados em detrimento das classes camponesas da periferia global.
  5. EA necessidade cada vez mais avassaladora por matéria-prima e commodities produz um intenso fluxo de uso dos recursos naturais, como uma espécie de metabolismo socioeconômico que ocorre de maneira homogênea em toda a extensão do planeta, sem matizes nacionais e regionais, caracterizando a mundialização dos desafios ambientais contemporâneos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Para as periferias globalizadas, onde se encontra a América Latina, o neoextrativismo opera enquanto processo de reprimarização econômica, dada a sua centralidade enquanto novo modus de acumulação contemporânea, guardando forte relação com um novo processo de transição hegemônica, caracterizada pelo relativo declínio dos EUA e ascensão da China enquanto potência global importadora.

Link permanente: /questoes/qg709222