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Questão de Português — Problemas da língua culta — INSTITUTO AOCP 2026

PortuguêsProblemas da língua culta
Código
qg725972
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-CE
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Professor EEBT - Filosofia
ENTRE O SOFÁ E A MARATONA


Bruno Gualano


   Há cada vez mais indícios de que pequenas mudanças no estilo de vida fazem diferença. A evidência mais recente vem de uma ampla revisão sistemática que estimou a proporção de mortes potencialmente evitáveis caso fossem implementadas alterações pequenas e realistas na atividade física e no comportamento sedentário em nível populacional.

   Especificamente, os pesquisadores avaliaram o impacto de um acréscimo de meros cinco minutos por dia de atividade física de intensidade moderada a vigorosa – aquela que acelera os batimentos cardíacos e a respiração – e da redução de 30 minutos no tempo diário sentado.

   A meta-análise reuniu dados individuais de sete coortes da Noruega, Suécia e Estados Unidos, totalizando 40.327 participantes, além de uma análise separada com 94.719 participantes do UK Biobank.

   As estimativas consideraram dois cenários hipotéticos: no menos otimista, apenas os 20% menos ativos adotariam as mudanças; no mais animador, todos cumpririam as metas, exceto os 20% mais ativos.

  No primeiro cenário, um aumento de apenas cinco minutos diários de atividade moderada a vigorosa poderia prevenir 6% das mortes entre os menos ativos. No segundo, a prevenção chegaria a 10%.

  Com a redução de 30 minutos no tempo sentado, estimou-se uma prevenção de 3% das mortes no cenário menos otimista; no mais favorável, essa proporção mais do que dobraria.

  Curiosamente, as simulações indicam maiores benefícios justamente entre os menos ativos. Aumentar a atividade física de 1 para 11 minutos por dia associou-se a uma redução de 42% no risco de mortalidade, enquanto incrementos em níveis já elevados de atividade renderam ganhos menores. Para acréscimos superiores a 24 minutos por dia, por exemplo, não se observou redução adicional evidente no risco.

  Em análise complementar, até mesmo o aumento de 30 minutos de atividade física leve – como tarefas domésticas ou caminhada lenta – associou-se à prevenção de cerca de 9% das mortes entre os mais inativos. À primeira vista pode parecer pouco, mas vale lembrar que uma redução de 5 mmHg na pressão arterial por meio de medicamentos reduz o risco de eventos cardiovasculares em magnitude semelhante.

  Como destacam os autores, é improvável que toda a população alcance as diretrizes da OMS (150 minutos de atividade física por semana). Ainda assim, metas factíveis – ainda que modestas e abaixo do ideal – podem gerar impacto relevante em saúde pública, sem impor frustração a quem, por um motivo ou outro, não consegue cumprir as recomendações. 

  Os novos achados reforçam a ideia de que, quando o assunto é movimento, cada minuto conta. Subir escadas, interromper longos períodos diante da tela com breves caminhadas em ritmo moderado (4-5 km/h), passear com o cachorro na praça, praticar o esporte preferido (ainda que apenas nos fins de semana) e até cair na folia do Carnaval são formas acessíveis de se manter ativo, com potencial real de melhorar a saúde e a qualidade de vida.

  À medida que as evidências se acumulam, torna-se cada vez mais claro que os benefícios da atividade física não exigem esforços extraordinários. Mudanças sutis já produzem ganhos mensuráveis e podem abrir caminho para transformações mais profundas.

  No mundo fitness, entretanto, a mensagem que vigora é “no pain, no gain” – a noção de que só há resultados quando o corpo é levado ao limite. Prefira a versão da ciência: entre o sofá e a maratona, há um meio do caminho possível que também conduz à longevidade.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/brunogualano/2026/02/entre-o-sofa-e-a-maratona.shtml. Acesso em: 3 mar. 2026.
Tendo em vista as regras de concordância verbal da língua portuguesa, assinale a alternativa em que a reescrita proposta se mantém condizente com a norma-padrão.
  1. A cada vez mais indícios de que pequenas mudanças no estilo de vida fazem diferença.”.
    Reescrita: Existe cada vez mais indícios de que pequenas mudanças no estilo de vida fazem diferença.
  2. B“A evidência mais recente vem de uma ampla revisão sistemática que estimou a proporção de mortes evitáveis [...]”.
    Reescrita: As evidências mais recentes vem de uma ampla revisão sistemática que estimou a proporção de mortes evitáveis.
  3. C“[...] um aumento de apenas cinco minutos diários de atividade moderada a vigorosa poderia prevenir 6% das mortes [...]”.
    Reescrita: Um aumento de apenas cinco minutos diários de atividades moderadas a vigorosas poderiam prevenir 6% das mortes.
  4. D“[...] metas factíveis [...] podem gerar impacto relevante em saúde pública, sem impor frustração a quem, por um motivo ou outro [...]”.
    Reescrita: Metas factíveis podem gerar impacto em saúde pública, sem imporem frustração a quem, por um motivo ou outro [...]”.
  5. E“À medida que as evidências se acumulam, torna-se cada vez mais claro que os benefícios da atividade física não exigem esforços extraordinários.”.
    Reescrita: À medida que se acumula as evidências, torna-se cada vez mais claro que os benefícios da atividade física não exigem esforços extraordinários
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “[...] metas factíveis [...] podem gerar impacto relevante em saúde pública, sem impor frustração a quem, por um motivo ou outro [...]”. Reescrita: Metas factíveis podem gerar impacto em saúde pública, sem imporem frustração a quem, por um motivo ou outro [...]”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: reescrita sem desvio da norma-padrão

Gabarito: letra D. A única reescrita que preserva a concordância verbal da norma-padrão é a da alternativa D, pois mantém o verbo "podem" no plural, concordando com o sujeito composto "metas factíveis", e emprega corretamente o infinitivo impessoal "impor" (sem flexão), que não deve concordar com o sujeito da oração principal. As demais alternativas apresentam desvios de concordância verbal, como veremos a seguir.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique a alternativa em que a reescrita proposta se mantém condizente com a norma-padrão no que tange à concordância verbal. Isso significa que você deve comparar cada reescrita com o trecho original e verificar se o verbo (ou locução verbal) está flexionado corretamente em relação ao seu sujeito. Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicação de regra gramatical — especificamente, a concordância do verbo com o núcleo do sujeito.

A técnica que decide a questão

Para resolver, siga este roteiro em cada alternativa:

  1. Identifique o sujeito da oração reescrita (pergunte "quem pratica a ação?" ao verbo).

  2. Encontre o núcleo do sujeito (o termo central, sem adjuntos).

  3. Verifique se o verbo concorda em número e pessoa com esse núcleo.

  4. Atenção a casos especiais: verbos impessoais (como "haver" no sentido de existir), sujeito oracional, e o uso do infinitivo pessoal × impessoal.

A pegadinha central desta questão é a flexão do infinitivo. Na norma-padrão, o infinitivo pode ser pessoal (flexionado, concordando com o sujeito) ou impessoal (não flexionado). A regra prática: quando o infinitivo funciona como complemento de um verbo anterior (locução verbal) ou como objeto indireto (regido por preposição), ele tende a ficar impessoal (sem flexão), a menos que haja sujeito próprio explícito. Na alternativa D, "sem imporem frustração" estaria errado porque o infinitivo "impor" é regido pela preposição "sem" e não tem sujeito próprio — deve permanecer impessoal: "sem impor frustração".

Concordância verbal
  • 1Verbo impessoal
    • Haver (existir) → singular
    • Fazer (tempo) → singular
  • 2Verbo pessoal
    • Existir → concorda com o sujeito
  • 3Núcleo do sujeito
    • Verbo concorda com o núcleo
    • Adjunto não atrai concordância
  • 4Infinitivo
    • Impessoal (sem flexão)
      • Regido por preposição
      • Sem sujeito próprio
    • Pessoal (flexionado)
      • Com sujeito próprio
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Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: concordância com verbo impessoal "existir" no lugar de "haver".

No original, "Há cada vez mais indícios" usa o verbo haver no sentido de existir, que é impessoal (não tem sujeito) e fica sempre na 3ª pessoa do singular. A reescrita troca por "Existe cada vez mais indícios", mas o verbo existir é pessoal — ele tem sujeito e deve concordar com ele. O sujeito é "indícios" (plural), então o correto seria "Existem cada vez mais indícios". A banca explora a confusão entre verbos impessoais (haver) e pessoais (existir).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: verbo "vem" no singular com sujeito plural.

No original, "A evidência mais recente vem" tem sujeito singular "A evidência". A reescrita pluraliza o sujeito para "As evidências mais recentes", mas mantém o verbo no singular "vem". O correto seria "As evidências mais recentes vêm" (com acento circunflexo diferencial de plural). A banca testa se você percebe que a pluralização do sujeito exige a flexão do verbo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: verbo "poderiam" no plural com sujeito singular.

No original, "um aumento de apenas cinco minutos diários de atividade moderada a vigorosa poderia prevenir" tem sujeito singular "um aumento". A reescrita pluraliza "atividades moderadas a vigorosas" (adjunto adnominal), mas o núcleo do sujeito continua "um aumento" (singular). Portanto, o verbo deve permanecer no singular: "Um aumento de apenas cinco minutos diários de atividades moderadas a vigorosas poderia prevenir". A banca tenta confundir fazendo o verbo concordar com o adjunto, não com o núcleo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Concordância correta e infinitivo impessoal bem empregado.

No original, "metas factíveis [...] podem gerar impacto relevante em saúde pública, sem impor frustração a quem". A reescrita mantém o verbo "podem" no plural, concordando com o sujeito "metas factíveis" (plural). Além disso, emprega o infinitivo impessoal "impor" (sem flexão), que é o correto, pois o infinitivo é regido pela preposição "sem" e não possui sujeito próprio. A forma "imporem" (infinitivo pessoal) seria inadequada aqui, pois não há um sujeito explícito para o infinitivo. Portanto, a reescrita está condizente com a norma-padrão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: verbo "acumula" no singular com sujeito plural.

No original, "À medida que as evidências se acumulam" tem sujeito plural "as evidências". A reescrita inverte para "À medida que se acumula as evidências", mas o sujeito continua sendo "as evidências" (plural), então o verbo deve concordar: "À medida que se acumulam as evidências". A banca testa se você identifica o sujeito mesmo com a ordem invertida (verbo antes do sujeito).

Conclusão

A alternativa D é a única que mantém a concordância verbal correta, pois respeita o plural do sujeito e usa o infinitivo impessoal adequadamente. As demais cometem erros clássicos: confundir verbo impessoal com pessoal (A), não flexionar o verbo com sujeito plural (B e E), e fazer o verbo concordar com adjunto em vez do núcleo (C).

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever frases, sempre identifique o núcleo do sujeito antes de flexionar o verbo. Desconfie de adjuntos adnominais no plural que tentam "puxar" a concordância. E lembre-se: verbos impessoais (haver, fazer no sentido de tempo) não têm sujeito; verbos como "existir" são pessoais e concordam.

Gabarito: letra D

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