Questão de Medicina — Legislação Profissional do Médico — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg726267
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Auditor
- AA.
- BB.
- CC.
- DD.
- EE.
GabaritoC — C.
Gabarito: letra C. O paciente C, apesar de assintomático e com exames laboratoriais menos alterados, é o único anúrico e já em hemodiálise diária — ou seja, depende totalmente da máquina para sobreviver, e a interrupção do tratamento (mesmo que temporária, enquanto aguarda vaga em regime crônico) representa risco iminente de morte. A Lei nº 8.080/1990, ao garantir a equidade no acesso às ações e serviços de saúde, exige que a priorização considere a gravidade e o risco clínico, e não apenas os números laboratoriais isolados.
A questão mistura dois campos: a clínica da doença renal crônica (DRC) e a ética/bioética na regulação assistencial. O auditor médico, ao distribuir vagas, deve aplicar o princípio da equidade — tratar desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade — priorizando quem está em maior risco de morte ou dano irreversível. Não se trata de escolher o paciente "mais doente" pelos exames, mas aquele cuja vida está imediatamente ameaçada pela falta do tratamento.
Vamos analisar cada paciente sob a ótica da urgência clínica e da dependência do tratamento dialítico:
Paciente A: Cl Cr 15 ml/min, diurese presente, pH 7,40, K 4,0. É o paciente com melhor função renal residual e exames mais estáveis. Apesar da uremia (U 200), não há sinais de gravidade iminente. Pode aguardar com acompanhamento clínico conservador.
Paciente B: Cl Cr 12 ml/min, diurese presente, edema moderado, pH 7,35, K 4,5. Tem sobrecarga de volume (edema), mas mantém diurese e sem acidose grave. É um candidato a diálise, mas não em caráter de urgência imediata.
Paciente C: Anúrico, em hemodiálise diária, internado em UTI com critérios para alta. É o paciente totalmente dependente da diálise — sem ela, evoluiria para hipercalemia, edema agudo de pulmão e óbito em poucos dias. A vaga em regime crônico é condição para a alta hospitalar e para a continuidade do tratamento. É o caso de maior urgência.
Paciente D: 85 anos, Cl Cr 12 ml/min, várias comorbidades, K 6,8, pH 7,20. Tem hipercalemia e acidose importantes, mas mantém diurese presente. É um paciente grave, porém com alguma função renal residual. A hipercalemia (K 6,8) é um marcador de risco, mas a diurese presente indica que ainda há algum mecanismo de excreção de potássio.
Paciente E: Cl Cr 8 ml/min, assintomático, diurese presente. É o paciente com pior clearance, mas assintomático e com diurese. A ausência de sintomas e a diurese presente sugerem que, apesar da DRC avançada, não há risco iminente.
A pegadinha está em escolher o paciente D (idoso, comorbidades, K 6,8, pH 7,20) por ter os exames mais alterados. No entanto, a equidade e a bioética (princípio da beneficência e não maleficência) orientam priorizar quem está em risco de morte iminente — e o paciente C, anúrico e em hemodiálise, é o único que não sobrevive sem a máquina. A vaga em regime crônico, para ele, não é uma melhora de qualidade de vida, mas uma questão de sobrevivência.
A banca tenta induzir o candidato a escolher o paciente com exames mais alterados (D: K 6,8, pH 7,20, U 280). Mas o que decide a prioridade não é o "pior laboratório", e sim o risco de morte iminente — e o paciente C, anúrico e em hemodiálise diária, é o único que não tem como sobreviver sem a vaga. A diurese presente nos demais (mesmo com exames ruins) indica que ainda há função renal residual, o que permite aguardar com segurança relativa.
O paciente A tem o melhor clearance (Cl Cr 15 ml/min) e exames estáveis (pH 7,40, K 4,0). É o paciente com menor urgência — pode aguardar em acompanhamento conservador. Priorizá-lo violaria o princípio da equidade, que manda atender primeiro quem está em maior risco.
O paciente B tem diurese presente e acidose apenas leve (pH 7,35). O edema moderado indica sobrecarga de volume, mas não há risco iminente de morte. É um candidato a diálise, porém em caráter eletivo, não urgente.
O paciente C é o único anúrico e já em hemodiálise diária. Sua sobrevivência depende integralmente da máquina. A vaga em regime crônico é condição para a alta da UTI e para a continuidade do tratamento. A interrupção da diálise, mesmo por poucos dias, levaria a hipercalemia, edema agudo de pulmão e óbito. É o caso de máxima urgência e, portanto, o primeiro a receber a vaga, conforme o princípio da equidade.
O paciente D tem exames alarmantes (K 6,8, pH 7,20, U 280) e múltiplas comorbidades, o que o torna um paciente grave. No entanto, mantém diurese presente, indicando função renal residual. A hipercalemia é um risco, mas a diurese presente permite alguma excreção de potássio. Embora seja um forte candidato, não está em risco de morte iminente como o paciente C.
O paciente E tem o pior clearance (Cl Cr 8 ml/min), mas é assintomático e mantém diurese. A ausência de sintomas e a diurese presente indicam que, apesar da DRC avançada, não há risco imediato. Pode aguardar com acompanhamento clínico.
Gabarito: letra C — o paciente anúrico e em hemodiálise diária é o que tem maior risco de morte iminente e, portanto, deve receber a primeira vaga, conforme o princípio da equidade da Lei nº 8.080/1990.
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