Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg726343
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardiologia Pediátrica
São fatores de risco para aneurisma/dissecção aorta após correção de coarctação, EXCETO
Aangioplastia com patch.
Bgravidez.
Ccorreção nos primeiros anos de vida.
Dpseudoaneurismas.
Ehipertensão arterial sistêmica.
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GabaritoC — correção nos primeiros anos de vida.
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Fatores de risco para aneurisma/dissecção de aorta após correção de coarctação
Gabarito: letra C. A correção da coarctação da aorta nos primeiros anos de vida é um fator de proteção contra o desenvolvimento de aneurisma/dissecção aórtica tardia, e não um fator de risco — a literatura mostra que a correção precoce reduz a morbidade cardiovascular a longo prazo. Os demais itens (angioplastia com patch, gravidez, pseudoaneurismas e hipertensão arterial sistêmica) são reconhecidamente fatores de risco para essa complicação.
A coarctação da aorta é uma cardiopatia congênita caracterizada por estreitamento da aorta, geralmente distal à origem da artéria subclávia esquerda. Mesmo após a correção cirúrgica ou percutânea, esses pacientes permanecem com risco aumentado de complicações tardias, sendo as mais temidas o aneurisma e a dissecção da aorta. O entendimento dos fatores que predispõem a essas complicações é essencial para o seguimento adequado desses pacientes.
A fisiopatologia do aneurisma/dissecção pós-correção envolve a persistência de anormalidades estruturais da parede aórtica (como degeneração cística da média, comum em pacientes com coarctação), além de alterações hemodinâmicas locais. A hipertensão arterial sistêmica, mesmo quando controlada, exerce estresse contínuo sobre a parede aórtica, favorecendo a dilatação progressiva. A angioplastia com patch, técnica cirúrgica que utiliza um remendo para alargar a zona de coarctação, cria uma área de tensão na parede oposta ao patch, sendo um fator de risco clássico para formação de aneurisma nesse local. Os pseudoaneurismas, que são dilatações contidas pela adventícia ou tecidos adjacentes, representam uma complicação local que pode evoluir com ruptura. A gravidez, por sua vez, impõe sobrecarga hemodinâmica e alterações hormonais (estrogênio e progesterona) que fragilizam a parede arterial, aumentando o risco de dissecção, especialmente no terceiro trimestre e no puerpério.
A correção precoce, por outro lado, está associada a melhor prognóstico. Estudos demonstram que pacientes operados nos primeiros anos de vida apresentam menor incidência de hipertensão residual e de complicações aórticas tardias, quando comparados àqueles corrigidos tardiamente. Isso ocorre porque a correção precoce permite o desenvolvimento cardiovascular mais fisiológico e reduz o tempo de exposição à hipertensão e ao estresse hemodinâmico sobre a aorta.
A banca explora exatamente essa inversão: o candidato pode ser levado a pensar que a correção precoce, por ser um procedimento em aorta jovem e em crescimento, seria um fator de risco. No entanto, o oposto é verdadeiro — a correção tardia é que se associa a piores desfechos. Guarde essa distinção: fatores de risco são aqueles que aumentam a probabilidade de complicação; a correção precoce é um fator de proteção.
Fatores de risco pós-correção de coarctação: Angioplastia com patch (tensão na parede oposta ao remendo); Gravidez (sobrecarga hemodinâmica e hormonal); Pseudoaneurismas (fragilidade local da parede); Hipertensão arterial sistêmica (estresse pressórico contínuo); Correção precoce (proteção) (menor hipertensão residual, menos complicações tardias)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A angioplastia com patch é um fator de risco verdadeiro para aneurisma/dissecção após correção de coarctação. A técnica, que utiliza um remendo (patch) para ampliar a zona estreitada, cria uma área de tensão na parede aórtica oposta ao patch, predispondo à dilatação aneurismática nesse local. Por isso, não é a exceção pedida pela questão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A gravidez é um fator de risco verdadeiro. As alterações hormonais (estrogênio e progesterona) e o aumento do volume sanguíneo e do débito cardíaco durante a gestação fragilizam a parede arterial e aumentam o estresse hemodinâmico, elevando o risco de dissecção aórtica, especialmente no terceiro trimestre e no pós-parto. Pacientes com coarctação corrigida devem ser acompanhadas de perto durante a gestação.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A correção nos primeiros anos de vida é um fator de proteção, não de risco. A correção precoce está associada a menor incidência de hipertensão residual e de complicações aórticas tardias, como aneurisma e dissecção. O risco é maior quando a correção é tardia, pois o paciente fica exposto por mais tempo à hipertensão e ao estresse hemodinâmico sobre a aorta. Portanto, esta é a alternativa que não se enquadra como fator de risco, sendo a resposta correta da questão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os pseudoaneurismas são um fator de risco verdadeiro. Representam uma complicação local da correção, caracterizada por dilatação contida pela adventícia ou tecidos adjacentes, que pode evoluir com ruptura ou dissecção. Sua presença indica fragilidade da parede aórtica e aumenta o risco de complicações maiores.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hipertensão arterial sistêmica é um fator de risco verdadeiro e um dos mais importantes. O estresse pressórico contínuo sobre a parede aórtica, mesmo após a correção, favorece a degeneração da camada média e a dilatação progressiva, predispondo ao aneurisma e à dissecção. O controle rigoroso da pressão arterial é fundamental no seguimento desses pacientes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o conceito: apresenta a correção precoce (fator de proteção) como se fosse um fator de risco. O candidato pode ser induzido a pensar que operar cedo, em uma aorta imatura, aumentaria o risco — mas a literatura mostra exatamente o contrário. A correção tardia é que se associa a piores desfechos. Fique atento a essa inversão clássica.
Gabarito: letra C — a correção nos primeiros anos de vida é fator de proteção, não de risco.