Questão de Medicina — Genética Médica — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Genética Médica
Código
qg726355
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardiologia Pediátrica
A condição materna que poderia ter mais relação com o nascimento de crianças cardiopatas é
Aobesidade.
Buso de lítio.
Cuso de ácido retinoico.
Duso de antidepressivos.
Etabagismo.
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GabaritoC — uso de ácido retinoico.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Teratogênese e cardiopatias congênitas: o papel do ácido retinoico
Gabarito: letra C. O ácido retinoico (isotretinoína) é um teratógeno clássico com alto potencial de causar cardiopatias congênitas quando utilizado durante a gestação, especialmente no primeiro trimestre. Embora outras condições maternas (obesidade, tabagismo, uso de lítio e antidepressivos) também possam influenciar o desenvolvimento fetal, a associação mais forte e bem documentada com malformações cardíacas é o uso de ácido retinoico, que integra o espectro da embriopatia por retinoides.
A teratogênese é o processo pelo qual agentes externos (fármacos, substâncias químicas, radiação, infecções) causam malformações congênitas durante o desenvolvimento embrionário. O coração é um dos órgãos mais vulneráveis à teratogênese, pois sua formação ocorre precocemente — entre a 3ª e a 8ª semana de gestação — e envolve processos complexos de migração celular, septação e rotação dos grandes vasos. Qualquer interferência nesse período crítico pode resultar em defeitos estruturais, como comunicação interventricular, tetralogia de Fallot ou transposição dos grandes vasos.
O ácido retinoico, derivado da vitamina A, é um potente regulador da expressão gênica durante a embriogênese. Quando utilizado em doses farmacológicas (como no tratamento da acne grave), atravessa a barreira placentária e interfere na sinalização celular, causando um espectro característico de malformações conhecido como embriopatia por retinoides: anomalias craniofaciais, do sistema nervoso central, do timo e, de forma proeminente, cardiopatias congênitas (defeitos de septo, anomalias do arco aórtico e do tronco conotruncal). O risco é tão elevado que o uso de isotretinoína é absolutamente contraindicado na gravidez, sendo obrigatório o uso de métodos contraceptivos durante o tratamento.
Para contextualizar as demais alternativas: o lítio (estabilizador de humor) tem associação clássica com a anomalia de Ebstein (malformação da valva tricúspide), mas essa associação é menos frequente e o risco absoluto é baixo. O tabagismo materno está associado a restrição de crescimento fetal e aumento do risco de algumas cardiopatias, mas de forma menos específica e intensa que o ácido retinoico. A obesidade materna é fator de risco para diversas complicações gestacionais, incluindo um leve aumento do risco de cardiopatias congênitas, mas novamente com associação mais fraca. Os antidepressivos (especialmente os ISRS) têm sido estudados quanto a um possível aumento do risco de cardiopatias, mas a evidência é controversa e o risco absoluto é pequeno.
A pegadinha desta questão está em reconhecer qual agente tem a associação mais forte e bem estabelecida com cardiopatias congênitas. O candidato pode ser tentado a escolher o lítio (pela associação clássica com a anomalia de Ebstein) ou o tabagismo (por ser um fator de risco conhecido), mas o ácido retinoico é o teratógeno com maior potencial teratogênico cardíaco entre as opções. A banca explora a confusão entre "fator de risco" e "teratógeno comprovado".
Teratógenos cardíacos: Ácido retinoico (isotretinoína) (Cardiopatias congênitas (mais forte), Embriopatia por retinoides); Lítio (Anomalia de Ebstein); Álcool (Síndrome alcoólica fetal); Varfarina (Embriopatia por varfarina); Anticonvulsivantes (Fenitoína, valproato)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A obesidade materna é um fator de risco para diversas complicações gestacionais (diabetes gestacional, hipertensão, macrossomia), e alguns estudos sugerem um leve aumento do risco de cardiopatias congênitas. No entanto, essa associação é fraca e não específica, muito inferior ao potencial teratogênico do ácido retinoico. A obesidade não é um teratógeno direto, mas sim um fator que aumenta o risco de forma modesta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O lítio tem associação clássica com a anomalia de Ebstein, uma cardiopatia congênita rara. No entanto, o risco absoluto é baixo (cerca de 0,1% a 0,5% em exposição no primeiro trimestre) e a associação é muito menos forte e consistente que a do ácido retinoico. Além disso, o lítio é um estabilizador de humor, não um teratógeno de alto potencial como os retinoides.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O ácido retinoico (isotretinoína) é um teratógeno comprovado com alto risco de causar cardiopatias congênitas, integrando o espectro da embriopatia por retinoides. O uso durante a gestação, especialmente no primeiro trimestre, está associado a defeitos cardíacos estruturais (defeitos de septo, anomalias do arco aórtico, tronco conotruncal), além de malformações craniofaciais e do SNC. É a alternativa com a associação mais forte e bem documentada com cardiopatias congênitas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os antidepressivos, especialmente os ISRS (fluoxetina, sertralina, paroxetina), têm sido estudados quanto a um possível aumento do risco de cardiopatias congênitas, mas a evidência é controversa e o risco absoluto é pequeno. Alguns estudos sugerem um leve aumento do risco de defeitos de septo, mas a associação não é tão forte nem tão consistente quanto a do ácido retinoico. Além disso, o risco de não tratar a depressão materna também deve ser considerado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tabagismo materno está associado a restrição de crescimento fetal, parto prematuro e aumento do risco de algumas cardiopatias congênitas (como defeitos de septo). No entanto, a associação é moderada e menos específica que a do ácido retinoico. O tabagismo é um fator de risco importante para diversas complicações, mas não é o teratógeno cardíaco mais potente entre as opções.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "fator de risco" e "teratógeno comprovado". O lítio (anomalia de Ebstein) e o tabagismo (aumento do risco de cardiopatias) são associações conhecidas, mas o ácido retinoico é o agente com maior potencial teratogênico cardíaco entre as opções. Na prova, quando a questão perguntar sobre a condição materna com "mais relação" com cardiopatias congênitas, priorize os teratógenos clássicos (retinoides, talidomida, álcool, anticonvulsivantes) sobre fatores de risco menos específicos.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os principais teratógenos cardíacos, lembre-se do mnemônico "LARVA": Lítio (anomalia de Ebstein), Alcool (síndrome alcoólica fetal), Retinoides (ácido retinoico), Varfarina (embriopatia por varfarina), Anticonvulsivantes (fenitoína, valproato). O ácido retinoico é o mais potente entre eles.
Gabarito: letra C — o uso de ácido retinoico é a condição materna com maior relação com o nascimento de crianças cardiopatas.