Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg726386
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cabeça e Pescoço
Sobre tromboprofilaxia em cirurgia oncológica de cabeça e pescoço com tempo operatório prolongado, assinale a alternativa correta.
  1. ADeambulação precoce isolada é suficiente em qualquer paciente.
  2. BAspirina substitui heparina na maioria dos casos oncológicos.
  3. CMeios mecânicos e heparina de baixo peso são combinados quando risco trombótico é elevado.
  4. DProfilaxia farmacológica só se inicia após 72h de pós-operatório se paciente acamado.
  5. EMeias compressivas são desnecessárias quando há drenos cervicais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Meios mecânicos e heparina de baixo peso são combinados quando risco trombótico é elevado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tromboprofilaxia em cirurgia oncológica de cabeça e pescoço

Gabarito: letra C. Em cirurgias oncológicas de grande porte, como as de cabeça e pescoço com tempo operatório prolongado, o risco trombótico é elevado e a conduta recomendada é a combinação de profilaxia farmacológica (heparina de baixo peso molecular — HBPM) com profilaxia mecânica (compressão pneumática intermitente ou meias elásticas compressivas). Essa associação é o padrão-ouro para pacientes de alto risco, conforme as diretrizes de prevenção de tromboembolismo venoso (TEV).

A tromboprofilaxia visa prevenir a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar (EP), complicações graves e potencialmente fatais no pós-operatório. O risco de TEV em cirurgias oncológicas é particularmente alto devido à combinação de fatores: o próprio câncer (estado de hipercoagulabilidade), o trauma cirúrgico, a imobilização prolongada e, em cirurgias de cabeça e pescoço, a possível manipulação de grandes vasos e a extensão do procedimento. Por isso, a profilaxia não pode ser negligenciada nem baseada em medidas isoladas de baixa eficácia.

A profilaxia mecânica inclui a deambulação precoce, as meias elásticas compressivas (MEC) e a compressão pneumática intermitente (CPI). Essas medidas reduzem a estase venosa e, no caso da CPI, há evidências de que aumentam a atividade fibrinolítica endógena. No entanto, em pacientes de alto risco, a profilaxia mecânica isolada é insuficiente. A profilaxia farmacológica, com HBPM ou heparina não fracionada (HNF), atua na cascata de coagulação, inibindo principalmente o fator Xa (HBPM) ou vários fatores, incluindo trombina e fator Xa (HNF). A HBPM é geralmente preferida por ter maior biodisponibilidade, meia-vida mais longa e menor risco de trombocitopenia induzida por heparina.

A escolha da profilaxia é baseada na estratificação de risco, frequentemente usando o escore de Caprini. Para cirurgias de alto risco, como as oncológicas, a recomendação é clara: associar a profilaxia farmacológica (HBPM ou HNF) à profilaxia mecânica (CPI ou MEC). Em cirurgias oncológicas, a profilaxia deve ser estendida por até 4 semanas após a alta hospitalar. A aspirina (AAS) não é recomendada como profilaxia isolada para TEV em cirurgias de alto risco, sendo reservada para situações específicas, como contraindicação à heparina. A deambulação precoce, embora importante, é apenas uma medida adjuvante e não substitui a profilaxia farmacológica em pacientes de alto risco.

A principal pegadinha desta questão é a tentativa de simplificar ou minimizar a necessidade de profilaxia farmacológica em pacientes de alto risco. O candidato pode ser induzido a acreditar que medidas mecânicas isoladas (deambulação, meias) são suficientes, ou que a aspirina pode substituir a heparina. No entanto, a diretriz é enfática: em alto risco, a combinação de métodos farmacológicos e mecânicos é a conduta correta. Guarde essa fronteira: risco elevado = profilaxia farmacológica + mecânica; é exatamente nela que as alternativas se dividem.

1Risco elevado
Farmacológica (HBPM/HNF)
Mecânica (CPI/MEC)
Combinar as duas
2Medidas mecânicas isoladas
Insuficientes no alto risco
Deambulação precoce (adjuvante)
3Aspirina
Não substitui heparina
Antiagregante, não anticoagulante
4Início da profilaxia
Depende do risco de sangramento
Regra fixa de 72h (não universal)
5Meias compressivas
Independente de drenos
Contraindicadas em doença arterial grave
Tromboprofilaxia em cirurgia oncológica
LEVELsoulevel.com.br
Tromboprofilaxia em cirurgia oncológica: Risco elevado (Farmacológica (HBPM/HNF), Mecânica (CPI/MEC), Combinar as duas); Medidas mecânicas isoladas (Insuficientes no alto risco, Deambulação precoce (adjuvante)); Aspirina (Não substitui heparina, Antiagregante, não anticoagulante); Início da profilaxia (Depende do risco de sangramento, Regra fixa de 72h (não universal)); Meias compressivas (Independente de drenos, Contraindicadas em doença arterial grave)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a deambulação precoce isolada é suficiente em qualquer paciente. Isso é um erro grave, pois a deambulação é apenas uma medida mecânica adjuvante. Em pacientes de alto risco trombótico, como os oncológicos em cirurgia de grande porte, a profilaxia farmacológica é indispensável. A deambulação isolada não previne adequadamente o TEV nesse cenário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a aspirina substitui a heparina na maioria dos casos oncológicos. A aspirina é um antiagregante plaquetário, não um anticoagulante, e não é recomendada como profilaxia isolada para TEV em cirurgias oncológicas de alto risco. A heparina (HBPM ou HNF) é o fármaco de escolha. A aspirina pode ser considerada apenas em casos específicos, como contraindicação à heparina (alergia ou trombocitopenia induzida por heparina), mas não como substituta na maioria dos casos.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que meios mecânicos e heparina de baixo peso são combinados quando o risco trombótico é elevado. Esta é exatamente a recomendação das diretrizes: para pacientes de alto risco, como os submetidos a cirurgia oncológica de grande porte, a profilaxia deve combinar método farmacológico (HBPM ou HNF) com método mecânico (CPI ou MEC). Essa associação maximiza a eficácia na prevenção de TEV.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a profilaxia farmacológica só se inicia após 72h de pós-operatório se o paciente estiver acamado. Isso não é uma regra geral. O início da profilaxia farmacológica depende do risco de sangramento da cirurgia e da avaliação da equipe. Em cirurgias de alto risco de sangramento, pode-se adiar o início, mas em cirurgias de risco intermediário ou baixo, a profilaxia pode ser iniciada mais precocemente. A regra de 72h não é universal e não se aplica a todos os casos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que meias compressivas são desnecessárias quando há drenos cervicais. A presença de drenos cervicais não contraindica o uso de meias compressivas. A profilaxia mecânica com meias elásticas compressivas é uma medida importante para reduzir a estase venosa nos membros inferiores, independentemente da presença de drenos. A contraindicação para meias compressivas seria, por exemplo, doença arterial periférica grave ou lesões de pele.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qg726386