Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg726388
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cabeça e Pescoço
Na integração cirurgia-(quimio)radioterapia no tratamento de pacientes com câncer de cabeça e pescoço, em qual cenário a quimio e a radioterapia concomitantes são mais indicadas que a radioterapia isolada como tratamento adjuvante?
ApT3pN1 de língua.
Bextensão extranodal microscópica.
CpT3pN0 de amígdala.
DpT2pN1 de lábio.
Ecarcinoma mucoepidermoide de baixo grau em palato.
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GabaritoB — extensão extranodal microscópica.
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Câncer de cabeça e pescoço: quimiorradioterapia adjuvante
Gabarito: letra B. A quimiorradioterapia (quimio + RT) concomitante é preferível à radioterapia isolada como adjuvante quando há extensão extranodal microscópica (EEM) ou margens cirúrgicas comprometidas, pois essas características indicam alto risco de recidiva locorregional, e a adição de quimioterapia à radioterapia aumenta o controle local e a sobrevida, conforme diretrizes de oncologia de cabeça e pescoço. As demais alternativas representam cenários de menor risco, nos quais a radioterapia isolada (ou mesmo apenas observação) pode ser suficiente.
A integração entre cirurgia e (quimio)radioterapia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço é uma decisão baseada no risco de recorrência. Após a ressecção cirúrgica, o exame anatomopatológico define fatores que aumentam esse risco, e é com base neles que se decide se o paciente receberá apenas radioterapia (RT) adjuvante ou quimiorradioterapia (QRT) concomitante. A lógica é simples: quanto maior o risco de recidiva, mais intenso deve ser o tratamento adjuvante, mesmo que isso aumente a toxicidade.
Os dois fatores de risco mais importantes que justificam a adição de quimioterapia à radioterapia adjuvante são a extensão extranodal (EEM) — ou seja, a invasão de linfonodos além da cápsula — e as margens cirúrgicas comprometidas (tumor presente na margem de ressecção). Esses achados indicam doença residual microscópica de alto risco, que a radioterapia isolada tem menor capacidade de erradicar. A quimioterapia concomitante atua como radiossensibilizador, potencializando o efeito da radiação e aumentando as taxas de controle locorregional e sobrevida global.
A extensão extranodal pode ser classificada como microscópica (visível apenas ao microscópio) ou macroscópica (visível a olho nu). Ambas indicam pior prognóstico e são indicação formal de quimiorradioterapia adjuvante. A alternativa B especifica "extensão extranodal microscópica", que é exatamente um dos cenários em que a QRT concomitante é mais indicada que a RT isolada.
Outros fatores de risco que podem influenciar a decisão incluem: estágio avançado (pT3/pT4), múltiplos linfonodos positivos, invasão perineural e invasão linfovascular. No entanto, a presença isolada de um desses fatores (como pT3pN1 ou pT3pN0) não é, por si só, indicação absoluta de QRT — a decisão é individualizada e baseada no conjunto de fatores. A EEM, por outro lado, é um critério tão forte que, isoladamente, já justifica a QRT.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que a indicação de quimiorradioterapia adjuvante não se baseia apenas no estadiamento TNM, mas sim em fatores de risco anatomopatológicos específicos. O candidato que memoriza apenas que "estágios avançados precisam de QRT" pode cair na alternativa A (pT3pN1), mas o correto é identificar a EEM como o fator de risco mais forte e específico entre as opções.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "estadiamento avançado" e "fatores de risco específicos". O candidato pode pensar que pT3pN1 (alternativa A) é o cenário de maior risco, mas a extensão extranodal (alternativa B) é um fator de risco independente e mais forte, que indica QRT mesmo em estágios menos avançados. A EEM é o critério que mais fortemente justifica a adição de quimioterapia à radioterapia adjuvante.
QRT adjuvante (cabeça e pescoço)
1Indicação forte
Extensão extranodal (EEM)
Microscópica
Macroscópica
Margens comprometidas
2Fatores de risco (não isolados)
pT3/pT4
Múltiplos linfonodos
Invasão perineural
Invasão linfovascular
3Baixo risco (RT isolada ou observação)
pT3pN0
Baixo grau histológico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
pT3pN1 de língua representa um tumor localmente avançado com linfonodo positivo, mas sem extensão extranodal. Embora seja um cenário de risco, a indicação de QRT adjuvante não é automática apenas por esse estadiamento. A decisão depende de outros fatores, como EEM, margens comprometidas ou invasão perineural. A presença de pT3pN1 isoladamente pode ser tratada com RT adjuvante, e a QRT é reservada para casos com fatores de risco adicionais.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A extensão extranodal microscópica é um dos fatores de risco mais fortes para recidiva locorregional no câncer de cabeça e pescoço. Quando presente, a quimiorradioterapia concomitante é claramente mais indicada que a radioterapia isolada como adjuvante, pois a adição de quimioterapia melhora o controle local e a sobrevida. Este é um critério bem estabelecido nas diretrizes de tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
pT3pN0 de amígdala representa um tumor localmente avançado, mas sem linfonodos positivos. A ausência de comprometimento linfonodal reduz o risco de recidiva, e a RT adjuvante isolada pode ser suficiente. A QRT não é rotineiramente indicada apenas por pT3pN0, a menos que haja outros fatores de risco, como margens comprometidas ou EEM.
Alternativa D — ❌ Incorreta
pT2pN1 de lábio é um tumor relativamente pequeno com um único linfonodo positivo. O câncer de lábio tem comportamento geralmente menos agressivo que outros sítios de cabeça e pescoço, e o risco de recidiva é menor. A RT adjuvante isolada pode ser adequada, e a QRT não é indicada rotineiramente nesse cenário, a menos que haja EEM ou margens comprometidas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Carcinoma mucoepidermoide de baixo grau em palato é um tumor de baixo grau histológico, com comportamento indolente e baixo risco de recidiva. Nesses casos, a cirurgia isolada pode ser curativa, e a RT adjuvante (ou mesmo observação) pode ser suficiente. A QRT não é indicada para tumores de baixo grau, pois o risco de recidiva é baixo e a toxicidade do tratamento não se justifica.
Gabarito: letra B — a extensão extranodal microscópica é o cenário em que a quimiorradioterapia concomitante é mais indicada que a radioterapia isolada como adjuvante.