Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg726397
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cabeça e Pescoço
Mulher com traqueostomia recente apresenta sangramento discreto ao redor do estoma e dermatite por secreção. A melhor conduta inicial é
Acompressão firme contínua e curativo oclusivo seco.
Bcuidado local com barreira cutânea, ajuste do fixador e umidificação.
Csutura da pele ao tubo para reduzir mobilidade.
Dsuspender nebulização para diminuir umidade.
Eintroduzir antibiótico sistêmico empírico por 7 dias.
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GabaritoB — cuidado local com barreira cutânea, ajuste do fixador e umidificação.
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Cuidados com traqueostomia recente: sangramento periestomal e dermatite
Gabarito: letra B. Em traqueostomia recente com sangramento discreto ao redor do estoma e dermatite por secreção, a conduta inicial adequada é o cuidado local com barreira cutânea, ajuste do fixador e umidificação — medidas que protegem a pele, estabilizam o tubo e mantêm a via aérea úmida, prevenindo complicações. As demais alternativas propõem intervenções agressivas ou inadequadas para um sangramento de pequena monta, sem sinais de instabilidade.
A traqueostomia é um procedimento cirúrgico que cria uma comunicação direta entre a traqueia e o meio externo, sendo realizada em situações de obstrução de via aérea superior, necessidade de ventilação mecânica prolongada ou dificuldade de manejo de secreções. No pós-operatório recente, complicações como sangramento periestomal, dermatite por secreção, infecção e deslocamento do tubo podem ocorrer. O sangramento discreto ao redor do estoma, sem sinais de hemorragia ativa (como exteriorização volumosa, queda de hemoglobina ou instabilidade hemodinâmica), é manejado de forma conservadora. A dermatite por secreção, por sua vez, resulta do contato prolongado da pele com a umidade e as secreções traqueais, que maceram o tecido e favorecem a colonização bacteriana.
A conduta inicial deve priorizar medidas locais: limpeza delicada da região, aplicação de barreira cutânea (como pomadas à base de óxido de zinco ou cremes barreira) para proteger a pele da umidade, ajuste do fixador para evitar tração e mobilidade excessiva do tubo, e umidificação do ar inspirado para fluidificar as secreções e reduzir a irritação local. A umidificação é essencial porque o ar seco aumenta a viscosidade das secreções, que podem obstruir o tubo e causar mais irritação. O ajuste do fixador é importante para evitar que o tubo se mova e traumatize ainda mais o estoma. Essas medidas são simples, seguras e eficazes, e devem ser implementadas antes de qualquer intervenção mais invasiva.
A compressão firme contínua com curativo oclusivo seco (alternativa A) é indicada para sangramentos ativos de maior volume, mas não é a primeira escolha para um sangramento discreto, pois pode mascarar a evolução e não trata a dermatite. A sutura da pele ao tubo (alternativa C) é um procedimento cirúrgico que não se justifica nesse contexto e pode aumentar o risco de infecção. Suspender a nebulização (alternativa D) é contraproducente, pois a umidificação é justamente uma das medidas benéficas. O antibiótico sistêmico empírico (alternativa E) não é indicado sem sinais de infecção sistêmica, pois a dermatite por secreção é inicialmente um problema local, e o uso indiscriminado de antibióticos favorece a resistência bacteriana.
A distinção crucial é entre sangramento discreto e hemorragia ativa. No sangramento discreto, sem repercussão hemodinâmica, o manejo é conservador e local. Já na hemorragia ativa, com exteriorização volumosa, queda de hemoglobina ou instabilidade, a conduta é mais agressiva, podendo incluir compressão, avaliação cirúrgica e até reabordagem. A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que pensa em "compressão firme" para qualquer sangramento erra, pois aqui o sangramento é discreto e o problema principal é a dermatite por secreção. Guarde o critério: sangramento discreto + dermatite = cuidado local; sangramento ativo + instabilidade = intervenção agressiva.
Complicações pós-traqueostomia
1Sangramento periestomal
Discreto
Cuidado local (barreira, fixador, umidificação)
Ativo (volumoso, instabilidade)
Compressão firme
Avaliação cirúrgica
2Dermatite por secreção
Barreira cutânea
Ajuste do fixador
Umidificação
3Condutas inadequadas
Sutura da pele ao tubo
Suspender nebulização
Antibiótico empírico sem infecção
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A compressão firme contínua e o curativo oclusivo seco são medidas para hemorragia ativa de maior volume, não para sangramento discreto. Além disso, o curativo oclusivo seco não trata a dermatite por secreção e pode até piorá-la, pois mantém a umidade em contato com a pele. A conduta correta para o caso é o cuidado local com barreira cutânea.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa resume exatamente a conduta inicial adequada: cuidado local com barreira cutânea (protege a pele da maceração por secreções), ajuste do fixador (estabiliza o tubo, evitando trauma adicional) e umidificação (fluidifica secreções, reduzindo irritação e risco de obstrução). São medidas conservadoras, seguras e que abordam tanto o sangramento discreto quanto a dermatite.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A sutura da pele ao tubo é um procedimento cirúrgico invasivo, sem indicação para sangramento discreto e dermatite. Não há evidência de que reduza a mobilidade de forma benéfica nesse contexto, e o procedimento aumenta o risco de infecção e de novas complicações. A estabilização adequada é feita com o ajuste correto do fixador, não com sutura.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Suspender a nebulização é contraproducente. A umidificação é uma medida benéfica e recomendada no cuidado da traqueostomia, pois mantém as secreções fluidas e reduz a irritação da mucosa e da pele. Suspender a nebulização pioraria o quadro, aumentando a viscosidade das secreções e a irritação local.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O antibiótico sistêmico empírico não é indicado sem sinais de infecção sistêmica (febre, secreção purulenta, celulite). A dermatite por secreção é inicialmente um problema local de irritação e maceração, não uma infecção estabelecida. O uso indiscriminado de antibióticos favorece a resistência bacteriana e não trata a causa do problema. A conduta inicial é o cuidado local; antibióticos só seriam considerados se houvesse evidência de infecção.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a tratar o sangramento como uma emergência hemorrágica, sugerindo "compressão firme" (alternativa A). No entanto, o sangramento é discreto e o problema central é a dermatite por secreção. A pegadinha está em não diferenciar sangramento discreto de hemorragia ativa: no primeiro, o manejo é conservador e local; no segundo, sim, seriam necessárias medidas mais agressivas. Fique atento aos termos "discreto" e "dermatite" — eles apontam para o cuidado local.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre traqueostomia, identifique o tipo de complicação (sangramento, dermatite, infecção, deslocamento) e a gravidade (discreta vs. grave). Para sangramento discreto + dermatite, a tríade "barreira cutânea + ajuste do fixador + umidificação" é a resposta clássica. Memorize essa combinação: ela aparece com frequência em provas de cirurgia geral e terapia intensiva.