Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg726399
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cabeça e Pescoço
Homem de 58 anos, em tratamento adjuvante com radioterapia para câncer de cavidade oral, necessita ser submetido a exodontias por focos infecciosos. Qual timing de exodontia reduz risco de osteorradionecrose nesse caso?
AExodontias após completar radioterapia, com bochechos de clorexidina.
BExodontias no meio do tratamento, quando dose parcial ainda é baixa.
CExodontias no primeiro mês pós-radioterapia para permitir cicatrização rápida.
DEvitar exodontias e manter dentes sépticos para não atrasar a radioterapia.
EExodontias 2 a 3 semanas antes da radioterapia e orientação de higiene.
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GabaritoE — Exodontias 2 a 3 semanas antes da radioterapia e orientação de higiene.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Osteorradionecrose e o timing da exodontia em pacientes irradiados
Gabarito: letra E. A exodontia deve ser realizada 2 a 3 semanas antes do início da radioterapia, com orientação de higiene oral, pois é nesse intervalo que o alvéolo cicatriza e o tecido ósseo se remodela antes de ser submetido à radiação, reduzindo o risco de osteorradionecrose. Essa é a conduta preconizada na literatura de cirurgia oral e na prática clínica para pacientes que necessitam de extrações dentárias e serão submetidos à radioterapia em região de cabeça e pescoço.
A osteorradionecrose (ORN) é uma complicação grave e temida da radioterapia em região de cabeça e pescoço. Ela ocorre quando o osso irradiado perde sua capacidade de reparação tecidual, tornando-se hipóxico, hipocelular e hipovascular. Quando uma exodontia é realizada após a radioterapia, o alvéolo exposto fica sujeito a um processo de reparo deficiente, que pode evoluir para necrose óssea exposta, dor, fístulas e fraturas patológicas. Por isso, o planejamento odontológico antes da radioterapia é fundamental: todos os focos infecciosos e dentes sem prognóstico devem ser extraídos antes do início do tratamento, com um intervalo mínimo de 2 a 3 semanas para permitir a cicatrização alveolar e o fechamento da mucosa.
O racional por trás desse timing é simples: a radiação causa dano progressivo aos osteoblastos e ao endotélio vascular, comprometendo a capacidade de reparo ósseo. Se a extração for feita antes da radioterapia, o alvéolo tem tempo de cicatrizar com o osso ainda saudável, criando uma barreira mucosa íntegra que protege o osso subjacente da contaminação oral. Se a extração for feita durante ou após a radioterapia, o osso já está comprometido e o risco de ORN aumenta exponencialmente. A orientação de higiene oral rigorosa (com clorexidina, por exemplo) é complementar e visa reduzir a carga bacteriana, mas o fator decisivo é o momento da extração.
Na prática, o fluxo de manejo é o seguinte: o paciente oncológico que será submetido à radioterapia de cabeça e pescoço deve passar por avaliação odontológica completa antes do início do tratamento. Dentes com cárie extensa, doença periodontal avançada, lesões periapicais ou com prognóstico duvidoso devem ser extraídos. O ideal é que a exodontia ocorra 2 a 3 semanas antes do início da radioterapia, permitindo cicatrização adequada. Após a radioterapia, a conduta é evitar procedimentos cirúrgicos invasivos, priorizando tratamentos conservadores (endodontia, por exemplo) sempre que possível.
A pegadinha desta questão está em inverter a lógica temporal: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a extração deve ser feita após a radioterapia (alternativa A) ou durante o tratamento (alternativa B), quando na verdade o correto é antes. O conceito-chave é que a radioterapia compromete a capacidade de reparo ósseo, e a exodontia deve ocorrer antes que esse comprometimento se instale. Guarde essa sequência: avaliação odontológica → exodontias (2-3 semanas antes) → radioterapia → acompanhamento. É exatamente essa ordem que as alternativas tentam confundir.
1Avaliação odontológica completa
2Exodontias 2-3 semanas antes
3Cicatrização alveolar
4Início da radioterapia
5Acompanhamento pós-tratamento
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a exodontia deve ser feita após completar a radioterapia, com bochechos de clorexidina. O erro é duplo: (1) a extração pós-radioterapia é justamente a situação de maior risco para osteorradionecrose, pois o osso já está irradiado e com capacidade de reparo comprometida; (2) os bochechos de clorexidina são uma medida complementar de higiene, mas não eliminam o risco de ORN. A conduta correta é extrair antes da radioterapia, não depois.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sugere exodontias no meio do tratamento, quando a dose parcial ainda é baixa. Esse raciocínio é falho porque, mesmo com dose parcial, o tecido ósseo já sofreu dano actínico e a cicatrização estará comprometida. Além disso, interromper o tratamento radioterápico para realizar cirurgias atrasa o tratamento oncológico, o que é inaceitável. O correto é realizar todas as extrações antes do início da radioterapia, nunca durante.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Propõe exodontias no primeiro mês pós-radioterapia para permitir cicatrização rápida. Esse é um erro conceitual grave: no primeiro mês pós-radioterapia, o osso já está em processo de hipovascularização e hipocelularidade, e a cicatrização não será rápida — pelo contrário, será deficiente e com alto risco de ORN. O período pós-radioterapia é de contraindicação relativa para procedimentos cirúrgicos, e a extração deve ser evitada ao máximo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que se deve evitar exodontias e manter dentes sépticos para não atrasar a radioterapia. Essa conduta é totalmente equivocada: manter focos infecciosos durante a radioterapia aumenta o risco de complicações, como infecções locais, osteomielite e até mesmo a necessidade de interromper o tratamento. O correto é eliminar os focos infecciosos antes da radioterapia, com exodontias realizadas 2 a 3 semanas antes, para que o paciente inicie o tratamento oncológico em condições bucais adequadas.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta preconizada: exodontias 2 a 3 semanas antes da radioterapia e orientação de higiene. O intervalo de 2 a 3 semanas permite a cicatrização alveolar e o fechamento da mucosa, criando uma barreira protetora contra a contaminação oral. A orientação de higiene (incluindo bochechos com clorexigina, se indicado) complementa o cuidado, reduzindo a carga bacteriana e o risco de infecção. Esse é o timing ideal para reduzir o risco de osteorradionecrose.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a lógica temporal da conduta. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa A (extração após a radioterapia), pensando que "depois do tratamento o paciente está mais estável". Mas o conceito central é que a radioterapia destrói a capacidade de reparo ósseo — por isso a extração deve ser feita antes, quando o osso ainda é saudável. Lembre-se: extração antes → cicatrização → radioterapia. Essa é a sequência que protege o paciente da osteorradionecrose.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre manejo odontológico de pacientes oncológicos, o raciocínio temporal é quase sempre o ponto decisivo. Pergunte-se: "o procedimento deve ser feito antes, durante ou depois do tratamento oncológico?" Para exodontias em pacientes que serão irradiados, a resposta é sempre antes (2-3 semanas). Para pacientes que já foram irradiados, a conduta é evitar cirurgias e priorizar tratamentos conservadores. Grave essa lógica e você acertará a maioria das questões sobre o tema.