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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg726400
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cabeça e Pescoço
Na analgesia perioperatória de grandes ressecções cervicofaciais, a conduta mais alinhada à analgesia multimodal é
  1. AAINE contínuo por 14 dias
  2. Bopioide isolado sob livre demanda.
  3. Cparacetamol isolado até 48h.
  4. Ddipirona + AINE, adjuvantes neuropáticos e opioide de resgate.
  5. Ebloqueio regional, que dispensa analgésicos sistêmicos.
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GabaritoD — dipirona + AINE, adjuvantes neuropáticos e opioide de resgate.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Analgesia multimodal no perioperatório de grandes ressecções cervicofaciais

Gabarito: letra D. A analgesia multimodal é a estratégia que combina fármacos de mecanismos de ação distintos e sinérgicos — como dipirona, AINE, adjuvantes para dor neuropática e opioide de resgate — para otimizar o controle da dor e reduzir as doses e os efeitos colaterais de cada classe isolada. Essa é a conduta mais alinhada ao conceito, conforme a literatura de anestesiologia e o manejo da dor pós-operatória.

A analgesia multimodal, também chamada de analgesia balanceada, foi descrita em 1991 por Dahl e Kehlet. Eles observaram que a coadministração de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) com opioides permitia uma redução de 20 a 50% da dose do opioide na dor pós-operatória. Por definição, essa estratégia visa a utilização de medicamentos com princípios farmacológicos diversos para obtenção de efeito aditivo e sinérgico entre eles, possibilitando o uso de doses menores e com menor incidência de efeitos colaterais. Atualmente, são utilizados, além de opioides e AINEs, analgésicos simples (como dipirona e paracetamol), anestésicos locais, antagonistas de NMDA, agonistas α-2 adrenérgicos e outros adjuvantes.

Na prática, o manejo da dor perioperatória de grandes ressecções cervicofaciais envolve dor de base (presente continuamente) e dor de procedimentos (picos associados a curativos, mudanças de decúbito, fisioterapia). A analgesia deve conter medicações fixas, ajustadas de acordo com a dor de base, e medicações "se necessário", administradas cerca de 30 minutos antes de procedimentos agendados ou como resgate em picos de dor não esperados. A combinação de analgésicos não opioides com opioides de baixa dosagem, o uso de adjuvantes (como gabapentina e amitriptilina para dor neuropática) e a associação de técnicas regionais são pilares dessa abordagem.

A distinção crucial é entre analgesia multimodal e monoterapia. Enquanto a multimodal combina classes diferentes para efeito sinérgico, a monoterapia (como opioide isolado ou paracetamol isolado) expõe o paciente a doses maiores de um único fármaco, aumentando o risco de efeitos adversos — depressão respiratória, náuseas, vômitos, prurido e retenção urinária no caso dos opioides. O bloqueio regional é um componente valioso da analgesia multimodal, mas não a substitui por completo, pois não cobre toda a extensão da dor e não dispensa a necessidade de analgésicos sistêmicos em cirurgias de grande porte.

A pegadinha da banca está em apresentar opções que parecem razoáveis isoladamente, mas que não refletem a essência da analgesia multimodal: a combinação sinérgica de múltiplas classes farmacológicas. A alternativa correta é a única que contempla essa combinação completa — analgésico simples (dipirona), AINE, adjuvantes neuropáticos e opioide de resgate.

1Conceito
Combina classes farmacológicas distintas
Efeito aditivo e sinérgico
Reduz dose e efeitos colaterais
2Componentes
Analgésico simples (dipirona/paracetamol)
AINE
Adjuvantes neuropáticos (gabapentina, amitriptilina)
Opioide de resgate
Bloqueio regional (complementar)
3Oposto: monoterapia
Opioide isolado
AINE isolado
Paracetamol isolado
Analgesia multimodal
LEVELsoulevel.com.br
Analgesia multimodal: Conceito (Combina classes farmacológicas distintas, Efeito aditivo e sinérgico, Reduz dose e efeitos colaterais); Componentes (Analgésico simples (dipirona/paracetamol), AINE, Adjuvantes neuropáticos (gabapentina, amitriptilina), Opioide de resgate, Bloqueio regional (complementar)); Oposto: monoterapia (Opioide isolado, AINE isolado, Paracetamol isolado)

Alternativa A — ❌ Incorreta

AINE contínuo por 14 dias é uma monoterapia prolongada, sem associação com outras classes. Embora os AINEs sejam eficazes, o uso contínuo por 14 dias aumenta o risco de efeitos colaterais gastrointestinais e renais, e não representa a estratégia multimodal, que busca combinar mecanismos diferentes para reduzir doses e efeitos adversos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Opioide isolado sob livre demanda é o oposto da analgesia multimodal. O uso isolado de opioides expõe o paciente a doses maiores e a maior risco de depressão respiratória, náuseas, vômitos, prurido e retenção urinária. A analgesia multimodal visa justamente reduzir a necessidade de opioides, combinando-os com outras classes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Paracetamol isolado até 48h é insuficiente para o controle da dor de grandes ressecções cervicofaciais. O paracetamol é um analgésico simples eficaz para dores leves, mas em dores intensas deve ser associado a opioides e outros adjuvantes para potencializar o efeito. A monoterapia com paracetamol não atende à complexidade da dor pós-operatória de grande porte.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a única alternativa que contempla a essência da analgesia multimodal: combinação de analgésico simples (dipirona), AINE, adjuvantes para dor neuropática (como gabapentina ou amitriptilina) e opioide de resgate. Essa combinação de mecanismos de ação distintos e sinérgicos permite doses menores de cada fármaco, reduzindo efeitos colaterais e otimizando o controle da dor de base e da dor de procedimentos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Bloqueio regional é um componente importante da analgesia multimodal, mas não dispensa analgésicos sistêmicos em grandes ressecções cervicofaciais. O bloqueio regional proporciona analgesia de alta qualidade em uma região específica, mas não cobre toda a extensão da dor e não substitui a necessidade de analgésicos sistêmicos para o controle da dor de base e de procedimentos.

A regra de ouro para a prova: analgesia multimodal = combinação de classes farmacológicas diferentes e sinérgicas (analgésico simples + AINE + adjuvante + opioide de resgate), com o objetivo de reduzir doses e efeitos colaterais. Monoterapia, seja com AINE, opioide ou paracetamol, não é analgesia multimodal.

Gabarito: letra D

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