Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
- Código
- qg726410
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SES-SC
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Cirurgia Cabeça e Pescoço
- AV – F – V – F.
- BV – V – V – F.
- CF – V – F – V.
- DV – V – F – V.
- EF – F – V – V.
GabaritoB — V – V – V – F.
Gabarito: letra B (V – V – V – F). As três primeiras afirmativas estão corretas: a radioterapia adjuvante está indicada em margens comprometidas, invasão perineural/linfovascular e metástase linfonodal; a quimiorradioterapia (QT + RT) é indicada quando há margens insuficientes e extensão extracapsular; e a dose usual da RT adjuvante isolada é de 60 a 70 Gy em 35 a 40 frações. A quarta afirmativa é falsa, pois a radioterapia adjuvante reduz a recorrência locorregional quando comparada à cirurgia isolada. A fundamentação está nos princípios da oncologia clínica e nos consensos de tratamento dos tumores de cabeça e pescoço.
O tratamento adjuvante é todo aquele administrado após o tratamento definitivo (no caso, a cirurgia) com o objetivo de diminuir o risco de recorrência e/ou aumentar a chance de cura, erradicando doença micrometastática subclínica. No carcinoma espinocelular de hipofaringe, a laringofaringectomia total é o tratamento cirúrgico padrão para doença localmente avançada, e a decisão sobre a adjuvância depende de fatores de risco anatomopatológicos que predizem maior chance de recidiva locorregional e à distância.
Os principais fatores de risco que indicam radioterapia adjuvante são: margens cirúrgicas comprometidas ou insuficientes, invasão perineural, invasão linfovascular (vascular), e presença de metástase linfonodal. Esses achados indicam maior risco de doença residual microscópica no leito cirúrgico e/ou em linfonodos regionais, justificando a irradiação para reduzir a recorrência locorregional. A presença de extensão extracapsular linfonodal (invasão além da cápsula do linfonodo) é um fator de risco particularmente alto, e nesses casos a associação de quimioterapia à radioterapia (quimiorradioterapia adjuvante) demonstrou benefício adicional em sobrevida, sendo a conduta recomendada.
A dose de radioterapia adjuvante isolada usualmente empregada é de 60 a 70 Gy, fracionada em 35 a 40 frações (aproximadamente 1,8 a 2,0 Gy por fração). Essa dose visa erradicar doença microscópica residual, sendo maior que a dose profilática (50-54 Gy) e menor que a dose radical para doença macroscópica (70 Gy ou mais). A radioterapia adjuvante, quando indicada, reduz significativamente a recorrência locorregional em comparação à cirurgia isolada, especialmente em tumores de alto risco, como os de hipofaringe.
A pegadinha da banca está na quarta afirmativa: ela inverte o efeito da radioterapia, afirmando que ela não reduz a recorrência locorregional, quando na verdade o objetivo central da adjuvância é exatamente reduzir esse risco. O candidato que não domina o conceito de adjuvância pode marcar como verdadeira, errando a sequência.
A banca troca o efeito da radioterapia adjuvante: ela afirma que a RT "não reduz recorrência locorregional", quando o oposto é verdadeiro — a RT adjuvante é indicada justamente para reduzir a recorrência locorregional. Fique atento a inversões de sentido em afirmativas sobre eficácia de tratamento.
Correta. A radioterapia adjuvante está indicada quando há margens comprometidas, invasão perineural e/ou vascular, ou metástase linfonodal. Esses são fatores de risco clássicos que aumentam a chance de recidiva locorregional, e a irradiação pós-operatória visa eliminar doença microscópica residual. A afirmativa espelha exatamente as indicações consolidadas na prática oncológica para tumores de cabeça e pescoço.
Correta. Quando há margens insuficientes e extensão extracapsular linfonodal, a quimiorradioterapia adjuvante (QT + RT) é a conduta recomendada, pois a associação de quimioterapia à radioterapia demonstrou benefício adicional em sobrevida global e livre de doença nesses cenários de alto risco. A extensão extracapsular é um dos fatores de pior prognóstico, e a QT concomitante atua como radiossensibilizador, potencializando o efeito da RT.
Correta. A dose usual de radioterapia adjuvante isolada é de 60 a 70 Gy, em 35 a 40 frações, o que corresponde a aproximadamente 1,8 a 2,0 Gy por fração. Essa dose é adequada para erradicar doença microscópica residual após cirurgia, sendo superior à dose profilática (50-54 Gy) e inferior à dose radical para doença macroscópica (70 Gy ou mais).
Incorreta. A radioterapia adjuvante reduz a recorrência locorregional quando comparada à cirurgia isolada. Esse é o objetivo central do tratamento adjuvante: diminuir o risco de recidiva local e regional. A afirmativa inverte o efeito da RT, o que a torna falsa.
Gabarito: letra B (V – V – V – F).
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