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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg726413
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cabeça e Pescoço
Em relação à dosagem de Tireoglobulina (Tg) pós-operatória no carcinoma bem diferenciado da tireoide, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.( ) A Tireoglobulina deve ser colhida de 4 a 6 semanas após a tireoidectomia.( ) Tireoglobulina menor que 1 ng/mL é forte preditor de remissão.( ) Tireoglobulina maior que 10 ng/mL associa-se a maior risco de doença persistente.( ) A Tireoglobulina é mais útil para selecionar quem não precisa de radioiodo do que quem pode se beneficiar.
  1. AV – F – V – V
  2. BF – V – F – V.
  3. CV – V – F – F.
  4. DV – V – V – F.
  5. EF – F – V – F.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — V – V – V – F.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tireoglobulina no seguimento do carcinoma diferenciado da tireoide

Gabarito: letra D — sequência V – V – V – F. A tireoglobulina (Tg) é o marcador tumoral central no seguimento do carcinoma diferenciado da tireoide (CDT) após tireoidectomia total: deve ser colhida de 4 a 6 semanas após a cirurgia (com TSH estimulado), valores < 1 ng/mL indicam forte preditor de remissão, valores > 10 ng/mL associam-se a maior risco de doença persistente, e a última afirmativa está errada porque a Tg é útil tanto para selecionar quem NÃO precisa de radioiodo quanto para identificar quem PODE se beneficiar — não apenas para o primeiro caso. A base está nos protocolos do Ministério da Saúde e nas diretrizes da American Thyroid Association (ATA), que definem os pontos de corte de Tg suprimida e estimulada para estratificar a resposta ao tratamento.

A tireoglobulina é uma glicoproteína produzida exclusivamente pelos tireócitos, sendo, portanto, um marcador tumoral específico para os carcinomas diferenciados (papilífero e folicular). Após a tireoidectomia total, a fonte de produção da Tg é removida, e a dosagem sérica passa a refletir a presença de tecido tireoidiano residual ou metastático. Por isso, a Tg é o pilar do seguimento desses pacientes, sempre interpretada em conjunto com a ultrassonografia cervical e com a dosagem de anticorpos antitireoglobulina (anti-Tg), que podem interferir no ensaio imunométrico e gerar resultados falsamente baixos.

O momento da coleta é crucial: a dosagem deve ser feita de 4 a 6 semanas após a tireoidectomia, período em que o TSH está estimulado (pela suspensão da levotiroxina ou pelo uso de TSH recombinante), o que aumenta a sensibilidade do marcador para detectar doença residual. Esse intervalo permite que o TSH atinja níveis adequados (> 30 mU/L) e que a Tg residual seja mais facilmente identificada. A coleta precoce (antes de 4 semanas) pode gerar resultados falsamente negativos, pois o tecido remanescente ainda não foi totalmente estimulado.

Os pontos de corte são fundamentais para a estratificação de risco. Valores de Tg suprimida < 1 ng/mL (ou < 0,5 ng/mL, conforme alguns protocolos) são considerados forte preditor de remissão, especialmente quando associados a ultrassonografia cervical sem alterações. Por outro lado, Tg suprimida > 1 ng/mL ou Tg estimulada > 10 ng/mL indicam maior risco de doença persistente ou recidiva, exigindo investigação adicional com cintilografia corporal total e exames de imagem. Esses valores são baseados nas diretrizes da ATA e nos protocolos do Ministério da Saúde, que classificam a resposta ao tratamento em excelente, aceitável ou incompleta.

A última afirmativa é a pegadinha da questão: a Tg não é útil apenas para selecionar quem NÃO precisa de radioiodo — ela é igualmente importante para identificar quem PODE se beneficiar do tratamento. Na prática, a Tg elevada (suprimida > 1 ng/mL ou estimulada > 10 ng/mL) indica doença persistente ou metastática, e esses pacientes são justamente os candidatos à radioiodoterapia. Portanto, a Tg tem dupla função: excluir doença (valores baixos) e indicar necessidade de tratamento (valores altos). A banca tenta induzir o candidato a pensar que a Tg só serve para o primeiro caso, o que é incorreto.

Guarde a fronteira entre os dois papéis da Tg: ela é um marcador de doença residual, e sua utilidade é simétrica — tanto para afastar quanto para indicar tratamento. É exatamente nessa simetria que a última afirmativa se separa das demais.

Afirmativa 1 — ✅ Verdadeira

A tireoglobulina deve ser colhida de 4 a 6 semanas após a tireoidectomia. Esse intervalo é necessário para que o TSH esteja estimulado (idealmente > 30 mU/L), o que aumenta a sensibilidade do marcador para detectar tecido residual ou metastático. A coleta nesse período é padronizada nos protocolos de seguimento do CDT, pois permite avaliar a eficácia da cirurgia e decidir sobre a necessidade de radioiodo.

Afirmativa 2 — ✅ Verdadeira

Tireoglobulina menor que 1 ng/mL (em uso de levotiroxina, ou seja, Tg suprimida) é forte preditor de remissão. Esse valor, associado a ultrassonografia cervical sem alterações, classifica o paciente como tendo resposta excelente ao tratamento, com baixo risco de recidiva. O protocolo do Ministério da Saúde define que Tg suprimida abaixo de 1 ng/mL e estimulada entre 1 e 10 ng/mL caracteriza resposta aceitável, enquanto Tg suprimida acima de 1 ng/mL e estimulada acima de 10 ng/mL indica resposta incompleta.

Afirmativa 3 — ✅ Verdadeira

Tireoglobulina maior que 10 ng/mL (estimulada) associa-se a maior risco de doença persistente. Esse valor é um dos critérios de resposta incompleta no Quadro 5 do protocolo, indicando necessidade de investigação adicional com cintilografia corporal total e exames de imagem para localizar doença residual ou metastática. A elevação progressiva da Tg ao longo do tempo também é um sinal de alerta para recidiva.

Afirmativa 4 — ❌ Falsa

A tireoglobulina é útil tanto para selecionar quem NÃO precisa de radioiodo quanto para identificar quem PODE se beneficiar. A afirmativa restringe a utilidade da Tg apenas ao primeiro caso, o que é incorreto. Na prática, Tg elevada (suprimida > 1 ng/mL ou estimulada > 10 ng/mL) indica doença persistente, e esses pacientes são candidatos à radioiodoterapia. Portanto, a Tg tem papel duplo: excluir doença (valores baixos) e indicar necessidade de tratamento (valores altos).

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que a Tg só serve para selecionar quem NÃO precisa de radioiodo, quando na verdade ela é igualmente importante para identificar quem PODE se beneficiar. A Tg elevada é justamente o critério que indica necessidade de tratamento com iodo radioativo — não apenas para afastar doença. Fique atento a essa inversão de sentido: a Tg é um marcador de doença residual, e sua utilidade é simétrica.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os pontos de corte, lembre-se da regra dos "três níveis": Tg suprimida < 1 ng/mL = remissão (excelente resposta); Tg estimulada entre 1 e 10 ng/mL = resposta aceitável; Tg estimulada > 10 ng/mL = doença persistente (resposta incompleta). Esses valores são os mais cobrados em provas de oncologia e endocrinologia.

Gabarito: letra D — sequência V – V – V – F.

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