Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg726416
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cabeça e Pescoço
Durante planejamento de ressecção ampliada de maxila por tumor nasossinusal de infraestrutura, qual acesso cirúrgico facilita exposição sem incisão cutânea visível?
ADegloving médio-facial.
BWeber-Ferguson-Dieffenbach clássico.
CRinotomia lateral com extensão infraorbitária.
DCraniotomia frontal isolada.
ESwing maxilar para acesso ao espaço parafaríngeo.
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GabaritoA — Degloving médio-facial.
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Acessos cirúrgicos à maxila: degloving médio-facial
Gabarito: letra A. O degloving médio-facial é o acesso cirúrgico que permite ampla exposição da maxila e do esqueleto nasossinusal sem incisão cutânea visível, pois todas as incisões são realizadas por via transoral e transnasal (intraoral, gengivobucal, transfixiante e intercartilaginosa), preservando a estética facial — exatamente o que o enunciado pede. Os demais acessos (Weber-Ferguson, rinotomia lateral, craniotomia e swing maxilar) envolvem incisões na pele ou têm indicações específicas que não se encaixam no contexto de ressecção ampliada de maxila por tumor de infraestrutura.
O degloving médio-facial é uma técnica consagrada em cirurgia de cabeça e pescoço para abordagem de tumores nasossinusais, especialmente os que acometem a maxila (infraestrutura) e a cavidade nasal. A grande vantagem desse acesso é a ausência de cicatriz facial visível: o cirurgião realiza incisões dentro da boca (sulco gengivobucal), no vestíbulo nasal (incisão transfixiante e intercartilaginosa) e, por vezes, na região da gengiva, descolando todo o envelope cutâneo da face (pele, tecido subcutâneo e músculos) como um retalho, que é elevado para expor o esqueleto facial subjacente. Isso permite acesso amplo à maxila, ao assoalho da órbita, à fossa nasal e aos seios paranasais, sem cortar a pele da face.
A indicação clássica do degloving é para tumores nasossinusais extensos, como os que motivam a ressecção ampliada de maxila (maxilectomia total ou subtotal), pois oferece excelente visualização do campo operatório e permite a ressecção oncológica com margens adequadas, além de facilitar a reconstrução. Em contrapartida, os acessos que envolvem incisões cutâneas, como o Weber-Ferguson (com sua extensão de Dieffenbach), a rinotomia lateral e a craniotomia, deixam cicatrizes visíveis na face, o que contraria o requisito estético do enunciado.
A distinção fundamental entre os acessos está na via de exposição: o degloving é um acesso "fechado" (sem incisão na pele), enquanto os demais são acessos "abertos" (com incisão cutânea). Essa é a chave para resolver a questão: o enunciado pede explicitamente "sem incisão cutânea visível", o que elimina de imediato as alternativas B, C, D e E, que envolvem cortes na pele da face ou têm indicações diferentes.
A pegadinha da banca está em explorar o conhecimento dos nomes dos acessos cirúrgicos sem aprofundar a técnica: o candidato pode reconhecer o Weber-Ferguson como um acesso clássico para maxilectomia, mas esquecer que ele deixa cicatriz facial visível. O degloving, por sua vez, é o acesso que oferece a mesma exposição sem o custo estético. Guarde essa fronteira: acesso sem cicatriz = degloving; acesso com cicatriz = Weber-Ferguson e rinotomia lateral.
Acessos à maxila
1Sem incisão cutânea
Degloving médio-facial (gabarito)
2Com incisão cutânea
Weber-Ferguson-Dieffenbach
Rinotomia lateral
Craniotomia frontal
Swing maxilar
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O degloving médio-facial é o acesso que atende exatamente ao requisito do enunciado: exposição ampla da maxila e do esqueleto nasossinusal sem incisão cutânea visível. Todas as incisões são realizadas por via transoral (sulco gengivobucal) e transnasal (incisões transfixiante e intercartilaginosa), permitindo descolar o envelope facial e expor a região sem deixar cicatriz na pele. É a técnica de escolha para ressecções ampliadas de maxila por tumores de infraestrutura, pois alia excelente exposição à preservação estética.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O Weber-Ferguson-Dieffenbach clássico é um acesso que envolve incisão cutânea visível: a incisão começa na região medial do lábio superior, contorna a asa do nariz e se estende até a região infraorbitária, deixando uma cicatriz facial evidente. Embora seja um acesso clássico para maxilectomia, ele não atende ao requisito de "sem incisão cutânea visível" do enunciado. A banca explora aqui a confusão entre o acesso clássico (com cicatriz) e o degloving (sem cicatriz).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A rinotomia lateral com extensão infraorbitária é um acesso que necessariamente envolve incisão na pele: a incisão é feita na região lateral do nariz, estendendo-se até a borda infraorbitária, o que deixa uma cicatriz visível na face. Além disso, esse acesso é mais indicado para tumores localizados na parede lateral da fossa nasal e no seio maxilar, mas não oferece a mesma exposição ampla da maxila que o degloving, e a incisão cutânea contraria o requisito estético do enunciado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A craniotomia frontal isolada é um acesso intracraniano, indicado para tumores que se estendem à base do crânio anterior ou à fossa craniana anterior, e não para ressecção de maxila. Além de envolver incisão no couro cabeludo (visível após a tricotomia), ela não proporciona acesso adequado à maxila e ao esqueleto nasossinusal, sendo um acesso complementar em casos de extensão intracraniana, não um acesso principal para maxilectomia. A alternativa mistura a via de acesso com a indicação cirúrgica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O swing maxilar (ou "maxillary swing") é um acesso utilizado para abordar o espaço parafaríngeo e a fossa infratemporal, e não para ressecção de maxila por tumor de infraestrutura. A técnica envolve a osteotomia da maxila e sua mobilização lateral, mas a incisão é realizada na região da bochecha (intraoral e, por vezes, com extensão cutânea), podendo deixar cicatriz visível. Além disso, a indicação principal é para tumores do espaço parafaríngeo, não para tumores nasossinusais de infraestrutura, o que torna a alternativa incorreta tanto pela via de acesso quanto pela indicação.
Gabarito: letra A — o degloving médio-facial é o único acesso que oferece exposição ampla da maxila sem incisão cutânea visível, atendendo plenamente ao que o enunciado pede.