Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Oncologia
Código
qg726420
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cabeça e Pescoço
Homem, 45 anos, apresenta linfonodo único no nível II direito, 2,5 cm, móvel, sem sinais inflamatórios, sem outras lesões evidentes ao exame clínico. Qual é a conduta diagnóstica mais apropriada nesse caso?
ABiópsia excisional imediata do linfonodo.
BPunção aspirativa por agulha fina guiada por ultrassom.
CAntibioticoterapia por 14 dias e reavaliação clínica.
DPET-CT e, se hipercaptação no linfonodo, programar esvaziamento cervical.
EBiópsia incisional do linfonodo e esvaziamento cervical se positivo para neoplasia.
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GabaritoB — Punção aspirativa por agulha fina guiada por ultrassom.
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Linfonodo cervical: abordagem diagnóstica
Gabarito: letra B. Em paciente com linfonodo cervical único, de 2,5 cm, móvel e sem sinais inflamatórios, a conduta diagnóstica mais apropriada é a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por ultrassom, pois é um método minimamente invasivo, de baixo custo e com boa acurácia para triagem inicial, permitindo diferenciar processos reacionais, infecciosos e neoplásicos antes de se optar por procedimentos mais invasivos. A biópsia excisional, embora seja o padrão-ouro para diagnóstico definitivo de linfoma, fica reservada para casos em que a PAAF não é conclusiva ou quando há alta suspeita de linfoma.
A linfadenopatia cervical é um desafio diagnóstico frequente na prática clínica. O primeiro passo é uma anamnese e exame físico cuidadosos, buscando sinais de infecção na área de drenagem, sintomas sistêmicos (febre, perda de peso, sudorese noturna) e fatores de risco para neoplasias. No caso apresentado, o linfonodo é único, móvel, sem sinais inflamatórios (o que afasta processo infeccioso agudo) e sem outras lesões evidentes — ou seja, não há uma causa óbvia à primeira vista, o que exige investigação diagnóstica.
A PAAF é o método de triagem inicial mais adequado nesse cenário. Ela é menos invasiva que a biópsia, tem baixo custo, pode ser realizada ambulatorialmente e, guiada por ultrassom, aumenta a acurácia da punção. Embora tenha limitações na distinção entre linfoma e hiperplasia reativa (pois não preserva a arquitetura do linfonodo), ela é suficiente para afastar ou confirmar metástases de tumores sólidos e para orientar os próximos passos. Se a PAAF for inconclusiva ou sugestiva de linfoma, a biópsia excisional é então indicada.
A biópsia excisional, por sua vez, é o método de melhor acurácia diagnóstica, pois permite a análise da arquitetura linfonodal intacta, essencial para o diagnóstico de linfoma. No entanto, não é a primeira escolha em um paciente sem sinais de alarme, pois é um procedimento cirúrgico com riscos e custos maiores. A conduta expectante com antibióticos só se justifica se houver suspeita de linfadenite bacteriana, o que não é o caso (ausência de sinais inflamatórios). Já o PET-CT e o esvaziamento cervical são etapas posteriores, após a confirmação diagnóstica de neoplasia, e não devem ser realizados como primeira abordagem diagnóstica.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora a biópsia excisional seja o padrão-ouro, a PAAF é o primeiro passo na investigação de uma linfadenopatia cervical sem causa definida. A banca explora a confusão entre o método de maior acurácia e o método de triagem inicial mais apropriado. O critério decisivo é: na ausência de sinais de alarme, a conduta inicial é sempre a menos invasiva que possa fornecer informações úteis para o diagnóstico.
1Anamnese e exame físico
2Causa óbvia? Trata e reavalia
3Sem causa: PAAF guiada por US
4Inconclusiva/linfoma: biópsia excisional
5Neoplasia: PET-CT e esvaziamento
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A biópsia excisional imediata é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo, especialmente de linfomas, pois preserva a arquitetura linfonodal. Porém, não é a conduta inicial apropriada em um paciente com linfonodo único, móvel e sem sinais de alarme. O correto é realizar primeiro a PAAF, que é menos invasiva e pode fornecer o diagnóstico sem necessidade de procedimento cirúrgico. A biópsia excisional fica reservada para casos em que a PAAF é inconclusiva ou quando há alta suspeita de linfoma.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por ultrassom é o método de triagem inicial mais apropriado para linfonodo cervical único, móvel e sem sinais inflamatórios. É minimamente invasiva, de baixo custo, pode ser realizada ambulatorialmente e permite a análise citológica para diferenciar processos reacionais, infecciosos e neoplásicos. A ultrassonografia guia a punção, aumentando a acurácia do procedimento. Se o resultado for inconclusivo ou sugestivo de linfoma, a biópsia excisional é então indicada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A antibioticoterapia por 14 dias com reavaliação clínica seria apropriada apenas se houvesse suspeita de linfadenite bacteriana, caracterizada por sinais inflamatórios como dor, calor, eritema e flutuação. No caso, o linfonodo é móvel e sem sinais inflamatórios, o que afasta essa hipótese. A conduta expectante com antibióticos sem indicação clara atrasaria o diagnóstico de uma possível neoplasia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O PET-CT é um exame de estadiamento, não de diagnóstico inicial. Ele não deve ser utilizado como primeira abordagem para investigar a causa de um linfonodo aumentado, pois não fornece diagnóstico histológico. Além disso, programar esvaziamento cervical com base apenas na hipercaptação do PET-CT, sem confirmação histológica, é conduta inadequada e potencialmente danosa. O diagnóstico deve ser feito por citologia ou histologia antes de qualquer decisão terapêutica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A biópsia incisional do linfonodo é um procedimento que remove apenas parte do linfonodo, o que pode comprometer a análise da arquitetura linfonodal e dificultar o diagnóstico de linfoma. Além disso, o esvaziamento cervical imediato, se positivo para neoplasia, é uma conduta terapêutica que não deve ser realizada sem um diagnóstico prévio adequado e sem planejamento cirúrgico oncológico. A conduta correta é a PAAF como triagem inicial, seguida de biópsia excisional se necessário.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o método de maior acurácia diagnóstica (biópsia excisional) e o método de triagem inicial mais apropriado (PAAF). Em um paciente com linfonodo único, móvel e sem sinais de alarme, a conduta inicial é sempre a menos invasiva que possa fornecer informações úteis. A biópsia excisional fica reservada para casos em que a PAAF é inconclusiva ou quando há alta suspeita de linfoma. Fique atento: a presença de sinais inflamatórios (dor, calor, eritema) sugere linfadenite e muda a conduta para antibióticos, enquanto a ausência desses sinais em um linfonodo > 2 cm exige investigação neoplásica.
PEGA ESSA DICA!
Na abordagem de linfonodo cervical aumentado, siga a sequência: 1) anamnese e exame físico detalhados; 2) se causa óbvia (infecção), trate e reavalie; 3) se sem causa definida, PAAF guiada por US; 4) se inconclusiva ou suspeita de linfoma, biópsia excisional. O PET-CT e o esvaziamento cervical são etapas posteriores, após confirmação diagnóstica.