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Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOtorrinolaringologia
Código
qg726423
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cabeça e Pescoço
Paciente de 58 anos, tabagista, apresenta lesão glótica T1a com boa exposição à laringoscopia direta. Qual é a conduta terapêutica preferencial nesse caso, considerando preservação funcional?
  1. ACirurgia parcial (cordectomia) por laringofissura.
  2. BRadioterapia exclusiva.
  3. CMicrocirurgia endoscópica de laringe por laser.
  4. DLaringectomia supracricóidea com crico-hioide-epiglotopexia.
  5. ERadioterapia concomitante à quimioterapia exclusivas.
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GabaritoC — Microcirurgia endoscópica de laringe por laser.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de laringe glótico inicial: microcirurgia endoscópica a laser

Gabarito: letra C. Para carcinoma glótico T1a com boa exposição à laringoscopia direta, a conduta preferencial é a microcirurgia endoscópica de laringe por laser (transoral laser microsurgery – TLM), pois permite ressecção oncológica com máxima preservação funcional da voz, menor morbidade e rápida recuperação, sendo alternativa equivalente à radioterapia, porém com vantagens logísticas e funcionais. A escolha se baseia na classificação TNM (T1a = tumor limitado a uma corda vocal) e na possibilidade de acesso endoscópico adequado.

O carcinoma glótico é o tipo mais comum de câncer de laringe, e o estadiamento T1a significa tumor limitado a uma única corda vocal, sem comprometimento da mobilidade. Nesse cenário, as opções curativas são a radioterapia exclusiva e a cirurgia conservadora. Historicamente, a radioterapia foi considerada padrão-ouro por preservar a voz, mas a evolução da cirurgia endoscópica com laser de CO₂ permitiu resultados oncológicos equivalentes, com vantagens como tratamento em sessão única, menor custo, ausência de toxicidade tardia (como xerostomia, disfagia e risco de segunda neoplasia) e possibilidade de retratamento cirúrgico em caso de recidiva. A microcirurgia endoscópica é particularmente indicada quando há boa exposição da glote à laringoscopia direta, como no caso do enunciado, permitindo ressecção precisa com margens adequadas e preservação da função vocal.

A decisão entre radioterapia e cirurgia endoscópica depende de fatores como experiência do serviço, preferência do paciente, acesso ao tratamento e características do tumor. No entanto, a tendência atual, especialmente em serviços de referência, é priorizar a cirurgia endoscópica para tumores iniciais com boa exposição, pois oferece controle oncológico semelhante com menor morbidade e melhor qualidade de vida. A radioterapia permanece como alternativa válida, especialmente para pacientes com contraindicação cirúrgica ou tumores com exposição endoscópica difícil. A laringectomia parcial por laringofissura (cordectomia externa) é uma opção para tumores T1 com exposição endoscópica inadequada, mas é mais invasiva e associada a maior morbidade. A laringectomia supracricóidea é reservada para tumores mais avançados (T2-T3) com extensão supraglótica ou subglótica, e a radioquimioterapia exclusiva é indicada para tumores avançados ou como estratégia de preservação de órgão em casos selecionados, não sendo a primeira escolha para T1a.

A pegadinha da questão está em associar o tratamento de tumores iniciais a modalidades mais agressivas, como a laringectomia supracricóidea ou a radioquimioterapia, que são indicadas para estádios avançados. O candidato deve reconhecer que, para T1a com boa exposição, a cirurgia endoscópica é a conduta preferencial, e que a radioterapia, embora seja alternativa, não é a primeira escolha quando a cirurgia minimamente invasiva é viável. A preservação funcional é o princípio norteador, e a microcirurgia a laser atende a esse objetivo com excelência.

Guarde a hierarquia terapêutica para o câncer glótico inicial: T1a com boa exposição → microcirurgia endoscópica a laser (preferencial) ou radioterapia (alternativa); T1a com exposição difícil → cordectomia por laringofissura; T2-T3 → laringectomia parcial (supracricóidea) ou radioquimioterapia; T4 → laringectomia total. É essa progressão que as alternativas tentam confundir.

1Boa exposição endoscópica
Microcirurgia a laser (preferencial)
Radioterapia (alternativa)
2Exposição difícil
Cordectomia por laringofissura
3T2-T3
Laringectomia supracricóidea
Radioquimioterapia
4T4
Laringectomia total
Câncer glótico inicial (T1a)
LEVELsoulevel.com.br
Câncer glótico inicial (T1a): Boa exposição endoscópica (Microcirurgia a laser (preferencial), Radioterapia (alternativa)); Exposição difícil (Cordectomia por laringofissura); T2-T3 (Laringectomia supracricóidea, Radioquimioterapia); T4 (Laringectomia total)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A cordectomia por laringofissura (cirurgia parcial externa) é uma opção para tumores T1, mas é indicada quando a exposição endoscópica é inadequada ou quando não há disponibilidade de laser. No caso do enunciado, há boa exposição à laringoscopia direta, o que torna a via endoscópica preferível por ser menos invasiva, com menor morbidade e recuperação mais rápida. A laringofissura requer incisão cervical e traqueostomia temporária, com maior impacto funcional e estético.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A radioterapia exclusiva é alternativa válida e curativa para T1a, com resultados oncológicos semelhantes à cirurgia. No entanto, quando há boa exposição endoscópica, a microcirurgia a laser é preferencial por oferecer tratamento em sessão única, menor custo, ausência de toxicidade tardia e possibilidade de retratamento cirúrgico em caso de recidiva. A radioterapia fica reservada para pacientes com contraindicação cirúrgica, tumores com exposição endoscópica difícil ou preferência do paciente após discussão dos riscos e benefícios.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A microcirurgia endoscópica de laringe por laser (transoral laser microsurgery) é a conduta preferencial para carcinoma glótico T1a com boa exposição à laringoscopia direta. O laser de CO₂ permite ressecção precisa com margens adequadas, preservando ao máximo o tecido saudável e a função vocal. As vantagens incluem: tratamento em sessão única, menor morbidade, rápida recuperação, ausência de traqueostomia, menor custo e possibilidade de retratamento cirúrgico em caso de recidiva. Estudos demonstram controle oncológico equivalente à radioterapia, com melhor qualidade de vida e menor toxicidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A laringectomia supracricóidea com crico-hioide-epiglotopexia (CHEP) é uma cirurgia parcial indicada para tumores glóticos mais avançados (T2-T3) com extensão supraglótica ou subglótica, ou para tumores T1 com exposição endoscópica inadequada e contraindicação à radioterapia. É um procedimento mais extenso, com maior morbidade, necessidade de traqueostomia temporária e disfagia transitória. Para T1a com boa exposição, é um tratamento desproporcionalmente agressivo, com pior perfil funcional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A radioquimioterapia exclusiva (quimiorradiação) é indicada para tumores avançados (T3-T4) ou como estratégia de preservação de órgão em casos selecionados, não sendo a primeira escolha para T1a. Para tumores iniciais, a radioterapia isolada já é suficiente, e a adição de quimioterapia aumenta a toxicidade sem benefício oncológico comprovado. Além disso, a quimiorradiação é reservada para casos em que a cirurgia não é possível ou para tumores com alto risco de recidiva, não se aplicando a lesões T1a com boa exposição endoscópica.

Gabarito: letra C

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