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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg726424
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cabeça e Pescoço
Mulher de 72 anos, com mamas volumosas, é submetida à laringofaringectomia circular por tumor avançado de hipofaringe, restando defeito de espessura total da parede posterior faríngea. Qual reconstrução favorece melhor deglutição e confiabilidade para grande defeito?
  1. ARetalho peitoral maior miocutâneo
  2. BRetalho deltopeitoral em ilha
  3. CEnxerto de pele em fáscia pré-vertebral.
  4. DEsofagectomia com faringocoloplastia.
  5. ERetalho radial fasciocutâneo do antebraço.
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GabaritoE — Retalho radial fasciocutâneo do antebraço.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reconstrução de defeito faríngeo após laringofaringectomia circular

Gabarito: letra E. Para um grande defeito de espessura total da parede posterior faríngea, o retalho radial fasciocutâneo do antebraço é a opção que oferece melhor deglutição e confiabilidade, pois é um retalho fino, maleável e com pedículo vascular longo e calibroso, ideal para reconstrução de defeitos faríngeos e hipofaríngeos. As demais opções são menos adequadas por serem volumosas, de menor arco de rotação ou por não fornecerem revestimento mucoso adequado.

A laringofaringectomia circular é uma cirurgia radical para tumores avançados de hipofaringe, que remove a laringe e a faringe em sua circunferência, criando um defeito que precisa ser reconstruído para restaurar o trânsito alimentar e a deglutição. A escolha do método reconstrutivo depende de vários fatores, incluindo o tamanho e a localização do defeito, a condição clínica da paciente, a experiência do cirurgião e a necessidade de radioterapia adjuvante. O objetivo principal é obter uma reconstrução que permita a deglutição funcional, com baixa taxa de complicações e boa qualidade de vida.

O retalho radial fasciocutâneo do antebraço é um retalho livre, ou seja, é transferido de uma área distante (antebraço) para o local do defeito, com anastomose microcirúrgica de seus vasos (artéria radial e veias comitantes) a vasos do pescoço. Suas principais vantagens são: pele fina e maleável, que se adapta bem à curvatura da faringe; pedículo vascular longo, que permite anastomose em vasos mais distantes; e baixa morbidade do sítio doador. Por ser um retalho fasciocutâneo, fornece revestimento epitelial, o que é essencial para a superfície interna da faringe, favorecendo a deglutição e reduzindo o risco de fístulas. Em comparação com retalhos musculares ou miocutâneos, como o peitoral maior, o retalho radial é menos volumoso, o que evita a obstrução do trânsito alimentar e melhora o resultado funcional.

As alternativas incorretas representam opções que, embora possam ser utilizadas em alguns contextos, não são as mais indicadas para um grande defeito faríngeo em uma paciente idosa com mamas volumosas. O retalho peitoral maior miocutâneo é um retalho pediculado regional, mas é volumoso e pode comprometer a deglutição, além de ter um arco de rotação limitado. O retalho deltopeitoral em ilha é um retalho cutâneo pediculado, porém sua pele é mais espessa e menos maleável, e o arco de rotação pode ser insuficiente para defeitos extensos. O enxerto de pele em fáscia pré-vertebral não fornece revestimento mucoso e não é adequado para defeitos de espessura total, pois não preenche o espaço e pode levar a estenose. A faringocoloplastia, que utiliza o cólon para reconstruir a faringe, é uma opção para defeitos muito extensos, mas é um procedimento de maior morbidade e não é a primeira escolha para defeitos que podem ser cobertos por um retalho livre.

A pegadinha desta questão está em considerar que, por se tratar de uma paciente idosa, um retalho mais simples e pediculado seria a melhor opção. No entanto, a prioridade é a reconstrução funcional, e o retalho radial, apesar de exigir microcirurgia, oferece melhores resultados de deglutição e menor morbidade a longo prazo. A banca explora a confusão entre a facilidade técnica e o resultado funcional, induzindo o candidato a escolher uma opção mais simples, porém menos eficaz.

Reconstrução de defeito faríngeo
  • 1Objetivo
    • Restaurar deglutição funcional
    • Baixa taxa de complicações
  • 2Retalho ideal
    • Fino e maleável
    • Revestimento mucoso
    • Pedículo vascular longo
  • 3Opções
    • Retalho radial fasciocutâneo (gabarito)
      • Pele fina e maleável
      • Pedículo longo e calibroso
      • Baixa morbidade do doador
    • Retalho peitoral maior miocutâneo
      • Volumoso, obstrui trânsito
      • Arco de rotação limitado
    • Retalho deltopeitoral em ilha
      • Pele espessa e menos maleável
      • Arco de rotação limitado
    • Enxerto de pele em fáscia pré-vertebral
      • Sem revestimento mucoso
      • Risco de estenose/fístula
    • Faringocoloplastia
      • Alta morbidade
      • Risco de necrose e fístulas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O retalho peitoral maior miocutâneo é um retalho pediculado regional, frequentemente usado em reconstruções de cabeça e pescoço, mas é volumoso e pode obstruir o trânsito alimentar, prejudicando a deglutição. Além disso, seu arco de rotação pode ser insuficiente para alcançar a região da hipofaringe em defeitos extensos, e a pele do retalho é mais espessa, o que não é ideal para a superfície mucosa da faringe. Embora seja uma opção viável em alguns casos, não é a que favorece melhor deglutição e confiabilidade para um grande defeito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O retalho deltopeitoral em ilha é um retalho cutâneo pediculado, mas sua pele é mais espessa e menos maleável que a do retalho radial, o que pode dificultar a adaptação ao defeito faríngeo. Além disso, o arco de rotação pode ser limitado para defeitos extensos da hipofaringe, e a necessidade de secção do pedículo em um segundo tempo cirúrgico aumenta a morbidade. Não é a melhor opção para um grande defeito de espessura total.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O enxerto de pele em fáscia pré-vertebral é uma técnica que não fornece revestimento mucoso adequado, pois a pele enxertada não substitui a mucosa faríngea de forma funcional. Além disso, não preenche o espaço morto e pode levar a estenose ou fístula. Para um defeito de espessura total, é necessário um retalho com suprimento sanguíneo próprio, e o enxerto de pele não é uma opção confiável.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A faringocoloplastia, que utiliza o cólon para reconstruir a faringe, é uma opção para defeitos muito extensos, mas é um procedimento de alta morbidade, com risco de necrose do cólon, fístulas e complicações abdominais. Em uma paciente idosa, essa opção é mais arriscada e não é a primeira escolha quando um retalho livre pode ser utilizado. Além disso, a faringocoloplastia pode não favorecer a deglutição tão bem quanto um retalho fasciocutâneo fino.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O retalho radial fasciocutâneo do antebraço é a opção que oferece melhor deglutição e confiabilidade para um grande defeito faríngeo. Suas características — pele fina e maleável, pedículo vascular longo e calibroso, e baixa morbidade do sítio doador — permitem uma reconstrução funcional, com menor risco de estenose e fístula. A pele do retalho substitui a mucosa faríngea, proporcionando uma superfície lisa que favorece o trânsito alimentar. Apesar de exigir microcirurgia, é a técnica de escolha em muitos centros para defeitos faríngeos extensos.

PEGA ESSA DICA!

Em reconstruções de cabeça e pescoço, lembre-se: para defeitos que precisam de revestimento mucoso fino e maleável, prefira retalhos fasciocutâneos (como o radial). Retalhos musculares ou miocutâneos são mais volumosos e podem comprometer a deglutição. Na dúvida, pense na função: o que permite melhor trânsito alimentar?

Gabarito: letra E

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