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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg726439
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Geral
Paciente do sexo feminino, 42 anos, IMC 42, apresenta queixa de dor migratória para a fossa ilíaca direita, associada a hiporexia e febre. A tomografia computadorizada abdominal com duplo contraste descreve um plastrão inflamatório em topografia apendicular, com abscesso localizado nessa topografia. Uma vez optado por cirurgia laparoscópica, a melhor estratégia de acesso inicial é
  1. Apunção umbilical padrão com agulha de Veress.
  2. Btrocarte óptico infraumbilical sem pneumoperitônio.
  3. Cprimeira punção em fossa ilíaca direita.
  4. Dsem pneumoperitônio com elevador de parede de rotina.
  5. Eacesso aberto supraumbilical e introdução de trocarte sob visão direta.
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GabaritoE — acesso aberto supraumbilical e introdução de trocarte sob visão direta.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Apendicite aguda complicada: acesso laparoscópico em paciente obesa

Gabarito: letra E. Em paciente com IMC 42 (obesidade grau III) e plastrão apendicular com abscesso, a melhor estratégia de acesso inicial é o acesso aberto supraumbilical com introdução de trocarte sob visão direta (técnica de Hasson), pois evita a punção cega com agulha de Veress, que apresenta maior risco de lesão visceral e vascular nesse perfil de paciente. A obesidade mórbida e o processo inflamatório localizado na fossa ilíaca direita tornam a punção cega mais perigosa, sendo o acesso aberto a opção mais segura.

A apendicite aguda é a principal emergência cirúrgica no mundo, acometendo 1 a cada 10 pessoas ao longo da vida. No caso apresentado, a paciente tem o quadro clássico: dor migratória para fossa ilíaca direita, hiporexia e febre, com confirmação tomográfica de plastrão inflamatório e abscesso. O tratamento de escolha para apendicite complicada com abscesso é a apendicectomia, sendo a via laparoscópica preferida em obesos, como mencionado no material de apoio: "os resultados das opções aberta ou laparoscópica são similares, devendo esta ser a escolha em mulheres e obesos".

A questão, porém, não pergunta sobre a via de acesso (aberta vs. laparoscópica), mas sim sobre a estratégia de acesso inicial dentro da cirurgia laparoscópica. Em pacientes obesos, a anatomia da parede abdominal é alterada: a distância entre a pele e a cavidade peritoneal é maior, e os pontos de referência anatômicos (como o umbigo) podem estar deslocados. A punção cega com agulha de Veress, embora seja a técnica mais comum, tem maior risco de complicações nesse grupo, incluindo lesão de vasos epigástricos, lesão de alças intestinais e falha na criação do pneumoperitônio.

A técnica de Hasson (acesso aberto) consiste em realizar uma incisão na pele, divulsionar os planos até a aponeurose, abrir o peritônio sob visão direta e introduzir o trocarte. Essa técnica é particularmente recomendada em pacientes com cirurgia abdominal prévia, obesidade mórbida, gestantes e quando há distensão abdominal significativa. No caso de plastrão apendicular, o acesso aberto supraumbilical permite uma entrada segura na cavidade, longe do processo inflamatório, e a introdução do trocarte sob visão direta minimiza o risco de lesão de estruturas subjacentes.

A escolha do local supraumbilical (acima do umbigo) em vez do infraumbilical (abaixo do umbigo) também é relevante. Em pacientes obesos, o umbigo pode estar deslocado inferiormente, e o acesso supraumbilical oferece uma distância mais curta até a cavidade peritoneal, além de estar mais distante da fossa ilíaca direita, onde se encontra o plastrão. Isso reduz o risco de lesão do processo inflamatório durante a entrada.

A alternativa E é a única que combina todas as características de segurança necessárias: acesso aberto (sem punção cega), localização supraumbilical (distante do processo inflamatório e anatomicamente mais favorável em obesos) e introdução do trocarte sob visão direta (controle visual completo da entrada na cavidade). As demais alternativas apresentam estratégias que aumentam o risco de complicações nesse cenário específico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a técnica de acesso mais comum (punção com Veress) e a mais segura em situações de risco (acesso aberto). O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa A, que é a técnica padrão em pacientes sem fatores de risco, mas a obesidade mórbida e o plastrão inflamatório contraindicam a punção cega. A palavra-chave é "melhor estratégia" — não a mais comum, mas a mais segura para este caso específico.

  1. 1Incisão supraumbilical
  2. 2Divulsão até aponeurose
  3. 3Abertura do peritônio sob visão direta
  4. 4Introdução do trocarte
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A punção umbilical padrão com agulha de Veress é a técnica mais utilizada na laparoscopia, mas em paciente com IMC 42 a distância pele-peritônio é maior e os pontos de referência são menos confiáveis. A punção cega nesse cenário aumenta o risco de lesão de vasos e vísceras, além de poder falhar na criação do pneumoperitônio. A obesidade mórbida é uma contraindicação relativa à punção cega, sendo preferível o acesso aberto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O trocarte óptico infraumbilical sem pneumoperitônio é uma técnica que permite visualização durante a entrada, mas a localização infraumbilical em paciente obeso pode ser problemática. O umbigo em obesos frequentemente está deslocado inferiormente, e a distância até a cavidade é maior. Além disso, a entrada sem pneumoperitônio com trocarte óptico ainda envolve certo grau de punção, embora com visualização. A alternativa E é superior por combinar acesso aberto e localização supraumbilical.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A primeira punção em fossa ilíaca direita é uma estratégia perigosa neste caso, pois é exatamente onde se localiza o plastrão inflamatório com abscesso. A punção nessa região poderia lesar o processo inflamatório, causar sangramento, perfurar alça aderida ou disseminar a infecção. O acesso inicial deve ser feito em local distante do processo patológico, como o supraumbilical.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O uso de elevador de parede (gásless laparoscopy) sem pneumoperitônio de rotina não é a melhor estratégia em paciente obesa. Essa técnica oferece exposição limitada da cavidade, especialmente em obesos, onde a parede abdominal é espessa e pesada. O pneumoperitônio é necessário para uma boa visualização e espaço de trabalho adequado. A alternativa E, com pneumoperitônio criado por acesso aberto, é superior.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O acesso aberto supraumbilical com introdução de trocarte sob visão direta (técnica de Hasson) é a estratégia mais segura para paciente obesa com plastrão apendicular. O acesso aberto evita a punção cega, a localização supraumbilical está distante do processo inflamatório e anatomicamente mais favorável em obesos, e a introdução sob visão direta permite controle total da entrada na cavidade. Essa técnica é recomendada em situações de risco, como obesidade mórbida, cirurgia abdominal prévia e processos inflamatórios.

Gabarito: letra E

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