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Questão de Medicina — Dermatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaDermatologia
Código
qg726442
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Geral
Paciente do sexo masculino, 25 anos, chega ao pronto atendimento com queixa de dor e vermelhidão na coxa direita. No exame físico, notase abaulamento doloroso com sinais de flogose. Em relação ao abscesso cutâneo, o tratamento adequado consiste em
  1. Apunção aspirativa com seringa e antibiótico sistêmico.
  2. Bcompressas mornas até resolução espontânea.
  3. Ccuretagem profunda sem antibiótico.
  4. Dressecção completa da lesão com margens amplas.
  5. Eincisão e drenagem ampla, seguida de limpeza e possível uso de antibiótico conforme indicação clínica.
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GabaritoE — incisão e drenagem ampla, seguida de limpeza e possível uso de antibiótico conforme indicação clínica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Abscesso cutâneo: incisão e drenagem como tratamento de escolha

Gabarito: letra E. O tratamento padrão-ouro do abscesso cutâneo é a incisão e drenagem ampla, seguida de limpeza da cavidade e uso de antibiótico apenas quando houver indicação clínica (sinais sistêmicos de infecção, imunossupressão, falha terapêutica ou abscessos em áreas de risco). A conduta se baseia no princípio de que o abscesso é uma coleção purulenta localizada que precisa ser evacuada mecanicamente — o antibiótico isolado não penetra adequadamente na cavidade e não substitui a drenagem cirúrgica.

O abscesso cutâneo é uma infecção localizada da pele e tecidos subjacentes, caracterizada por uma coleção de pus delimitada por uma cápsula inflamatória. Clinicamente, manifesta-se como um abaulamento doloroso, flutuante, com sinais flogísticos (rubor, calor, edema e dor) — exatamente o quadro descrito no enunciado. A formação do abscesso representa a tentativa do organismo de conter a infecção, mas o pus acumulado exerce pressão e impede a ação eficaz dos antibióticos e das células de defesa. Por isso, o princípio terapêutico fundamental é a evacuação do conteúdo purulento.

A incisão deve ser ampla o suficiente para permitir a drenagem completa da cavidade, muitas vezes com abertura de lojas e septos, seguida de irrigação com soro fisiológico. Em abscessos pequenos, uma incisão curta (em média 1 cm) pode ser suficiente, mas o objetivo é sempre garantir que não reste material purulento retido. O procedimento é doloroso e deve ser realizado com anestesia local adequada. A aspiração com agulha, embora seja uma alternativa menos invasiva, apresenta taxas de sucesso significativamente inferiores (cerca de 26% versus 80% da incisão e drenagem), sendo reservada para casos selecionados e com orientação ultrassonográfica.

O papel do antibiótico é adjuvante, não curativo. A antibioticoterapia sistêmica está indicada em pacientes com sintomas sistêmicos (febre, mal-estar, toxemia), imunocomprometidos, com abscessos em áreas de difícil drenagem (face, mãos, região perianal) ou quando há sinais de celulite extensa ao redor. A escolha empírica costuma incluir cefalosporinas de primeira geração (como cefalexina), e em casos de suspeita de MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina), podem ser usados vancomicina, linezolida, daptomicina ou clindamicina, conforme os padrões locais de resistência. A cultura da secreção pode guiar a terapia quando houver falha ou infecção recorrente.

A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar o abscesso apenas com antibiótico ou com medidas conservadoras, ignorando que a drenagem cirúrgica é o pilar do tratamento. O antibiótico não atravessa a parede do abscesso em concentrações adequadas e, sem a evacuação do pus, a infecção persiste e pode evoluir para complicações como celulite extensa, bacteremia ou sepse. A distinção entre abscesso e celulite (infecção difusa sem coleção purulenta) é crucial: na celulite, o antibiótico é o tratamento principal; no abscesso, a drenagem é indispensável.

Guarde o critério decisivo: abscesso = drenar; celulite = antibiótico. É exatamente essa fronteira que separa a alternativa correta das demais — as opções que omitem a drenagem ou a substituem por condutas inadequadas estão todas erradas.

  1. 1Incisão e drenagem ampla
  2. 2Limpeza da cavidade
  3. 3Antibiótico se indicado
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A punção aspirativa com seringa é uma técnica de drenagem, mas não é o tratamento de escolha para abscessos cutâneos. Estudos mostram que a aspiração com agulha tem taxa de sucesso muito inferior à incisão e drenagem (26% versus 80%), com maior risco de drenagem incompleta e recorrência. Além disso, associar antibiótico sistêmico como tratamento principal é inadequado, pois o antibiótico não substitui a evacuação mecânica do pus. A alternativa erra ao propor uma técnica de eficácia comprovadamente menor como tratamento adequado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Compressas mornas podem ser usadas como medida adjuvante em fases iniciais de furúnculos ou abscessos pequenos, mas não constituem tratamento definitivo. A resolução espontânea é imprevisível e, na maioria dos casos, o abscesso não regride sem drenagem — o pus acumulado permanece e a infecção pode se propagar. A alternativa ignora o princípio fundamental de que a coleção purulenta precisa ser evacuada cirurgicamente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A curetagem profunda não é o procedimento indicado para abscesso cutâneo. A curetagem é utilizada em outras condições dermatológicas (como verrugas, molusco contagioso ou lesões hiperceratóticas), mas não para drenar uma coleção purulenta. Além disso, a ausência de antibiótico pode ser aceitável em casos selecionados, mas o erro principal está na técnica: a curetagem não promove a drenagem adequada da cavidade abscedada e pode causar dano tecidual desnecessário.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ressecção completa da lesão com margens amplas é uma conduta excessiva e inadequada para abscesso cutâneo. Essa abordagem seria indicada para lesões neoplásicas ou tumores, não para processos infecciosos localizados. A ressecção ampla de um abscesso causaria dano desnecessário ao tecido sadio, maior morbidade e cicatrizes extensas, sem benefício adicional em relação à simples incisão e drenagem. O tratamento do abscesso visa evacuar o pus, não remover a lesão com margens oncológicas.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A incisão e drenagem ampla é o tratamento de escolha para abscesso cutâneo, pois promove a evacuação completa do conteúdo purulento, aliviando a dor, reduzindo a carga bacteriana e permitindo a resolução do processo infeccioso. A limpeza da cavidade com soro fisiológico complementa a drenagem, removendo debris e pus residual. O uso de antibiótico é condicional, indicado apenas quando há sinais sistêmicos de infecção, imunossupressão, celulite extensa ou falha terapêutica — exatamente o que a alternativa expressa ao dizer "possível uso de antibiótico conforme indicação clínica". Essa é a conduta que segue os princípios da cirurgia e da dermatologia para o manejo de abscessos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre abscesso e celulite. No abscesso, o antibiótico é coadjuvante e a drenagem é o tratamento principal; na celulite, o antibiótico é o pilar. Alternativas que oferecem apenas antibiótico, punção aspirativa ou medidas conservadoras parecem razoáveis, mas ignoram que a coleção purulenta precisa ser evacuada cirurgicamente. Fique atento: se o enunciado descreve abaulamento flutuante com pus, a resposta quase sempre envolve drenagem.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, identifique a palavra-chave do enunciado: "abaulamento doloroso", "flutuação", "coleção purulenta" → abscesso → incisão e drenagem. "Placa eritematosa sem flutuação" → celulite → antibiótico. Essa distinção resolve a maioria das questões sobre infecções cutâneas.

Gabarito: letra E

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