Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg726448
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Geral
Paciente do sexo feminino, 67 anos, feodérmica, vinha sendo tratada de úlcera péptica com inibidor de bomba de prótons após tratamento adequado do H. pylori, que foi negativado. Mesmo assim, ela evoluiu com estenose pilórica, incluindo o bulbo duodenal, conseguindo alimentar-se apenas com dieta líquida sem resíduos. Assinale a alternativa que apresenta o tratamento adequado para essa paciente
ADilatação endoscópica piloro duodenal com o uso de balão e velas.
BPiloroplastia à Heineke-Mikulicz por laparoscopia.
CHemigastrectomia e restabelecimento do trânsito com o duodeno.
DGastrojejunostomia laterolateral com a curvatura gástrica maior.
EAntropilorectomia e anastomose gastroduodenal terminoterminal.
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GabaritoE — Antropilorectomia e anastomose gastroduodenal terminoterminal.
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Gabarito: letra E. Para estenose pilórica crônica, extensa (atingindo o bulbo duodenal) e refratária ao tratamento clínico, a cirurgia de escolha é a antropilorectomia com anastomose gastroduodenal terminoterminal (gastrectomia distal com reconstrução em Billroth I). As demais opções são inadequadas: a dilatação endoscópica é reservada a estenoses curtas e benignas; a piloroplastia é para estenose limitada ao piloro; a hemigastrectomia com reconstrução duodenal é uma variação, mas a gastrojejunostomia é uma cirurgia de derivação que deixa o antro excluído, com risco de síndrome de dumping e de estase.
A estenose pilórica é uma complicação tardia da úlcera péptica, resultante da cicatrização fibrótica e da contração cicatricial que estreitam o canal pilórico e, por vezes, o bulbo duodenal. No caso descrito, a paciente já foi tratada para H. pylori (negativado) e usa IBP, mas evoluiu com obstrução da saída gástrica — quadro clássico de estenose orgânica, não funcional. O tratamento definitivo é cirúrgico, pois a fibrose não regride com terapia medicamentosa.
A escolha da técnica depende da extensão e da localização da estenose. A antropilorectomia (gastrectomia distal, ressecando o antro e o piloro) com anastomose gastroduodenal terminoterminal (Billroth I) é a preferida quando a estenose é curta e o duodeno está preservado, pois restabelece o trânsito fisiológico, mantém a passagem do alimento pelo duodeno (importante para a digestão e absorção) e evita a síndrome de dumping e a gastrite alcalina de refluxo, complicações mais comuns nas derivações.
A gastrojejunostomia (letra D) é uma operação de derivação (bypass) que não resseca a lesão. Ela deixa o antro e o piloro excluídos do trânsito, o que pode levar a estase antral, gastrite alcalina, refluxo biliar e até carcinoma no coto gástrico. É uma opção de resgate em pacientes de alto risco cirúrgico ou em situações de emergência, não sendo o tratamento de escolha para uma paciente com boa reserva funcional.
A piloroplastia (letra B) é indicada apenas para estenose limitada ao piloro, sem comprometimento do bulbo duodenal. No caso, a estenose "inclui o bulbo duodenal", o que contraindica a piloroplastia isolada, pois a fibrose se estende além do piloro e a simples plastia não seria suficiente para alargar o canal.
A dilatação endoscópica (letra A) é uma alternativa para estenoses curtas, benignas e recentes, geralmente com balão. Porém, em estenoses longas, fibróticas e crônicas, como a descrita (que atinge o bulbo), a taxa de recorrência é alta e o risco de perfuração é maior. Não é o tratamento de primeira linha nesse cenário.
A hemigastrectomia com restabelecimento do trânsito com o duodeno (letra C) é uma descrição genérica que poderia se aproximar da Billroth I, mas a alternativa E é mais específica e correta ao nomear a antropilorectomia (que é a ressecção do antro e do piloro) com anastomose gastroduodenal terminoterminal (Billroth I). A letra C, ao dizer "hemigastrectomia", pode sugerir uma ressecção maior do que a necessária, e a reconstrução "com o duodeno" não especifica o tipo de anastomose, sendo menos precisa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as técnicas cirúrgicas para estenose pilórica. O candidato pode ser tentado a escolher a gastrojejunostomia (letra D) por ser um procedimento "mais simples" ou a dilatação endoscópica (letra A) por ser menos invasiva. Porém, a chave está na extensão da estenose (atinge o bulbo) e na cronicidade (refratária ao tratamento clínico), o que torna a ressecção cirúrgica (antropilorectomia + Billroth I) a opção mais adequada. A piloroplastia (letra B) é o distrator clássico: parece correta, mas é indicada apenas para estenose limitada ao piloro, sem comprometimento duodenal.
1Avaliar extensão e localização
2Estenose curta, piloro só
3Piloroplastia
4Estenose longa, atinge bulbo
5Antropilorectomia + Billroth I
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A dilatação endoscópica com balão é uma opção para estenoses curtas, benignas e recentes. No caso, a estenose é crônica, fibrótica e extensa (atinge o bulbo duodenal), o que torna a dilatação pouco eficaz e com alto risco de recorrência e perfuração. Não é o tratamento de escolha.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A piloroplastia à Heineke-Mikulicz é indicada para estenose limitada ao piloro, sem comprometimento do bulbo duodenal. Como a estenose "inclui o bulbo duodenal", a piloroplastia isolada não seria suficiente para alargar o canal, sendo contraindicada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hemigastrectomia com restabelecimento do trânsito com o duodeno é uma descrição genérica que poderia se aproximar da Billroth I, mas não especifica a técnica. A alternativa E é mais precisa ao nomear a antropilorectomia (ressecção do antro e piloro) com anastomose gastroduodenal terminoterminal (Billroth I), que é a cirurgia de escolha para estenose pilórica com bulbo comprometido.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A gastrojejunostomia laterolateral é uma cirurgia de derivação (bypass) que não resseca a lesão. Ela deixa o antro e o piloro excluídos do trânsito, o que pode levar a estase antral, gastrite alcalina, refluxo biliar e até carcinoma no coto gástrico. É uma opção de resgate em pacientes de alto risco cirúrgico, não sendo o tratamento de escolha para uma paciente com boa reserva funcional.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A antropilorectomia (gastrectomia distal, ressecando o antro e o piloro) com anastomose gastroduodenal terminoterminal (Billroth I) é a cirurgia de escolha para estenose pilórica crônica e extensa, que atinge o bulbo duodenal. Ela resseca a área fibrótica, restabelece o trânsito fisiológico, mantém a passagem do alimento pelo duodeno (importante para a digestão e absorção) e evita complicações como síndrome de dumping e gastrite alcalina de refluxo.