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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg726454
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Geral
Paciente do sexo feminino, 54 anos, feodérmica, é levada ao hospital de urgências após atropelamento com perda da consciência. Submetida à ressucitação, seus dados vitais foram recuperados e ela conseguiu sobreviver durante os dois primeiros picos da distribuição trimodal do trauma, entretanto morreu durante o terceiro pico. Com base nessas informações, é corretor afirmar que a provável causa de morte durante o terceiro pico foi
  1. Aruptura cardíaca.
  2. Bsepse generalizada.
  3. Cpneumotórax hipertensivo.
  4. Dtamponamento cardíaco.
  5. Elesões cerebrais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — sepse generalizada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Distribuição trimodal da morte no trauma

Gabarito: letra B. A morte no terceiro pico da distribuição trimodal do trauma — que ocorre dias a semanas após o evento — é classicamente causada por sepse generalizada e falência de múltiplos órgãos, consequência da resposta inflamatória sistêmica e das complicações infecciosas tardias. As demais alternativas (ruptura cardíaca, pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco e lesões cerebrais) são causas de morte do primeiro ou segundo picos, não do terceiro.

A distribuição trimodal da mortalidade por trauma é um conceito fundamental da cirurgia do trauma, descrito por Trunkey na década de 1980, que organiza os óbitos em três picos temporais distintos, cada um com mecanismos fisiopatológicos e causas predominantes próprias. Compreender essa distribuição é essencial não apenas para o atendimento inicial, mas também para entender a evolução natural do paciente politraumatizado e as estratégias de prevenção de cada fase.

O primeiro pico ocorre em segundos a minutos após o trauma. As mortes são imediatas e resultam de lesões catastróficas e incompatíveis com a vida: laceração de grandes vasos (aorta, veia cava), ruptura cardíaca, lesões maciças de tronco cerebral ou lesões de alta energia. Nesta fase, praticamente nada pode ser feito — a morte ocorre no local do acidente, antes da chegada de qualquer socorro. É por isso que a prevenção primária (cinto de segurança, capacete, limites de velocidade) é a única medida eficaz.

O segundo pico ocorre em minutos a algumas horas (até 4-6 horas) após o trauma. São as chamadas "horas de ouro" do trauma, quando a intervenção médica pode fazer a diferença. As causas típicas são: hemorragia interna (lesões de baço, fígado, vasos), pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco, hemorragia epidural ou subdural, e lesões de vias aéreas. O atendimento pré-hospitalar rápido e o transporte para um centro de trauma são cruciais nesta fase.

O terceiro pico ocorre dias a semanas após o trauma. As mortes são tardias e resultam de complicações da evolução clínica: sepse generalizada, síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS), falência de múltiplos órgãos (FMO), coagulopatia, e complicações de internação prolongada (pneumonia associada à ventilação mecânica, infecção de feridas, trombose venosa profunda). É exatamente neste pico que a paciente do enunciado faleceu, após sobreviver aos dois primeiros picos.

A paciente do caso — 54 anos, atropelada, com perda de consciência — sobreviveu à fase aguda (primeiro e segundo picos), o que significa que as lesões imediatamente fatais (ruptura cardíaca, pneumotórax hipertensivo, tamponamento, lesões cerebrais graves) foram controladas ou não ocorreram. No entanto, ela morreu no terceiro pico, dias a semanas depois, o que aponta para uma complicação tardia, sendo a sepse a causa mais clássica e prevalente.

A pegadinha desta questão está em associar a perda de consciência inicial a uma causa neurológica de morte (lesões cerebrais) ou em confundir os picos. O candidato que não domina a distribuição trimodal tende a escolher uma causa do primeiro ou segundo pico, ignorando que a paciente já os superou. A chave é o tempo: o terceiro pico é o pico das complicações tardias, e a sepse é a principal delas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os picos da mortalidade. A perda de consciência inicial e o atropelamento induzem o candidato a pensar em lesão cerebral (primeiro pico) ou em causas cardíacas agudas (segundo pico). Mas o enunciado é explícito: a paciente sobreviveu aos dois primeiros picos e morreu no terceiro. O terceiro pico é o das complicações tardias — e a sepse é a causa clássica. Não caia na armadilha de escolher uma causa imediata de morte.

Pico da mortalidade

Tempo após o trauma

Causas típicas de morte

Primeiro pico

Segundos a minutos

Ruptura cardíaca, laceração de grandes vasos, lesão maciça de tronco cerebral

Segundo pico

Minutos a horas (até 4-6h)

Hemorragia interna, pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco, hematomas intracranianos

Terceiro pico

Dias a semanas

Sepse generalizada, falência de múltiplos órgãos, complicações tardias

  1. 11º pico: morte imediatasegundos a minutos
  2. 22º pico: hora de ourominutos a horas
  3. 33º pico: complicações tardiasdias a semanas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A ruptura cardíaca é uma lesão catastrófica que causa morte imediata, no primeiro pico da distribuição trimodal. É incompatível com a sobrevivência da paciente aos dois primeiros picos. Se ela tivesse ruptura cardíaca, teria morrido no local do acidente, antes mesmo da ressuscitação.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sepse generalizada é a causa clássica de morte no terceiro pico da distribuição trimodal do trauma. Ocorre dias a semanas após o evento inicial, como complicação da resposta inflamatória sistêmica, infecções hospitalares (pneumonia, infecção de feridas, infecção urinária) e falência de múltiplos órgãos. A paciente, ao sobreviver aos dois primeiros picos, evoluiu para o terceiro, onde a sepse é a principal causa de óbito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O pneumotórax hipertensivo é uma emergência do segundo pico (minutos a horas após o trauma). É uma causa de morte potencialmente reversível se tratada rapidamente com descompressão torácica. Como a paciente sobreviveu ao segundo pico, o pneumotórax hipertensivo não foi a causa da morte no terceiro pico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tamponamento cardíaco também é uma causa de morte do segundo pico, resultante de sangramento no saco pericárdico (frequentemente por lesão cardíaca penetrante ou contusa). É uma emergência cirúrgica que, se não tratada, leva ao óbito em minutos a horas — não em dias a semanas. Portanto, não se encaixa no terceiro pico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

As lesões cerebrais graves (como hematoma subdural ou epidural, ou lesão axonal difusa) podem causar morte no primeiro pico (lesões catastróficas) ou no segundo pico (hematomas expansivos). A perda de consciência inicial da paciente sugere trauma cranioencefálico, mas ela sobreviveu aos dois primeiros picos, o que indica que a lesão cerebral não foi imediatamente fatal. No terceiro pico, a causa de morte não é a lesão cerebral primária, mas sim as complicações sistêmicas, como a sepse.

Gabarito: letra B — a sepse generalizada é a causa clássica de morte no terceiro pico da distribuição trimodal do trauma.

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