Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaOncologia
Código
qg726465
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Geral
Paciente do sexo feminino, 69 anos, leucodérmica, diabética e hipertensa arterial, procura atendimento médico com queixa de dispepsia e diarreia durante os últimos três dias. Foi realizado exame clínico completo e todos os exames complementares necessários. Entre as afecções encontradas e que precisaram ser tratadas, incluise uma úlcera de Marjolin. Com base nessas informações, qual das seguintes alternativas define corretamente essa úlcera?
  1. AÚlcera maligna em esôfago de Barrett.
  2. BLesão de coceira por prurido em psoríase.
  3. CÚlcera vascular hipertensiva em tornozelo.
  4. DÚlcera perianal por isquemia diabética.
  5. ENeoplasia maligna em cicatriz de queimadura.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Neoplasia maligna em cicatriz de queimadura.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Úlcera de Marjolin

Gabarito: letra E. A úlcera de Marjolin é uma neoplasia maligna que se desenvolve sobre cicatrizes crônicas, sendo a mais clássica a que surge em cicatrizes de queimaduras antigas — exatamente o que a alternativa E descreve. Trata-se, na maioria dos casos, de um carcinoma espinocelular (CEC), que pode surgir décadas após a lesão inicial, em áreas de pele cronicamente inflamada, ulcerada ou cicatricial.

A úlcera de Marjolin é um conceito da dermatologia e da cirurgia plástica/reconstrutiva que todo médico deve reconhecer: é a degeneração maligna de uma cicatriz crônica, mais comumente de queimadura, mas também de úlceras venosas, úlceras de pressão, fístulas crônicas, osteomielites e até mesmo feridas cirúrgicas antigas. O nome homenageia Jean-Nicolas Marjolin, que descreveu a degeneração maligna de cicatrizes no século XIX. O tipo histológico mais frequente é o carcinoma espinocelular, responsável por cerca de 75–90% dos casos; o carcinoma basocelular e outros tumores são menos comuns.

O mecanismo fisiopatológico envolve a inflamação crônica e a repetida tentativa de cicatrização em um tecido com vascularização prejudicada e dano ao DNA acumulado ao longo dos anos. O intervalo entre a lesão inicial e o surgimento do tumor é tipicamente longo — em média 30 a 40 anos —, o que explica por que acomete mais frequentemente pacientes idosos, como a mulher de 69 anos do caso. A apresentação clínica clássica é de uma úlcera que não cicatriza, com bordas elevadas e evertidas, fundo com tecido friável e sangramento fácil, que cresce progressivamente. O diagnóstico é confirmado por biópsia, e o tratamento é essencialmente cirúrgico, com ressecção ampla; a radioterapia e a quimioterapia têm papéis adjuvantes ou paliativos.

A banca construiu o caso com dados que não têm relação direta com a úlcera de Marjolin — dispepsia, diarreia, diabetes, hipertensão —, o que serve apenas como "ruído" para testar se o candidato conhece a definição exata da entidade. As alternativas incorretas misturam outras úlceras e lesões cutâneas que nada têm a ver com a degeneração maligna de cicatriz. O critério decisivo para separar as alternativas é: a úlcera de Marjolin é, por definição, uma neoplasia que surge sobre uma cicatriz prévia — nenhuma das outras opções envolve esse substrato cicatricial.

Úlcera de Marjolin
  • 1Definição
    • Neoplasia maligna
    • Sobre cicatriz crônica
  • 2Causa clássica
    • Cicatriz de queimadura
  • 3Tipo histológico
    • Carcinoma espinocelular (75–90%)
  • 4Fisiopatologia
    • Inflamação crônica
    • Dano ao DNA acumulado
  • 5Latência
    • 30 a 40 anos
  • 6Clínica
    • Úlcera que não cicatriza
    • Bordas elevadas e evertidas
    • Fundo friável, sangra fácil
  • 7Diagnóstico
    • Biópsia
  • 8Tratamento
    • Ressecção cirúrgica ampla
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

O esôfago de Barrett é uma metaplasia intestinal no esôfago distal, consequência da doença do refluxo gastroesofágico crônica, e representa um fator de risco para o adenocarcinoma esofágico. Não se trata de uma úlcera, nem de uma cicatriz, e não guarda qualquer relação com a úlcera de Marjolin. A confusão aqui é associar "úlcera" a "esôfago de Barrett", mas são entidades completamente distintas: uma é degeneração maligna de cicatriz cutânea; a outra é uma alteração metaplásica do epitélio esofágico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, de base imunológica, caracterizada por placas eritematodescamativas. O prurido pode ocorrer, mas não há relação com degeneração maligna de cicatriz. A alternativa mistura o sintoma (coceira) com a doença (psoríase) e não corresponde à definição de úlcera de Marjolin. A psoríase, inclusive, não costuma ulcerar; quando há ulceração, deve-se investigar outra causa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A úlcera hipertensiva, também chamada de úlcera de Martorell, é uma lesão isquêmica que ocorre em pacientes com hipertensão arterial grave, tipicamente localizada na face posterolateral da perna distal, extremamente dolorosa. Embora seja uma úlcera real, não se desenvolve sobre uma cicatriz e não é uma neoplasia. A alternativa tenta explorar a hipertensão da paciente, mas a úlcera de Marjolin não tem relação com hipertensão arterial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A úlcera perianal por isquemia diabética não é uma entidade clássica; o diabetes pode causar úlceras neuropáticas e isquêmicas, mas predominantemente nos pés (pé diabético), não na região perianal. Além disso, não se trata de uma neoplasia sobre cicatriz. A alternativa mistura o diabetes da paciente com uma localização incomum, sem corresponder à definição de úlcera de Marjolin.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A definição correta de úlcera de Marjolin é exatamente esta: neoplasia maligna que surge sobre cicatriz de queimadura (ou outra cicatriz crônica). O carcinoma espinocelular é o tipo mais comum. A alternativa captura os dois elementos essenciais: o caráter neoplásico maligno e o substrato cicatricial — no caso, a queimadura, que é a causa mais clássica e mais cobrada em provas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca no enunciado uma paciente idosa, diabética e hipertensa, com dispepsia e diarreia — tudo isso é ruído. O candidato pode ser tentado a escolher uma alternativa que relacione a úlcera ao diabetes (D) ou à hipertensão (C), mas a úlcera de Marjolin independe dessas comorbidades: o que a define é o surgimento de um tumor maligno sobre uma cicatriz prévia, e a queimadura é o exemplo clássico. Fique atento: quando a questão perguntar por úlcera de Marjolin, procure a alternativa que mencione cicatriz + neoplasia.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, lembre-se do par: úlcera de Marjolin = carcinoma espinocelular sobre cicatriz de queimadura. Na hora da prova, elimine alternativas que descrevam úlceras vasculares, neuropáticas ou metaplasias — a palavra-chave é sempre cicatriz.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/qg726465