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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg726466
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Geral
Paciente do sexo masculino, 43 anos, feodérmico, sofreu uma queda de cinco metros do telhado de uma casa. Ainda no local do acidente, o médico socorrista identificou veias cervicais dilatadas, hipotensão e sons cardíacos abafados. Com base nessa tríade, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável para esse paciente.
  1. AHemotórax maciço.
  2. BPneumomediastino extenso
  3. CTamponamento cardíaco.
  4. DPneumotórax hipertensivo.
  5. EEmbolia pulmonar.
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GabaritoC — Tamponamento cardíaco.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tamponamento cardíaco: a tríade de Beck

Gabarito: letra C. A tríade clássica de Beck — veias cervicais dilatadas, hipotensão e sons cardíacos abafados — é a apresentação típica do tamponamento cardíaco, condição em que o acúmulo de sangue ou líquido no saco pericárdico comprime o coração e impede seu enchimento adequado. No trauma torácico fechado, como a queda de altura, o sangramento pericárdico é a causa mais comum, e o diagnóstico é essencialmente clínico, confirmado por ecocardiograma ou, na urgência, pela resposta à pericardiocentese.

O tamponamento cardíaco é uma emergência médica que ocorre quando o espaço pericárdico (entre o coração e o pericárdio) se enche de líquido — sangue, no contexto traumático —, elevando a pressão intrapericárdica e comprimindo as câmaras cardíacas. O coração, então, não consegue se encher adequadamente durante a diástole, o que reduz o débito cardíaco e leva à hipotensão. O corpo tenta compensar com taquicardia e vasoconstrição, mas o quadro evolui rapidamente para choque obstrutivo se não for tratado. A tríade de Beck (veias do pescoço distendidas, hipotensão e bulhas abafadas) é o conjunto de sinais que, quando presente, praticamente fecha o diagnóstico — embora nem sempre os três estejam presentes, a associação é altamente sugestiva.

A fisiopatologia explica cada sinal: as veias cervicais dilatadas refletem o aumento da pressão venosa central, pois o sangue não consegue entrar no ventrículo direito; a hipotensão decorre da queda do débito cardíaco; e os sons cardíacos abafados resultam da interposição do líquido entre o coração e a parede torácica, que atenua a transmissão dos ruídos cardíacos. No trauma, o sangramento pericárdico pode ser rápido e o quadro se instala em minutos, exigindo descompressão imediata — geralmente por pericardiocentese ou janela pericárdica cirúrgica.

O diagnóstico diferencial no trauma torácico inclui outras condições que também cursam com hipotensão e desconforto respiratório, mas cada uma tem características próprias. O pneumotórax hipertensivo, por exemplo, também causa veias do pescoço distendidas e hipotensão, porém se diferencia pela ausência de murmúrio vesicular e pelo desvio da traqueia para o lado oposto — sinais que não estão presentes no tamponamento. O hemotórax maciço cursa com hipotensão e macicez à percussão, mas as veias do pescoço costumam estar colabadas (por hipovolemia), não dilatadas. Já a embolia pulmonar e o pneumomediastino raramente se apresentam com a tríade completa após trauma de alta energia.

A pegadinha que a banca explora aqui é a confusão entre tamponamento cardíaco e pneumotórax hipertensivo, pois ambos são causas de choque obstrutivo no trauma e compartilham a distensão venosa jugular e a hipotensão. A diferença crucial está nos sons cardíacos: no tamponamento eles estão abafados, enquanto no pneumotórax hipertensivo estão presentes (embora possa haver desvio do ictus). Além disso, o pneumotórax hipertensivo apresenta ausência de murmúrio vesicular e hipertimpanismo à percussão do lado afetado, achados que não fazem parte da tríade descrita no enunciado. Guarde essa fronteira: a tríade de Beck é do tamponamento; a tríade do pneumotórax hipertensivo é hipotensão + distensão jugular + ausência de MV + desvio de traqueia.

Choque obstrutivo no trauma
  • 1Tamponamento cardíaco
    • Tríade de Beck
      • Veias cervicais dilatadas
      • Hipotensão
      • Sons cardíacos abafados
    • Tratamento: pericardiocentese
  • 2Pneumotórax hipertensivo
    • Hipotensão + jugular distendida
    • Ausência de MV
    • Desvio de traqueia
    • Hipertimpanismo
  • 3Hemotórax maciço
    • Hipotensão + macicez
    • Veias colabadas (hipovolemia)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O hemotórax maciço é o acúmulo de grande volume de sangue na cavidade pleural, geralmente acima de 1.500 mL, cursando com choque hipovolêmico. Os achados típicos são hipotensão, taquicardia, macicez à percussão e diminuição do murmúrio vesicular no lado afetado. As veias cervicais, porém, costumam estar colabadas (retraídas), pois o paciente perdeu volume intravascular — o oposto da dilatação jugular descrita no enunciado. Além disso, os sons cardíacos não são abafados, pois o coração não está comprimido. A tríade de Beck não se aplica ao hemotórax.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O pneumomediastino extenso é a presença de ar no mediastino, podendo ocorrer após trauma torácico. Pode causar enfisema subcutâneo e dor torácica, mas não cursa com a tríade de Beck. A hipotensão não é um achado típico, e os sons cardíacos podem estar normais ou com um estalido sistólico (sinal de Hamman), mas não abafados. A dilatação das veias cervicais não é característica, a menos que haja compressão mediastinal importante, mas mesmo assim não configura o quadro clássico de tamponamento. O diagnóstico é feito por radiografia ou tomografia, não pela tríade clínica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A tríade de Beck — veias cervicais dilatadas, hipotensão e sons cardíacos abafados — é a apresentação clássica do tamponamento cardíaco. No trauma torácico fechado, como a queda de altura, o sangramento para o saco pericárdico comprime o coração, reduz o débito cardíaco e eleva a pressão venosa central, gerando exatamente esses três sinais. O diagnóstico é clínico e a confirmação pode ser feita por ecocardiograma, mas na emergência a pericardiocentese é tanto diagnóstica quanto terapêutica. A alternativa espelha com precisão a tríade descrita no enunciado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O pneumotórax hipertensivo é outra causa de choque obstrutivo no trauma e também cursa com hipotensão e distensão das veias cervicais. No entanto, o quadro se diferencia pela ausência de murmúrio vesicular e pelo desvio da traqueia para o lado contralateral, além de hipertimpanismo à percussão. Os sons cardíacos não são abafados — podem estar desviados, mas não abafados. A tríade de Beck é específica do tamponamento; no pneumotórax hipertensivo, o achado auscultatório decisivo é a ausência de MV, não o abafamento das bulhas. A banca frequentemente troca essas duas condições, mas a presença de sons cardíacos abafados aponta para o tamponamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A embolia pulmonar (EP) é a obstrução de uma artéria pulmonar por um trombo, cursando com dispneia súbita, dor torácica, taquicardia e hipoxemia. Pode haver hipotensão em casos maciços, mas a tríade de Beck não faz parte do quadro. As veias cervicais podem estar dilatadas em casos de disfunção ventricular direita, mas os sons cardíacos não são abafados — pode haver hiperfonese de B2. Além disso, o contexto de trauma com queda de altura não é o cenário típico de EP, que costuma ocorrer em pacientes imobilizados ou com trombose venosa profunda. O diagnóstico é feito por angiotomografia, não pela tríade clínica.

Gabarito: letra C — a tríade de Beck (veias cervicais dilatadas, hipotensão e sons cardíacos abafados) é patognomônica do tamponamento cardíaco.

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