Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2026
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg726472
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Geral
Paciente do sexo feminino, 47 anos, leucodérmica, em controle médico de rotina e sem passado mórbido relevante ou uso de medicamentos, apresenta, ao exame clínico, mucosas hipocoradas e resultado positivo para sangue oculto nas fezes. Com base apenas nesses dados, assinale a alternativa que apresenta o(s) próximo(s) exame(s) que o médico deve solicitar segundo a sequência propedêutica.
AEndoscopia e retocolonoscopia virtual.
BEndoscopia e retocolonoscopia real.
CRadiografia contrastada do tubo digestório.
DTomografia contrastada do abdome total.
ECintilografia de corpo inteiro com contraste.
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GabaritoB — Endoscopia e retocolonoscopia real.
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Sangue oculto nas fezes: sequência propedêutica na investigação de anemia
Gabarito: letra B. Diante de uma paciente com anemia (mucosas hipocoradas) e pesquisa de sangue oculto nas fezes positiva, a investigação propedêutica do trato gastrointestinal deve começar pela endoscopia digestiva alta e pela retocolonoscopia real — os exames endoscópicos que permitem visualizar diretamente a mucosa e, se necessário, realizar biópsias e tratamento imediato. A alternativa B é a única que combina corretamente os dois exames de primeira linha na investigação de sangramento digestivo oculto.
O sangue oculto nas fezes é um marcador de sangramento gastrointestinal que pode ter origem em qualquer ponto do tubo digestivo, do esôfago ao reto. A anemia microcítica (ferropriva) associada a esse achado é uma apresentação clássica de perda sanguínea crônica e oculta. A investigação não pode se limitar a um único segmento: é preciso avaliar tanto o trato digestivo alto (esôfago, estômago e duodeno) quanto o baixo (cólon e reto), pois as causas mais frequentes de sangramento oculto — úlceras pépticas, gastrites, pólipos e neoplasias colorretais — distribuem-se por toda essa extensão.
A endoscopia digestiva alta (esofagogastroduodenoscopia) é o exame de escolha para identificar a causa de hemorragia digestiva alta, permitindo visualizar diretamente a mucosa e, ao mesmo tempo, atuar terapeuticamente (coagulação, ligadura elástica, esclerose). Já a retocolonoscopia (colonoscopia) é o melhor método para diagnóstico e tratamento inicial das hemorragias digestivas baixas, com rendimento diagnóstico de 70% a 90% quando realizada precocemente e após preparo adequado do cólon. A combinação desses dois exames cobre praticamente todo o trato gastrointestinal e é a sequência propedêutica correta para o caso descrito.
A alternativa A (endoscopia + retocolonoscopia virtual) é uma armadilha clássica: a colonoscopia virtual (ou tomografia computadorizada com colonografia) é um método de rastreamento que não permite biópsia nem tratamento, sendo inferior à colonoscopia real quando já há suspeita de sangramento. As demais alternativas (radiografia contrastada, tomografia do abdome e cintilografia) são métodos que não fazem parte da investigação inicial de sangramento oculto — a cintilografia, por exemplo, é reservada para sangramentos ativos e intermitentes, e a radiografia contrastada do tubo digestório foi praticamente substituída pelos métodos endoscópicos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre colonoscopia real e colonoscopia virtual. A virtual (colonografia por TC) é um exame de imagem que não permite biópsia nem intervenção terapêutica — serve apenas para rastreamento. Quando o paciente já apresenta sangue oculto positivo e anemia, a investigação exige a colonoscopia real, que permite visualizar a mucosa, biopsiar lesões e tratar o sangramento no mesmo procedimento. Fique atento: a presença da palavra "virtual" na alternativa A é o sinal de que ela está incorreta.
1Endoscopia digestiva alta
2Retocolonoscopia real
3Biópsia e tratamento
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A combinação de endoscopia com retocolonoscopia virtual está errada. A colonoscopia virtual (colonografia por tomografia computadorizada) é um método de rastreamento que não permite biópsia, não permite intervenção terapêutica e tem sensibilidade inferior à colonoscopia real para lesões planas e pequenas. Na investigação de sangramento oculto com anemia, o exame padrão-ouro é a colonoscopia real, que permite visualizar diretamente a mucosa, biopsiar e tratar. A banca troca "real" por "virtual" para testar se o candidato conhece a diferença entre os dois métodos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A combinação de endoscopia digestiva alta e retocolonoscopia real é a sequência propedêutica correta. A endoscopia avalia o trato digestivo alto (esôfago, estômago, duodeno) e a colonoscopia avalia o cólon e o reto — juntas, cobrem praticamente todo o trato gastrointestinal, que é onde pode estar a fonte do sangramento oculto. Ambos os exames permitem diagnóstico visual direto, biópsia e tratamento imediato (coagulação, ligadura, polipectomia), o que os torna superiores a qualquer método de imagem para essa finalidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A radiografia contrastada do tubo digestório (trânsito intestinal, enema opaco) é um método antigo, praticamente substituído pelos métodos endoscópicos. Ela não permite biópsia, não permite intervenção terapêutica e tem baixa sensibilidade para lesões planas, pequenas ou sangramentos ocultos. Não é o exame de primeira linha na investigação de sangue oculto nas fezes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A tomografia contrastada do abdome total não é o exame inicial na investigação de sangramento digestivo oculto. A TC pode ser útil em casos selecionados (suspeita de neoplasia avançada, complicações), mas não substitui a avaliação endoscópica direta da mucosa, que é o padrão para diagnosticar a causa do sangramento. Além disso, a TC não permite biópsia nem tratamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A cintilografia de corpo inteiro com contraste (cintilografia com hemácias marcadas com tecnécio-99m) é um método não invasivo utilizado para localizar sangramentos ativos e intermitentes, especialmente quando os exames endoscópicos não identificam a fonte. Sua principal vantagem é a sensibilidade para sangramentos intermitentes, mas não é o exame de primeira linha na investigação de sangue oculto — é reservada para casos selecionados, após endoscopia e colonoscopia negativas.
Gabarito: letra B — endoscopia digestiva alta e retocolonoscopia real são os exames de primeira linha na investigação de sangue oculto nas fezes com anemia.