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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — INSTITUTO AOCP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg726487
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SES-SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Pediátrica
Criança de 8 anos é trazida ao pronto atendimento após atropelamento. Está agitada, pele fria, taquicardia importante, tempo de enchimento capilar prolongado e extremidades hipoperfundidas. A pressão arterial está dentro do esperado para idade. Há suspeita de sangramento interno e necessidade de controle rápido de hemorragia. A equipe iniciou acesso venoso periférico, aquecimento ativo e avaliação pelo protocolo ultrassom (USG) focado (FAST). Considerando princípios atuais de ressuscitação de controle de danos em trauma pediátrico, qual conduta é a mais adequada na fase inicial, antes do controle definitivo do sangramento?
  1. AAdministrar repetidos bólus de cristaloide até normalizar a frequência cardíaca antes de considerar transfusão.
  2. BPriorizar estratégia de ressuscitação hemostática, com ativação de protocolo de transfusão maciça e redução de hemodiluição, além de prevenir hipotermia.
  3. CAguardar queda da pressão arterial para iniciar medidas hemostáticas, pois a normotensão sugere ausência de choque hemorrágico.
  4. DIniciar antifibrinolítico rotineiramente em todos os traumas pediátricos, independente de gravidade ou tempo de trauma.
  5. EPostergar transfusão até confirmação tomográfica de sangramento, para evitar exposição desnecessária a hemocomponentes.
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GabaritoB — Priorizar estratégia de ressuscitação hemostática, com ativação de protocolo de transfusão maciça e redução de hemodiluição, além de prevenir hipotermia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ressuscitação de controle de danos no trauma pediátrico

Gabarito: letra B. Em criança com choque hemorrágico por trauma fechado, a conduta inicial mais adequada é a ressuscitação hemostática — ativação precoce de protocolo de transfusão maciça, uso restritivo de cristaloides e prevenção da tríade letal (hipotermia, acidose e coagulopatia). Essa estratégia, conhecida como Damage Control Resuscitation (DCR), prioriza a reposição de hemoderivados em proporções balanceadas e minimiza a hemodiluição, em vez de aguardar a queda da pressão arterial ou a confirmação tomográfica do sangramento.

O choque hemorrágico é a principal causa de morte evitável no trauma. Na criança, os mecanismos compensatórios são eficientes: a taquicardia e o aumento da resistência vascular periférica mantêm a pressão arterial dentro da faixa etária mesmo com perdas significativas de volume. Por isso, a normotensão não exclui sangramento importante — a hipotensão é sinal tardio, que surge quando os mecanismos compensatórios se esgotam ou após perdas superiores a 30% da volemia. O caso descrito reúne sinais clássicos de choque compensado: agitação, pele fria, taquicardia importante, enchimento capilar prolongado e extremidades hipoperfundidas, com PA ainda preservada.

A estratégia de controle de danos (DCR) baseia-se em cinco pilares: administração precoce de hemoderivados, uso restritivo de cristaloides, uso de antifibrinolíticos, hipotensão permissiva e cirurgia para controle de danos. O racional é evitar a tríade letal: a hemodiluição causada por grandes volumes de cristaloide agrava a coagulopatia, a hipotermia compromete a função plaquetária e a acidose inibe a cascata de coagulação — formando um círculo vicioso que perpetua o sangramento. A transfusão precoce de hemácias, plasma e plaquetas em proporções próximas às do sangue total (1:1:1) restaura a capacidade de transporte de oxigênio e os fatores de coagulação simultaneamente.

Na prática pediátrica, o protocolo de reposição volêmica tradicional prevê bólus iniciais de 20 mL/kg de cristaloide isotônico aquecido, com reavaliação clínica após cada bólus. Porém, nos princípios atuais de DCR, a transfusão de hemácias (10 mL/kg) deve ser considerada precocemente quando há suspeita de sangramento significativo, sem aguardar a estabilização com cristaloides. O ácido tranexâmico (antifibrinolítico) está indicado em pacientes com sangramento ativo e taquicardia importante ou hipotensão, mas não deve ser usado rotineiramente em todos os traumas, independentemente da gravidade — há critérios de indicação.

A distinção central que separa as alternativas é o paradigma da ressuscitação: a abordagem antiga (bólus generosos de cristaloide até normalizar FC) foi substituída pela abordagem hemostática (hemoderivados precoces, cristaloide restritivo, prevenção da hipotermia). A banca explora exatamente essa mudança de paradigma, cobrando do candidato o conhecimento dos princípios atuais de DCR em pediatria.

1Pilares
Hemoderivados precoces
Cristaloide restritivo
Antifibrinolítico (com critérios)
Hipotensão permissiva
Cirurgia de controle de danos
2Tríade letal (evitar)
Hipotermia
Acidose
Coagulopatia
3Sinais de choque compensado
Taquicardia
Enchimento capilar prolongado
Extremidades frias
PA preservada (normotensão)
Ressuscitação de controle de danos (DCR)
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Ressuscitação de controle de danos (DCR): Pilares (Hemoderivados precoces, Cristaloide restritivo, Antifibrinolítico (com critérios), Hipotensão permissiva, Cirurgia de controle de danos); Tríade letal (evitar) (Hipotermia, Acidose, Coagulopatia); Sinais de choque compensado (Taquicardia, Enchimento capilar prolongado, Extremidades frias, PA preservada (normotensão))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Administrar repetidos bólus de cristaloide até normalizar a frequência cardíaca contraria o princípio do uso restritivo de cristaloides na DCR. Grandes volumes de cristaloide causam hemodiluição, agravam a coagulopatia e contribuem para a hipotermia — componentes da tríade letal. A normalização da FC não deve ser o alvo isolado da ressuscitação; o objetivo é restaurar a perfusão tecidual com o mínimo de cristaloide necessário, priorizando hemoderivados precoces.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa espelha exatamente os princípios da Damage Control Resuscitation: ativação precoce de protocolo de transfusão maciça (hemoderivados em proporções balanceadas), redução de hemodiluição (uso restritivo de cristaloides) e prevenção de hipotermia (aquecimento ativo, fluidos aquecidos). Essa estratégia é a mais adequada na fase inicial, antes do controle definitivo do sangramento, pois aborda diretamente a tríade letal e melhora a sobrevida no trauma hemorrágico pediátrico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Aguardar a queda da pressão arterial para iniciar medidas hemostáticas é um erro grave. A hipotensão é sinal tardio de choque hemorrágico, que ocorre quando os mecanismos compensatórios se esgotam ou após perdas superiores a 30% da volemia. A normotensão não exclui sangramento importante — a criança do caso já apresenta sinais de choque compensado (taquicardia, enchimento capilar prolongado, extremidades frias) com PA preservada. Iniciar medidas hemostáticas precocemente, antes da hipotensão, é essencial para evitar a progressão para choque descompensado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O antifibrinolítico (ácido tranexâmico) não deve ser usado rotineiramente em todos os traumas pediátricos. Sua indicação segue critérios: pacientes com sangramento ativo e taquicardia importante (FC > 110 bpm) ou hipotensão (PAS < 90 mmHg), ou com impressão subjetiva de sangramento significativo. O uso indiscriminado, independentemente da gravidade ou do tempo de trauma, não é recomendado e pode expor o paciente a riscos desnecessários (como eventos trombóticos).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Postergar a transfusão até confirmação tomográfica contraria o princípio da administração precoce de hemoderivados na DCR. Em paciente instável com suspeita de sangramento, a tomografia está contraindicada — o exame de escolha na avaliação primária é o FAST (ou E-FAST), que deve ser realizado à beira do leito. A transfusão deve ser iniciada com base na suspeita clínica e nos achados do FAST, sem aguardar confirmação por imagem mais demorada. A TC é reservada para pacientes estáveis ou que estabilizam após a reanimação inicial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o paradigma antigo e o atual de ressuscitação no trauma. O candidato que memorizou apenas o protocolo tradicional de bólus de cristaloide (20 mL/kg, repetidos até estabilizar) tende a marcar a alternativa A, mas os princípios atuais de DCR priorizam hemoderivados precoces e uso restritivo de cristaloide. Além disso, a alternativa C inverte o conceito: a normotensão no choque compensado não significa ausência de hemorragia — é justamente o oposto, um alerta para sangramento oculto.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de trauma hemorrágico, memorize os cinco pilares da DCR: hemoderivados precoces, cristaloide restritivo, antifibrinolíticos (com critérios), hipotensão permissiva e cirurgia de controle de danos. Na dúvida entre alternativas, pergunte-se: "esta conduta evita ou agrava a tríade letal (hipotermia, acidose, coagulopatia)?" — a resposta que evita é a correta.

Gabarito: letra B

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